“Carta às grandes empresas de construção”: Pedro Chagas Freitas apela a ajuda urgente às casas afetadas pela tempestade Kristin, nas redes sociais.
Na sequência da destruição provocada pela tempestade Tempestade Kristin, o escritor Pedro Chagas Freitas publicou nas redes sociais uma mensagem dirigida às grandes empresas de construção.
Intitulada “Carta às grandes empresas de construção”, a reflexão assume o tom de apelo cívico. O objetivo é claro: mobilizar meios para apoiar famílias com casas danificadas, sobretudo em Leiria e noutras zonas atingidas.
Um texto sem julgamento, mas com urgência
Antes de mais, o autor faz questão de afastar qualquer tom acusatório. A carta começa por sublinhar respeito pelas empresas e pela sua realidade económica.
“Excelentíssimos:
Começo por algo que quero deixar bem claro: não estou aqui para vos julgar. Não estou aqui com uma posição ideológica ou dogmática. Não me parece que isso interesse numa altura destas. Escrevo-vos com os dedos ligados às veias, só isso. Escrevo-vos com o que sinto.”
Assim, a abordagem parte da emoção e da observação direta dos estragos.
Casas destruídas e vidas suspensas
De seguida, Pedro Chagas Freitas descreve o cenário encontrado após o mau tempo. A imagem é a de lares fragilizados e bens pessoais comprometidos.
“Há água dentro de casas em Leiria e noutros lugares; há móveis inchados, há fotografias antigas a ondular nas molduras, há muitos telhados em falta. Há, sobretudo, pessoas que sabem da pior maneira possível que um lar depende de coisas muito concretas como telhas, vigas, mãos que saibam colocá-las, até lonas.”
Além disso, reconhece o papel das empresas na economia. Segundo escreve, a sustentabilidade financeira é essencial para manter empregos e equipas.
Um convite à ação voluntária
Contudo, o escritor acredita que há momentos excecionais que pedem respostas extraordinárias. Mesmo sem solicitação oficial, defende uma mobilização voluntária, dentro do possível.
“Estou aqui para vos fazer sentir, se calhar já o sentiram, que esta noite pode ser especial. As previsões são más, muito más, para quem já não sabe como combater. Se o Estado não vos chama, talvez haja ocasiões em que uma empresa possa, com prudência, dentro do possível, autoconvocar-se e ir. Ir mesmo. Disponibilizar equipas, canalizar material decisivo, coordenar-se com as autoridades locais, fazer o que pode. Acredito, esta noite, que cada grande empresa de construção pode muito, pode tanto. Nada de absoluto, nada de imprudente. Acho que basta o suficiente para que algumas casas voltem a ter o lado de dentro e o lado de fora bem definidos.”
Desta forma, o texto sugere gestos concretos, como equipas no terreno e fornecimento de materiais.
“Seria bonito ver-vos lá”
Por outro lado, a carta destaca também o impacto humano da ajuda. Para o autor, o apoio beneficia quem recebe, mas também quem presta.
“Seria bonito ver isso; seria bonito ver-vos lá. Bonito para quem recebe ajuda; bonito para quem a presta. Para cada um de vós, para cada um dos que trabalham convosco, para quem está de algum modo ligado ao vosso grupo, à vossa equipa. As empresas também são feitas de pessoas. As pessoas trabalham melhor quando sentem que o seu ofício chega ao contacto com a vida real de alguém, e a transforma.”
Um momento que pode ficar na memória
Por fim, Pedro Chagas Freitas deixa uma nota de reflexão sobre o peso simbólico destas escolhas.
“Há noites que passam e são esquecidas. Outras ficam como uma referência silenciosa de quem esteve presente. Esta parece ser uma dessas horas.
Com respeito,
Pedro”
Assim, a mensagem transforma-se num apelo à responsabilidade social. Num contexto de emergência, o escritor defende que a reconstrução também pode nascer da iniciativa das empresas.
Veja este momento AQUI.




