“Quantas Tribos” de Marta Dias chega às lojas em Fevereiro

“Quantas tribos” é o mais recente disco de Marta Dias, um “ regresso em origens, e um disco de convergências” que chega à lojas a 05 de Fevereiro.

 

Marta Dias, portuguesa que herda de Goa e de pai são-tomense, desde sempre se definiu por múltiplos. O seu historial prospectivo identifica-se por diversidades postas em jogo: elementos urbanos, contemporâneos e telúricos, saberes e sabedorias, intuições bem pensadas, sensualidade em equilíbrio com contenção, e intersecções musicais e humanas.

 

 

Foram plurais os caminhos percorridos pela cantora desde “Yue”, o álbum de estreia em 1997. O single “Gritar” tornou-se referenciável entre percursos então encetados na música portuguesa.

 

 

Ao segundo disco encontrava-se “Aqui”(1999), mas já projectava pontes improváveis de “Ossobó” a “Quase Fado”. E foi com o fado que Marta Dias correu mais mundo, cedendo-lhe o timbre mestiço e o jeito jazzy que guardou da escola do Hot Club de Portugal.

 

 

Mas se “Yue” invocava D. Dinis, “Quantas Tribos” convoca cinco poetas de São Tomé e Príncipe. Neste novo disco Marta Dias canta as ilhas perdidas na conjuntura dos séculos, como descritas por Alda Espírito Santo em “Ilha Nua” -um entre dez poemas que escolheu trazer para o palco da vida, num projecto pioneiro de homenagem a poetas de São Tomé e Príncipe.

 

 

Alda Espírito Santo, Conceição Lima, Fernando de Macedo, Francisco José Tenreiro e Maria Manuela Margarido já tinham escrito cada fragmento da narrativa ordenada por Marta Dias. De versos envoltos em insularidade e azul extenso, como em “O que está para além das brumas”, ao retrato alegre de menino ardiloso mas parcimonioso, de “O Vendedor”, passando pela languidez da colonial D. Joia, dona de tudo o que é triste, Marta Dias propõe uma visitação (en) cantada às ilhas dos verdes longos de “Socopé”.

 

 

Talvez faminta de irradiação humana, Marta Dias partilha canto com Carmen Souza em “Os Rios da Tribo” -onde encontra o título do CD- e com Kalaf em “Humanidade”. Com Carmen Souza enuncia nomes próprios oriundos das várias tribos são-tomenses, produzindo um divertido diálogo; com Kalaf dirige uma mensagem a esferas humanas sem corredores estanques.

 

 

Os dez inéditos compostos por Oswaldo Santos, compositor e guitarrista clássico são-tomense radicado em Londres – ilhéu na ilha- exibem uma paleta de sonoridades que evoluem do registo nostálgico ao exuberante, emergentes da sua interioridade insular e do manejo de ritmos são-tomenses, a que acrescenta o virtuosismo da guitarra, consolidando a identidade do disco. Marta Dias também se aventura na composição, colaborando em “No Dia Em Que Foste Embora”, “Corpo Moreno” e “Ilha Nua”.

 

 

Carlos Barreto Xavier tudo entendeu e articulou, ou não fosse já de décadas a cumplicidade de Marta Dias com o produtor cujo curriculum inclui colaborações com muitos projectos nacionais destacados, e com referências internacionais como Jonathan Miller (Wham/George Michael) ou Darren Allison (Skunk Anansie). As prestações de Yuri Daniel, Ruca Rebordão, João Frade e Costa Neto rematam a magnífica musicalidade que rima com os versos dos poetas de ”Quantas Tribos”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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