20 anos de Anjos “sempre com público do outro lado para nos ouvir”

João de Sousa/Infocul.pt

 

Na passada sexta-feira, o Campo Pequeno esgotou para celebrar os 20 anos de carreira dos Anjos, a dupla constituída pelos irmãos Nelson e Sérgio Rosado.

Antes de subir a palco, Nelson Rosado conversou com o Infocul sobre estes 20 anos e carreira e sobre o espectáculo no Campo Pequeno.

Começou por nos dizer que “o balanço é ultra, mega positivo. Fizemos sempre tudo o que quisemos fazer, sempre com público do outro lado para nos ouvir, porque caso contrário não conseguiríamos sobreviver, porque somos músicos profissionais”.

Recordou que “nunca deixámos de actuar! Estivemos alguns, destes 20 anos, sem gravar álbuns de originais, como vocês sabem, e algumas pessoas menos atentas achavam que tínhamos tirado uma licença sabática, mas nada disso. Nunca deixámos de tocar! E sempre com grandes espectáculos, saímos dos grandes palcos, porque não havia material novo e portanto não fazia sentido estar a fazer os grandes festivais ou grandes palcos como o Altice, os Coliseus ou o Campo Pequeno, mas de facto provavelmente isso aconteceu com um propósito”.

Explicando que “nós acomodámos-nos a determinada altura, porque os concertos estavam sempre cheios, andávamos a percorrer o país de lés-a-lés, andámos aprofundar os nossos conhecimentos sobre as nossas culturas e tradições, dos quais somos acérrimos defensores, e chegámos a hoje, com uma felicidade tremenda de ter de fazer um trabalho novo que nos traz de novo para os lugares primeiros dos tops de televisão, rádio, vendas. Sabíamos que ia correr bem, mas não estávamos à espera de tanto, mas agora estamos cá e vamos celebrar e defender esse lugar. Até porque marcamos uma geração!”.

Nelson Rosado disse-nos ainda quais os discos que, na sua opinião, mais arcaram este percurso.

Há vários! Eu vou-te dizer o primeiro, o ‘Ficarei’, que foi uma coisa estrondosa, até aos dias de hoje, os números que vendeu, as canções que extraímos daí. Depois destacaria o facto de termos sido a primeira banda, em 2002, a gravar um DVD. E porque é que digo que fomos a primeira banda? Porque havia uma outra banda, acho que os Silence 4, que gravaram em VHS e depois passaram para DVD. Na altura houve essa discussão com o manager da altura, mas eu disse que nós tínhamos feito logo em DVD, com toda a tecnologia, etc”.

Acrescentou, ainda, mais um disco, este álbum ‘Longe’, porque estava toda a gente à espera. ‘O que é que estes gajos vão fazer agora?’. Foi qualquer coisas de brutal. Em que o público questiona ‘Como é que eles se conseguiram reinventar?’ e a resposta é muito fácil: a música deu a volta e voltámos a uma pop mais electrónica do que acústica. E nós passámos por essas coisas todas sem descaracterizar o nosso som”.

Na passada sexta-feira, recordou que “vamos estar aqui a gravar o nosso 5º DVD ao Vivoe que “em principio também terá CD”.

Deste percurso, de 20 anos, destaca-se uma digressão em acústico, “os acústicos fazem parte do crescimento, num momento de maior introspecção, em que vais para teatro e despes as músicas. E foi fantástico. Era para durar um ano e durou dois”, recordou Nelson.

O último grande sucesso da dupla foi o tema ‘Eterno’, e Nelson explicou-nos toda a história por detrás do tema.

A música procede tudo aquilo que até nos nossos melhores sonhos poderíamos atingir. Para já a música nasce no casamento do Sérgio, aquilo são os votos do meu irmão para a minha cunhada. Depois houve pessoas que gravaram aquilo e colocaram na net. Aquilo torna-se viral. O Sérgio que tinha gravado aquilo para o filme de casamento dele, viu-se na obrigação de colocar um clipezinho como deve de ser. Aquilo teve milhões de visualizações. A nossa editora questionou-nos se não queríamos gravar aquilo porque estava a ser um grande sucesso. A minha cunhada ficou convencida, logo à primeira, e o Sérgio disse para eu ir para estúdio gravar aquilo. E eu disse-lhe ‘ Epá mas aquilo é a tua história de amor e eu vou cantar?’. Correu lindamente! Convidámos o Sant Dominic’s Gospel Choir, e é um momento icónico!

Após 20 anos de carreira, assumiu que “falta fazer tudoe que “já estamos a trabalhar em novas músicas”.

Haverá novidades em breve dos Anjos.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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