{"id":60754,"date":"2019-10-09T00:00:42","date_gmt":"2019-10-08T23:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/infocul.pt\/?p=60754"},"modified":"2019-10-07T12:55:35","modified_gmt":"2019-10-07T11:55:35","slug":"catarina-rocha-cantar-as-minhas-letras-e-como-se-me-sentisse-despida-mas-ao-mesmo-tempo-sinto-me-mais-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/cultura\/catarina-rocha-cantar-as-minhas-letras-e-como-se-me-sentisse-despida-mas-ao-mesmo-tempo-sinto-me-mais-humana\/","title":{"rendered":"Catarina Rocha: &#8220;Cantar as minhas letras, \u00e9 como se me sentisse despida mas ao mesmo tempo sinto-me mais humana&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-60755 size-large lazyload\" data-src=\"https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Capa-Lettering-1024x1020.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"797\" data-srcset=\"https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Capa-Lettering-1024x1020.jpg 1024w, https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Capa-Lettering-150x150.jpg 150w, https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Capa-Lettering-300x300.jpg 300w, https:\/\/infocul.pt\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Capa-Lettering-768x765.jpg 768w\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 800px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 800\/797;\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2018Vida\u2019 \u00e9 o novo disco da cantora Catarina Rocha, \u2018cantora fadista\u2019 como se define, e que sucede a \u2018Luz\u2019. Neste disco contou com produ\u00e7\u00e3o de Valter Rolo e apresenta 10 faixas, algumas das quais em que assina letra e m\u00fasica.<!--more--><\/p>\n<p>Em entrevista ao Infocul, a artista fala deste disco, dos desafios da escrita e do canto, das influ\u00eancias e da import\u00e2ncia do Fado na sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Quando \u00e9 que come\u00e7ou a pensar neste disco, \u2018Vida\u2019?<\/i><\/p>\n<p><i><b>H\u00e1 cerca de um ano atr\u00e1s, creio que em Outubro de 2018. J\u00e1 tinha v\u00e1rios poemas e m\u00fasicas minhas, e achei que estaria na altura de fazer algo novo. J\u00e1 tinha falado com o meu produtor \u2013 Valter Rolo (com quem j\u00e1 tinha trabalhado no \u00e1lbum Luz) que estaria pronta para ir para est\u00fadio, e no in\u00edcio do ano (2019) come\u00e7\u00e1mos as grava\u00e7\u00f5es.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2018<i>Fado Abananado\u2019 \u00e9 o tema que serve de apresenta\u00e7\u00e3o a este disco. Porqu\u00ea a escolha e qual a import\u00e2ncia de ter uma letra do Pedro da Silva Martins?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Escolhemos este tema para single por v\u00e1rias raz\u00f5es. Assim que li a letra adorei o t\u00edtulo (fora do comum) e a hist\u00f3ria que conta. Quando est\u00e1vamos em est\u00fadio a gravar, sent\u00edamos que o tema transmitia muita energia e toda a gente come\u00e7ava a \u201cbater o p\u00e9\u201d ao som do ritmo. \u00c9 aquilo que se costuma chamar de um tema \u201corelhudo\u201d e o refr\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil de decorar. Conhecia o trabalho do Pedro da Silva Martins e sempre admirei a sua maneira de escrever e de brincar com as palavras. Tem um enorme talento na sua escrita e sendo dos maiores autores da actualidade, \u00e9 sempre uma honra poder contar com a sua arte neste meu Vida.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Neste disco assina tamb\u00e9m a letra e m\u00fasica em \u2018Expresso da Saudade\u2019, \u2018N\u00e3o sabe Amar\u2019, \u2018Meu Amor\u2019 e a letra em \u2018Agora \u00e9 que vai ser\u2019. Quando surgiu o gosto pela escrita?<\/i><\/p>\n<p><i><b>J\u00e1 tinha tido uma primeira abordagem na escrita do \u00e1lbum Luz, mas tinha escrito para um fado tradicional (Fado dois tons), em que tinha que respeitar a m\u00e9trica e a melodia. Desta vez foi de uma maneira mais solta e mais livre pois j\u00e1 tinha alguns poemas escritos, mas nunca os tinha musicado. Desta vez por incentivo do Valter Rolo que me deu todo o apoio para mostrar o meu trabalho enquanto autora, decidi abrir a \u201ccaixinha de pandora\u201d e quatro dos meus poemas entraram no \u00e1lbum. Fico radiante por saber que o feedback das pessoas, que j\u00e1 ouviram o \u00e1lbum, \u00e9 t\u00e3o positivo. Quero sem d\u00favida continuar a escrever e a fazer melodias para os meus poemas.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>O primeiro disco foi \u2018Luz\u2019 e este \u00e9 \u2018Vida\u2019. Pergunto se \u00e9 a vida que nos traz a luz ou se \u00e9 atrav\u00e9s da luz que aproveitamos a vida?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Creio que a Vida nos traz Luz, se a procurarmos e lutarmos por ela. Se tivermos essa luz, conseguimos muito mais facilmente aproveitar a vida. \u00c9 a isso que se chama a busca da felicidade. Eu precisei primeiro da L<\/b><\/i><i><b>uz<\/b><\/i><i><b> para depois surgir a V<\/b><\/i><i><b>ida<\/b><\/i><i><b>, est\u00e1 tudo encadeado. Acabo com uma frase de Tiago Torres da Silva, no poema que me ofereceu \u201cO que o tempo nos d\u00e1\u201d, que a meu ver, reflecte que \u00e9 preciso haver luz na vida. \u00abCom a alma infeliz n\u00e3o se pode sonhar\u00bb<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Conta tamb\u00e9m com letras de Tiago Torres da Silva, Fernando Farinha, \u00c1lvaro Duarte Sim\u00f5es, entre outros. O que mais aprecia nos letristas?<\/i><\/p>\n<p><i><b>A for\u00e7a que d\u00e3o \u00e0s palavras, sem d\u00favida! Gosto sobretudo de aprender com os letristas, d\u00e3o-nos li\u00e7\u00f5es de vida e fazem-nos crescer enquanto pessoas. Acho que passamos a ver o mundo de outra forma, no sentido em que passamos a dar import\u00e2ncia aos detalhes que por vezes nos passam despercebidos. Aprendi sobretudo a \u201cler nas entrelinhas\u201d e a ter pensamento mais cr\u00edtico. <\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Qual o tema mais pessoal deste disco?<\/i><\/p>\n<p><i><b>O tema \u201cMeu Amor\u201d e o tema \u201cAgora \u00e9 que vai ser\u201d. \u201cMeu amor\u201d fala de algu\u00e9m de quem gostamos muito, mas que nunca mais vai voltar, acho que foi das coisas mais bonitas que j\u00e1 fiz na m\u00fasica. \u201cAgora \u00e9 que vai ser\u201d, tem tudo a ver comigo! N\u00e3o devemos ficar presos e dependentes do que os outros pensam\u2026os outros v\u00e3o pensar de qualquer forma. \u00c0s vezes \u00e9 preciso renovar a nossa forma de pensar e focar no que realmente queremos, ter confian\u00e7a e principalmente ter orgulho e certeza que nosso trabalho \u00e9 bom! Espero influenciar as pessoas a acreditarem nelas pr\u00f3prias.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>\u00c9 mais desafiante cantar as suas letras ou a de outros?<\/i><\/p>\n<p><i><b>\u00c9 desafiante de ambas as maneiras! Cantar as minhas letras, \u00e9 como se me sentisse despida mas ao mesmo tempo sinto-me mais humana. Eu tinha alguma relut\u00e2ncia ou at\u00e9 vergonha em cantar os meus poemas. Hoje em dia tenho orgulho em faz\u00ea-lo. Liberta-me a mente e tenho esperan\u00e7a que quem me ouve sinta o mesmo que eu quando canto as palavras. Cantar as letras de outros autores \u00e9 igualmente dif\u00edcil porque tenho que interpretar o que outra pessoa escreveu, o que viveu, o que sentiu. Estou a colocar na minha voz os pensamentos e emo\u00e7\u00f5es de outras pessoas, e isso \u00e9 uma grande responsabilidade. Neste caso tenho o cuidado de falar com o autor e tentar perceber se a maneira como entendi o poema \u00e9 a mais correta para o interpretar.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Quais os espect\u00e1culos que pode j\u00e1 anunciar para apresentar este disco?<\/i><\/p>\n<p><i><b>O disco ainda \u00e9 t\u00e3o recente que estamos focados em promov\u00ea-lo. Mas em 2020 come\u00e7aremos a anunciar as datas que v\u00e3o dar VIDA aos palcos. No entanto, em Agosto fiz uma pr\u00e9 apresenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum na Feira de S\u00e3o Mateus, em Viseu. A partir de dia 18 de Outubro sair\u00e1 o videoclip oficial do \u201cFado Abananado\u201d.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Quem s\u00e3o as suas grandes refer\u00eancias no Fado?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Cresci a ouvir Am\u00e1lia Rodrigues e sempre gostei da sua voz e dos seus temas. \u00c9 sublime a sua arte de transmitir a alma atrav\u00e9s da voz, para al\u00e9m de ter sido uma excelente letrista. Ant\u00f3nio Mour\u00e3o (ao qual fiz homenagem no Luz), sempre fazia parte da minha \u201cplaylist\u201d. Sua voz trinada e a forma de cantar encantaram-me desde a primeira vez que ouvi. Fernanda Maria e Maria Teresa de Noronha s\u00e3o mais dois nomes que sempre admirei no fado.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Quem foram os m\u00fasicos que a acompanharam neste disco?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Sou uma afortunada por ter t\u00e3o excelente equipa a trabalhar comigo. Todos eles iluminaram o meu Vida! Contei com Valter Rolo na produ\u00e7\u00e3o e teclados, \u00c2ngelo Freire na guitarra portuguesa, Bernardo Viana na viola de fado, Vicky Marques na bateria, Marino de Freitas no baixo e finalmente Sandra Martins no violoncelo.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Dedica muito tempo \u00e0s redes sociais?<\/i><\/p>\n<p><i><b>O suficiente. Tenho no\u00e7\u00e3o que as redes sociais d\u00e3o grande ajuda e impulso na carreira dos artistas. Gosto de receber o feedback dos meus seguidores e por norma s\u00e3o super simp\u00e1ticos e am\u00e1veis para comigo. Ouvem os meus temas e ficam entusiasmados sempre que h\u00e1 novidades. O mais importante e o que me reconforta enquanto artista \u00e9 saber que a minha m\u00fasica faz sentido e ajuda os outros. <\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Onde pode o p\u00fablico interagir consigo?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Facebook e Instagram, por acaso n\u00e3o uso muito o Twitter.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Como se define enquanto fadista? Ou prefere ser considerada cantora?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Sou uma cantora fadista. Quem me ouve diz sempre que a minha voz \u00e9 muito ecl\u00e9tica e isso para mim \u00e9 um enorme elogio. Gosto muito de m\u00fasica, e para al\u00e9m do fado, gosto de Jazz, blues, canto l\u00edrico, entre outros estilos. No entanto, \u00e9 no fado que sinto a for\u00e7a das palavras e as emo\u00e7\u00f5es \u201c\u00e0 flor da pele\u201d. Tento sempre que os meus \u00e1lbuns mostrem a minha versatilidade enquanto cantora\/fadista, e mostrem que o fado fala da vida, e na vida h\u00e1 alegrias e tristezas, dan\u00e7amos, choramos, cantamos, rimos e amamos.<\/b><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?<\/i><\/p>\n<p><i><b>Espero que viagem pelas emo\u00e7\u00f5es e sintam o pulsar do meu Vida.<\/b><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; \u2018Vida\u2019 \u00e9 o novo disco da cantora Catarina Rocha, \u2018cantora fadista\u2019 como se define, e que sucede a \u2018Luz\u2019. 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