Duarte Nuno Vasconcellos sobre “Um ano sem ti”: “Quando li apaixonei-me logo pelo texto”

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Na entrevista ao produtor Duarte Nuno Vasconcellos, da qual publicámos ontem a primeira parte, questionámo-lo sobre o espectáculo “Um ano sem ti” de João Ascenso em cena no Espaço Escola de Mulheres, no Clube Estefânia em Lisboa. A preparação, as expectativas e o elenco. Duarte Nuno Vasconcellos respondeu a tudo e ainda deixou um convite ao público.

Duarte, a Buzico estreou na semana passada a peça “Um ano sem ti” de João Ascenso no Espaço Escola de Mulheres no Clube Estefânia. Como correu a primeira semana?

 

 

Correu extraordinariamente muito bem. Não só ao nível da afluência de público, mas mais importante, no feedback por parte do público. Eu costumo sempre dizer que um espectáculo teatral quando estreia deixa de ser nosso e passa a ser do público, portanto passa a ser de cada uma das pessoas que o vai ver. E o sucesso ou não de um espectáculo, para mim, é obvio que é importante o sucesso financeiro mas não o mais importante. O mais importante para mim é ver que as pessoas saem a gostar do espectáculo, a pensar no espectáculo e mais, com este espectáculo há uma grande percentagem de pessoas que sentiu necessidade de vir para as redes sociais dar a sua opinião, dar o seu contributo e visão do espectáculo. E até agora todas as opiniões, desde os mais entendidos na matéria até ao público normal (odeio usar esta palavra mas é mais fácil para identificar), tivemos reacções fantásticas. No final das representações temos tido sempre pessoas que ficam para falar, no dia seguinte há sempre um bom feedback nas redes sociais em que identificam a página da Buzico e dos actores, o que nos permite acompanhar esse feedback. Posso dizer que a um dia de fechar a segunda semana de espectáculos, na minha perspectiva de produtor e que espero conseguir dar algo de novo e interessante ao público, penso ser uma aposta ganha.

 

 

Enquanto produtor tu apostas em textos que fazem o público pensar. Tens noção que inicias 2016 com um texto brutal de um autor com uma sensibilidade impar para a escrita?

 

 

Nós fizemos “A noite do Choro Pequeno” de João Ascenso em Março [2015] e eu tinha tido acesso a este texto ainda no ano anterior, no final do ano. E quando o li apaixonei-me logo pelo texto dizendo que o queria produzir, mas devido a um conjunto de factores só agora se reuniram as condições para o levar a cena. Mas tal como dizia o João Ascenso no primeiro ensaio de leitura, espero não cometer nenhuma inconfidência, o espectáculo teve que esperar por este momento, por estes actores, para ser feito e portanto acho que a Buzico, modéstia a parte, começa 2016 em grande. Com um espectáculo que eu sempre quis produzir e que a todos os níveis conjugou um conjunto de coisas que são positivas, quer ao nível dos actores, equipa técnica, equipa gráfica, equipa de cenário, tudo se conjugou e principalmente o apoio fundamental da campanha de crowdfunding. Não estou a dizer que se não houvesse o apoio no crowdfunding o espectáculo não se fazia, pois sou suficientemente teimoso para o fazer, mas às tantas sem esse apoio não teria sido possível. Agradeço terem contribuído e apelo que continuem a contribuir não apenas para projectos da Buzico mas para todos os projectos teatrais.

 

 

Tu és um adepto dos ditados populares. Esta peça prova que “tudo tem o seu tempo”?

 

 

Tudo tem o seu tempo sim.

 

 

Como convidas o público a ir ver esta peça tendo em conta que tem vários ingredientes apelativos. Desde logo Pedro Barroso num personagem diferente do que as pessoas se habituaram a ver em televisão.

 

 

O Pedro Barroso é um actor que eu conheço há alguns anos e sempre soube a valia dele como tal. Não me surpreendeu em nada naquilo que executa na personagem nesta peça. Mas tenho noção que o grande público que só está habituado a vê-lo em televisão poderá não ter o alcance do quanto o actor Pedro Barroso é enorme. Arrisco a dizer que da geração dele é dos melhores, se não mesmo o melhor. Já lhe tinha dito isto antes mesmo de ter uma produtora ou mesmo antes de pensar produzir um espectáculo com ele. Tenho a ideia que o grande publico poderá não ter essa noção, mas quem vai ver este espectáculo sai verdadeiramente surpreendido com a prestação do Pedro Barroso.

 

 

Quais os restantes motivos para ir ver esta peça?

 

 

Os restantes actores [Isabel Guerreiro, Raquel Rocha Vieira e Ricardo Lérias]. Porque curiosamente os outros actores podem não ser tão mediáticos como o Pedro Barroso, ou porque não fazem tanta televisão ou porque não têm motivos na vida deles para terem um conjunto de imprensa atrás deles. Mas eu volto à frase do João Ascenso a seguir ao primeiro ensaio, conjugou-se o tempo certo, com as pessoas certas, para fazer o espectáculo certo. Foi agora. Tudo perfeito. O Pedro Barroso é mais mediático, mas não está num nível de representação superior ou inferior aos colegas. Nem os colegas em relação a ele. O meu convite às pessoas é venham ver bom teatro português, escrito por um autor português, representado por actores portugueses…

 

 

E produzido por portugueses…

 

 

E produzido por portugueses. Eu esqueço-me sempre de mim, às vezes criticam-me o facto de eu falar pouco da Buzico ou de mim, e eu acho que a razão pela qual a Buzico existe tem a ver na sua essência com o nosso lema “damos palco às suas paixões”, e portanto a razão da Buzico existir é poder proporcionar aos actores, autores, encenadores, às equipas técnicas, a possibilidade de colocar em cena coisas que não conseguiriam fazer, mesmo com muitas dificuldades. E isso até agora tem sido o que tem acontecido e tem sido gratificante. Quem tem que chegar ao público são os actores, os textos, as palavras do autor, não é a produção.

 

 

A peça encontra-se em cena até 28 de Fevereiro, às quintas, sextas e sábados pelas 21:30 e aos domingos pelas 17:00.

 

 

Agradecemos à Pastelaria Benard as facilidades concedidas para a realização da entrevista.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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