Celso Lascasas sem filtros: críticas ao ensino, defesa do trabalho extremo e posições políticas geram polémica, em entrevista a Flávio Furtado.
Celso Lascasas voltou a marcar a atualidade após uma entrevista onde abordou temas polémicos. O empresário falou sobre trabalho, política e o seu percurso pessoal.
Críticas ao ensino e à falta de ambição
Antes de mais, Celso Lascasas apontou o dedo ao sistema educativo. Na sua visão, as escolas não incentivam o risco nem o espírito empreendedor.
“Eu acho que as escolas ensinam as pessoas a serem pobres, tipo, vais tirar um curso, vais fazer isto, vais fazer aquilo, depois vais ter um emprego.”
Além disso, criticou o que considera ser uma mentalidade confortável entre os mais jovens. Para o empresário, a falta de ambição acaba por beneficiar quem cria negócios.
“Se não tiver coragem e não quiser arriscar na vida, vai trabalhar para mim, e eu não tenho curso nenhum. O mais bem preparado vai trabalhar para mim, porque não quer arriscar, porque quer ter uma vida confortável, dormir em condições, passear o cão às cinco e meia da tarde. Esse tipo vai trabalhar para mim.”
Exigência máxima no trabalho
Por outro lado, Celso Lascasas deixou claro que não acredita em atalhos para o sucesso. O empresário defende uma ética de trabalho intensa e sem espaço para desculpas.
“Tem que trabalhar 12 horas por dia, 7 dias por semana. Eu não me lamento, nem admito que os meus administradores se lamentem comigo. Não há desculpas. Porque é que não pensam em encontrar uma solução? Sou muito exigente, sou muito rigoroso, não brinco em serviço e não gosto que as pessoas brinquem comigo.”
Ainda assim, garante sentir orgulho quando antigos colaboradores seguem o seu próprio caminho.
“Tenho muitos ex-trabalhadores que já se estabeleceram. Tenho por exemplo 4 ou 5 trabalhadoras minhas que eram gerentes de lojas que saíram, estabeleceram-se. Fico orgulhoso, desde que saiam pela porta grande como entraram.”
Posição política e voto em André Ventura
Entretanto, o empresário também abordou política sem reservas. Questionado sobre eleições, confirmou o seu voto em André Ventura.
“Na segunda volta votei Ventura, é verdade. E voto Ventura porque acho que se deve dar uma oportunidade às pessoas. Na minha opinião é isso que eu defendo. Se calhar daqui a três ou quatro anos vais-me dizer que ele é como os outros, ou ainda é pior que os outros. Mas acho que se deve dar uma oportunidade. Pagámos demasiado impostos para aquilo que nós temos em termos de saúde, educação, justiça.”
Imigração e valorização do trabalho
Ainda assim, fez questão de distinguir a sua posição em relação à imigração. Nas suas empresas, valoriza sobretudo o desempenho profissional.
“Nós temos nas nossas organizações estrangeiros, do Brasil, Nepal, Bangladesh. Devemos ter 30 ou 40 pessoas. São pessoas humildes que trabalham. Acredita que eu não quero saber da cor da pele, se é estrangeiro, se não é. Se é um bom trabalhador, ponto. Pessoal que gosta de trabalhar, pessoal humilde, siga para a frente.”
Identificação com Donald Trump e planos nos EUA
Por outro lado, revelou admiração por Donald Trump, destacando a sua postura empresarial.
“Eu identifico-me com ele porque eu acho que é uma pessoa corajosa, agora é um bocado louco também. Mas há coisas que eu arrisco e identifico-me com ele. Não concordo com muitas coisas que ele faz e que diz, como é óbvio, mas é um empresário que fez.”
Além disso, anunciou planos de ligação mais forte aos Estados Unidos:
“Eu há 15 dias atrás consegui os vistos para ser americano, eu, os meus filhos e a minha mulher. Comprei há dois anos uma casa em Miami. Identifico-me muito mesmo com o mindset deles, eu acho que se eu nascesse na América, eu acho que tinha 100 vezes mais do que tenho.”
Exposição, polémicas e acusações
Por fim, Celso Lascasas abordou a forma como expõe a sua vida nas redes sociais. O empresário admite que quer mostrar que o sucesso é possível.
“Eu acho que posso abrir aqui uma caixa de Pandora. Claro que eu não quero ser rico e passar por cima de toda a gente, ser arrogante. Não é nada disso e as pessoas que me conhecem sabem perfeitamente que eu não sou esse homem. Agora, não tenho problema em dizer isso.”
E acrescentou:
“Eu mostro para as pessoas verem que é possível, que eu fiz o meu trajeto e a minha vida é aquela, não há outra vida. Mas confesso que também gosto de mostrar, não, eu consegui, sofri, trabalho 12 horas por dia e está aqui o meu brinquedo.”
No entanto, revelou também ter sido alvo de acusações graves:
“Foi muito grave, a dizer que eu desviei 3 milhões de euros para os Estados Unidos porque comprei lá um apartamento, uma casa em Miami. Que, por exemplo, as coisas mais graves que ele disse foi que qualquer mulher que quisesse subir de posto no meu grupo tinha que ir para a cama comigo.”
Apesar disso, garante que saiu mais forte:
“Isto mostrou realmente a força do nome que eu tenho, tanto da empresa, do grupo, como o meu pessoal. Depois desta tempestade passar, o nome ficou intacto, aliás acho que o nome ainda ficou mais reforçado, porque as pessoas viram que esse tipo, essa personagem, era zero.”
Veja a entrevista AQUI.





