A UAU apresentou, hoje, no Auditório dos Oceanos (Casino Lisboa) uma das grandes apostas para 2020. Contudo, este projecto integra as celebrações dos 30 anos da produtora.

A Peça Que Dá Para o Torto’ é, segundo Paulo Dias (Director da UAU), “a maior produção de sempre. Quer em termos de investimento quer em termos de produção”, segundo o que revelou numa conferência de imprensa na qual participaram ainda Nuno Markl (responsável pela tradução e adaptação do texto em português), Hannah Sharkey (encenadora), Frederico Corado (encenador residente) e todo o elenco.

Após um casting que durou 4 dias e em que participaram mais de 50 actores, a escolha final recaiu sobre 8 (e mais 4 suplentes). Segundo Paulo Dias, “os melhores que encontrámos”.

O formato a apresentar, a partir de 12 de Fevereiro, será em réplica show ou seja “toda a produção é internacional mas com actores portugueses”, explicou Paulo Dias. Acrescentou ainda que “comprámos os direitos do espectáculo (guarda-roupa, cenário, etc) mas os actores são portugueses por uma questão de identidade

O guião já está a ser lido pelos actores, o cenário estará pronto em Dezembro, altura em que se iniciarão os ensaios.

O elenco é composto por Alexandre Carvalho, Cristóvão Campos, Igor Regalla, Inês Castel-Branco, Joana Pais de Brito, Miguel Thiré, Telmo Mendes e Telmo Ramalho. O texto é de Henry Lewis, Jonathan Sayer e Henry Shields.

Paulo Dias,, director da UAU, em declarações ao Infocul disse que “s comprámos os direitos praticamente há um ano e meio, um bocadinho mais talvez, depois o primeiro tema a resolver foi a questão da tradução e era preciso encontrar alguém que entrasse muito bem dentro do espírito deste texto e convidámos o Nuno. O Nuno Markl aceitou, precisou do tempo dele para fazer a tradução. Depois houve algumas dúvidas, porque a peça é muito completa e toda ela a correr, com montes de coisas a acontecer em simultâneo e então a solução foi ele ir a Londres, portanto ele foi a Londres, fez a tradução e pronto a seguir partimos para o segundo passo que foi abrir as audições, inscreveram-se cerca de 58 pessoas numa primeira fase, foi preciso fazer uma pré-seleção, depois veio a encenadora inglesa, a Hannah, que esteve 4 dias em Lisboa e durante esses 4 dias todos vieram fazer o casting. Inicialmente 15 minutos a cada um e portanto foi uma correria brutal, a Hannah foi fazendo selecções e ao fim do segundo dia já tínhamos selecionadas 18 pessoas que passaram para o terceiro dia, e quando chegamos ao quarto dia já tínhamos este elenco que temos aqui. O elenco é constituído por 8 pessoas e depois temos substitutos, para o caso de se alguém se aleijar durante a peça, e a pergunta que se pode fazer é mas aleijar-se porquê? Porque realmente o cenário cai todo durante a peça e há probabilidade de algum deles se poder vir a aleijar e portanto todas as peças têm substitutos e nós temos 3 pessoas, dois actores e uma actriz que fazem vários papeis e que numa questão de urgência e de emergência estão prontos a substituir todos e mais alguns”.

A partir de Dezembro, existirão “dois meses de ensaios intensos de segunda a sábado, mas quando os ensaios começarem os actores já sabem todos o texto, que é uma das coisas que normalmente não acontece, mas neste projecto vai acontecer. O cenário está todo ele construído e o guarda roupa já está feito, porque ele já foi feito para a sessão fotográfica, ou seja, o que quer dizer que no primeiro dia de ensaios está tudo feito a ensaiar em pleno durante dois meses até à estreia”.

Revelou ainda ao Infocul que “estamos a falar num investimento que ronda os 500 mil euros, para estes seis meses de produção. Temos um gasto fortíssimo no cenário, porque realmente o cenário destrói-se todos os dias e as pessoas a dada altura vão perguntar como é que isto se monta e desmonta todos os dias? E a realidade é que está preparado para isso, montar e desmontar todos os dias. Isto foi um sucesso neste momento em Nova Iorque, em Londres, é um sucesso em Espanha onde estreou duas semanas e todos os países por onde isto passou tem sido um mega sucesso”.

Em cena, no Auditório dos Oceanos “temos previsto estar em Lisboa cerca de 5 meses. Até Junho e depois eventualmente mais um bocadinho caso a coisa esteja a correr bem”, explicou.

O encenador residente, Frederico Corado, falou também com o Infocul para nos revelar que “foram umas audições um bocado especificas porque foram 3 dias de trabalho com toda a gente e foram sendo retiradas várias pessoas. Mas foi muito interessante porque a Hannah não conhecia ninguém, portanto foi uma coisa muito democrática, porque ela não conhecia ninguém, e eu não influenciei o conhecimento dela de caras de televisão, de pessoas mais conhecidas… eu chamei pessoas desde a revista, ao teatro independente, à televisão, ao teatro amador, chamámos pessoas de todo o lado, e formámos um grupo muito interessante com pessoas muito diferentes e de várias áreas, e muitas pessoas possivelmente não tinham possibilidade de chegar a espectáculos destes. Este grupo é muito diferente, não é o grupo do costume, não são as caras que costumamos ver. Há pessoas que normalmente fazem comédias deste género, como a Inês Castel-Branco…mas depois temos pessoas que normalmente não se vê, algumas caras que não são conhecidas e são as pessoas ideais para os papeis que eram, houve muita gente que tivemos pena de perder pelo caminho, mas estas eram melhor para aquele papel. Fomos escolhendo, escolhendo, os últimos dias foram tenebrosos para nós, porque foi uma escolha muito difícil, mas estes foram os ideais”.

Sendo este um sucesso internacional, “o maior desafio é perceber é se conseguimos fazer um projecto desse género cá para que ele resulte, o nosso cunho pessoal é tentar perceber o que se pode colocar de Portugal aqui, é uma peça tipicamente inglesa, é um crime de mistério, Agatha Christie o mais possível”.

Alexandre Carvalho interpretará um técnico de som, fã de Duran Duran, e revelou-nos que “o casting foi muito produtivo e foi uma espécie de masterclass e isso para qualquer actor é muito benéfico poder trabalhar com outras pessoas e para mais trabalhar com pessoas que não são portuguesas, que têm outra dinâmica teatral e que vêm de outra cultura”. Acrescentou que o seu personagem será “Fanzaço de Duran Duran” e que “ainda não comecei a ouvir, a verdade é que conheço algumas musicas, as mais conhecidas, mas terei que as ouvir”.

Desvendou ainda que “já tive acesso ao texto e vou dizer uma coisa, eu já fui ver o espectáculo a Londres e os meus colegas não. Eu fiz trabalho de pesquisa ainda antes de saber que iam existir os castings aqui. Eu tenho a peça em inglês, a peça em português ainda não a tenho”.

Sobre a adaptação deste espectáculo para Portugal, explicou que “acho que esse é o principal desafio de qualquer espectáculo que normalmente é feito quase a 100% como lá fora, o grande desafio sempre é o adaptar. Eu tenho a sorte de fazer muitas dobragens e nas dobragens acontece muito isso, há muitas piadas americanas, ou inglesas ou de outros países que em Portugal não funcionam e há sempre uma adaptação e acho que vai ser isso, vai ser o adaptar a uma realidade portuguesa. Esperamos que o público goste e que se reveja no espectáculo, e que não pense que é um espectáculo britânico em Portugal, mas que é um espectáculo português em Portugal”.

Os bilhetes já podem ser adquiridos na Ticketline e há descontos (até 1 de Dezembro) de 50% para as sessões entre os dias 12 e 16 de Fevereiro, bastando para isso inserir o código UAU30anos no checkout (momento da compra).

The Play That Goes Wrong’ estreou há 5 anos em Londres e já correu mundo. Os prémios acumulam-se, entre Tony, Olivier e Molière.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6399 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.