Sandra Correia: Uma fadista do norte, que tem “um namoro antigo” com Alfama, actua no Casino Lisboa

A Fadista Sandra Correia apresenta-se na quinta-feira pela primeira vez no Casino Lisboa, na Arena Lounge a partir das 23:00. Fomos tentar conhecer um pouco mais da fadista que nasceu no norte mas que tem um “namoro antigo” com Alfama, e para quem “Lisboa tem um cheiro diferente”.

 

Filha de um músico, desde muito cedo percebeu a sua paixão pela música, e em particular o Fado confessando-nos que “percebo que o Fado seria a minha vida, muito jovem, no entanto quando somos muito jovens temos muitas dúvidas, e eu nasci numa aldeia do concelho de Santa Maria da Feira, onde não há cultura de Fado, mas era ali que eu me sentia bem, quando ouvia Fado era quase como um alimento. Portanto nunca tive dúvida que seria aquilo que eu queria quando crescesse, não sabia se ia conseguir mas era aquilo que eu queria fazer”.

 

 

O Conjunto Nelly Correia, do qual o seu pai é o principal responsável, acompanhou toda a sua infância, “os ensaios aconteciam semanalmente lá em casa, eu vivi as digressões que eles faziam no verão” tendo portanto vivido “na musica desde sempre, não sei o que é viver sem música, não imagino sequer” até que aos 16 anos surgiu naturalmente o convite para integrar o grupo, algo que “aceitei de imediato obviamente” até porque “sabia todos os temas”.

 

 

Um dos seus primeiros grandes projectos ligado ao Fado surge no Porto quando integra o programa “Fado in Porto” nas caves do Vinho do Porto, um programa ligado à Rádio Renascença. Sobre este projecto a fadista confessa que “correu muito bem, à semelhança do que acontece aqui em Lisboa com o Fado in Chiado”. Ao final da tarde, todos os dias, “ eu e o outro fadista que trabalhava comigo, fazíamos uma viagem por toda a nossa cultura fadista. E resultou” disse antes de recordar que devido ao sucesso “fazíamos sessões extras por não haver lugar para toda a gente”, mostrando gratidão por este projecto ter-lhe aberto as portas para o “mundo inteiro me poder ouvir”.

 

 

A vinda para Lisboa acaba por ser natural, ao contrário do que pareça, sendo a fadista do norte, porque “Alfama é para mim um amor antigo, não sei explicar como mas é um amor antigo. Vivo cá há cerca de um ano e meio, fazia várias visitas a Lisboa e Lisboa tem um cheiro diferente, não sei se o cheiro se chamará Fado, mas provavelmente sim. Numa das visitas que fiz a Lisboa, surgiu um convite para cantar no Clube de Fado, onde estou actualmente, e aceitei de imediato” assume, antes de recordar que “já tinha actuado cá em algumas casas de fado, como “Adega Machado”, “Marquês da Sé”, “Bela, Vinhos e Petiscos” completando “portanto já cá tinha cantado algumas vezes, mas para trabalhar e ficar foi no Clube de Fado” disse com um brilho nos olhos.

 

 

Olhos esses que brilham ainda mais quando questionámos a fadista sobre as diferenças entre actuar numa casa de fado e numa sala de espectáculos mais comercial. Segundo Sandra Correia “actuar numa casa de Fado, e nesta especialmente, é ir de encontro a uma verdade que eu espero nunca se perder, com o tempo, com as novas influencias. Eu vou persistir e tentar andar sempre ligada ao Fado, portanto cantar nas casas de Fado é uma vivência que quero continuar a ter”.

 

 

Nestes espaços onde a tradição perdura, o sentimento nos arrebate, e o Fado acontece, “passa-se muita coisa interessante, era bom que o público em geral soubesse o que se passa nas casas de fado”. E para que isso aconteça é necessário a comunicação social “acreditar que esta é uma musica interessante, que esta é a nossa cultura e que temos que ter orgulho nesta musica” respondeu quando questionada sobre qual o papel que a imprensa teria em levar as casas de fado e o que lá acontece ao público, tal como faz com os restantes espectáculos.

 

 

Até porque nas Casas de Fado “há muito talento” e espera “que se leve isto a serio e se continue a trabalhar, não estagne esta nossa música, este poder e força enorme que é o fado” disse convicta.

 

 

O seu disco “Perspectiva” na sua opinião está a correr “muito bem”, confessando ser um disco em que o publico pode ouvir “muito fado tradicional, muitos originais” mas que é acima de tudo “a verdade da minha alma”.

 

 

Para além do concerto na sala lisboeta, a fadista tem já agendado outro para Estremoz, e está em negociações com uma ala em Leiria, sendo esperadas novidades em breve. Entretanto para quem quiser acompanhar o seu trabalho pode ouvi-la às segundas e quintas no Clube de Fado em Alfama ou acompanhar o seu trabalho através do Facebook.

 

 

Entrevista realizada em Alfama, no Restaurante “A Muralha”.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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