
O primeiro espectáculo da Companhia Mascarenhas-Martins, “Toda a gente e ninguém”, estreia no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida no dia 3 de Março, Quinta-feira, às 21:30.
Trata-se de um retrato da vida contemporânea, escrito a partir de observações do quotidiano, com encenação de Levi Martins. “Toda a gente e ninguém” estará em cena entre 3 e 5 de Março e os seus intérpretes são João Jacinto e Maria Mascarenhas.
“Eu hei nome Todo o Mundo e meu tempo todo enteiro, sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo”. “E eu hei nome Ninguém e busco a conciência”. Quando Gil Vicente escreveu o Auto da Lusitânia (1532), imaginou as personagens “Todo o Mundo e Ninguém”.
A sua interacção revelava, de forma simples, a oposição que existe entre estes dois conceitos gerais: “toda a gente” e “ninguém”. Foi a partir dessa mesma oposição que surgiu “Toda a gente e ninguém”, uma criação que coloca em cena três pares de personagens que se confrontam com aquilo que acontece no decorrer de um só dia.
O espectáculo de estreia da Companhia Mascarenhas-Martins, nova estrutura sediada no Montijo, parte da preocupação dos seus criadores em pensar que teatro pode fazer-se na actualidade, que consiga dialogar com as inquietações e o quotidiano dos espectadores.
“O que significa fundar uma companhia hoje? Qual o ponto de partida para um primeiro espectáculo? A tentativa de responder a estas perguntas levou-nos a um conjunto de premissas: queremos fazer teatro que tenha uma relação clara com a actualidade; queremos começar com um espectáculo que parta dos nossos pontos de vista e não de uma escolha de repertório; temos como objectivo contribuir para uma renovação do panorama artístico, acreditando que é urgente trabalhar para que não exista, da parte dos espectadores, qualquer tipo de desconfiança quanto àquilo que é a criação artística honesta; acreditamos ainda que é necessário libertar a arte de qualquer tipo de instrumentalização. Entendemos a criação artística como um gesto de liberdade” revelam em nota de imprensa.
Nota: apesar da alusão a Gil Vicente, este espectáculo não tem nenhuma relação directa com a sua obra.
A peça estará em cena de 03 a 05 de Março pelas 21:30. Os bilhetes têm um custo entre quatro a seis euros.
