Carminho despiu a alma e serviu o melhor concerto do ano no Coliseu dos Recreios

Carminho despiu a alma e serviu o melhor concerto do ano no Coliseu dos Recreios, a 2 de Novembro.

Carminho despiu a alma e serviu o melhor concerto do ano no Coliseu dos Recreios

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Carminho actuou duas noites seguidas no Coliseu dos Recreios, tendo por base o novo disco, intitulado ‘Portuguesa’, o sexto disco da carreira que conta com 14 composições, bem como a composição de fados tradicionais originais.

Na primeira de duas noites, assistiu-se a algo de uma magnitude superior ao que a cultura portuguesa nos tem oferecido nos últimos 10 anos.

Carmo Rebelo de Andrade, artisticamente conhecida por Carminho, entregou toda a sua alma naquelas duas horas a um público que rapidamente se rendeu ao espectáculo conceptual ali exibido.

Habituámo-nos mal a espectáculos todos formatados, sem improviso, tudo programado ao segundo e Carminho tirou-nos o chão.

Serviu a sua conhecida arte interpretativa e fadista, porém complementada com uma verdade desarmante, que incluiu histórias suas, do fado, improvisos, enganos, humildade em doses quase indefinidas.

É tão raro, e belo, ver uma artista consagrada dar-nos a noção de semelhante e comum mortal (considero que os artistas são seres especiais pela capacidade de nos emocionar através da Arte servida com generosidade) e de quão o erro poderá ser o mais bonito acerto.

Porém, este espectáculo trouxe-nos uma Carminho com a voz de sempre, a alma antiga que renova a cada dia e uma doçura que apenas a maternidade lhe podia adicionar. A artista expõe-se mais naquilo que são as suas emoções, as suas ideias, os seus valores e com isso cria uma relação visceral com quem ali vai para absorver o seu canto, com poemas bem escolhidos, vividos em cada sílaba cantada como se a personagem da história fosse ela própria.

Imagino que isto seja o maior desejo de qualquer poeta, ver as suas palavras ganharem vida através de uma arrebatadora voz, que vem das profundezas da alma.

Este concerto de Carminho ficará sempre acima de qualquer palavra escrita, porque deixou a fasquia demasiado elevada para a cultura portuguesa.,

Dos temas mais conhecidos do seu repertório como ‘Escrevi teu nome no vento’, ‘Meu amor marinheiro’, passando pelas marchas de Alcântara e Alfama, indo ao novo disco e fechando com uma sessão de discos pedidos, Carminho esteve sublime e pura em toda a duração do espectáculo.

Esteve inteira e marcou para sempre quem ali esteve. Carminho está no melhor momento da sua carreira e somos privilegiados em poder usufruir disso.

Instrumentalmente esteve acompanhada por André Dias, Flávio César Cardoso, Tiago Maia, João Gomes e Pedro Geraldes. O incrível desenho de luz foi de Hugo Coelho, da Aldeia da Luz (surreal o que conseguiu fazer, numa noite gravada a letras de ouro).

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