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O Caixa Ribeira teve este sábado, 04 de Junho, o seu segundo e último dia da segunda edição. No total dos dois dias passaram pelo festival 8500 espectadores, números da organização, que viu ontem Gisela João, Jorge Fernando e Raquel Tavares destacaram-se.

Pelas 20:45, passavam alguns minutos, subiu a palco na sala 2 do Hard Club, a fadista nortenha Sandra Correia. A fadista residente no Clube de Fado em Lisboa esteve segura cantando com a alma e o sentimento que são característicos nas suas actuações, podendo nós destacar a interpretação de “Eu já não sei”. O público preencheu grande parte da lotação da sala. Lamenta-se apenas que os espectadores tenham insistido em tirar muitas fotografias com flashes ligados.

 

 

No Salão Árabe, no Palácio da Bolsa, havia uma longa fila de espera na porta e uma plateia esgotada para ver e ouvir Hélder Moutinho que em palco acompanhado por Ricardo Parreira, Marco Oliveira e Ciro Bertini esteve em plano de destaque tanto na interpretação de alguns fados tradicionais mais conhecidos do público como nos temas do seu mais recente disco, “O manual do coração”.

 

 

Um pouco mais tarde subiu a palco na Sala das Nações, também no Palácio da Bolsa, a jovem fadista Sara Correia. Com um poder vocal foi prejudicada pela acústica da sala. Mas em conjunto com os seus músicos agarrou o público que não regateou aplausos nas interpretações de fados como “Eu já não sei” ou “Porque teimas nesta dor”.

 

 

Saindo do Palácio da Bolsa, fomos novamente à sala 2 do Hard Club. Subiu pouco depois das 22:00 a palco a fadista ribatejana Teresa Tapadas que tinha à sua espera bastante público. “Lisboa menina e moça” ou “Bailado das Folhas” foram alguns dos fados em que demonstrou toda a sua doçura na voz que sabe modelar, dando a intensidade certa a cada palavra por si cantada. Simplicidade e correcção são dois dos adjectivos das suas actuações.

 

 

Um dos concertos que mais expectativa gerou neste segunda edição foi o de Simone de Oliveira na sala 1 do Hard Club. Acompanhada por músicos de excelência, entre os quais Nuno Feist no piano, um dos nomes maiores da cultura portuguesa desfez-se em elogios ao Porto, às suas gentes, aos seus músicos… Depois de um medley instrumental bem executado, ouvimos um “Porto Sentido” na voz de Simone, que com esse tema agarrou o público desde inicio. A sua voz não denotava cansaço, mas sim a intensidade e carga dramática que imprime em todas as suas actuações.

 

 

Nesta edição o Caixa Ribeira preparou uma surpresa para o público do norte e ofereceu, visto ser de acesso livre, um concerto com Gisela João na conhecida Praça do Cubo. Com Gaia e o Douro como pano de fundo, Gisela esteve igual a si própria, ou como dizia algum do público presente: “esta miúda arrebenta com isto”. Com uma naturalidade espantosa em palco percorreu alguns dos temas mais conhecidos da sua carreira, viajou pelo fado tradicional, sendo que o folclore também não faltou. Gisela cantou, bailou e encantou as gentes do Porto, as suas gentes.

 

 

Com a multidão que se encontrava a ouvir Gisela João, deparámo-nos um pouco depois com muito pouco público no concerto de Jorge Fernando no Palco Caixa. Mas um um dos nomes maiores do fado soube conquistar o público presente e ainda viu até ao final do espectáculo o recinto compor-se sem contudo encher. Com uma carreira recheada de êxitos, não teve nenhuma dificuldade em conquistar o público que conhecia as suas letras. “Rosas Brancas”, “Chuva” ou “Quem vai ao fado” foram alguns dos mais aclamados pelo público que viu ainda ser chamado ao palco Miguel Ramos que emocionado cantou um tema e agradeceu ao “meu padrinho que é o maior”.

 

 

O concerto que fechou esta segunda edição do Caixa Ribeira pertenceu a Raquel Tavares que subiu a palco com uma hora de atraso. A fadista de Alfama esteve como habitualmente a um nível alto e foi bem recebida pelo público. Mas devido à hora tardia ainda antes do concerto terminar, vimos muito público abandonar o recinto. Apresentando o seu mais recente disco, “Raquel”, a fadista merecia mais público mas foi claramente prejudicada pelo excessivo atraso no inicio do seu espectáculo.

 

 

Actuando na cidade do Porto, Raquel não deixou de homenagear a sua maior referência, também ela natural do Porto, Beatriz da Conceição. O público gostou do gesto e aplaudiu efusivamente.

 

 

O segundo dia de Caixa Ribeira foi claramente prejudicado pelos atrasos que ocorreram nos concertos, algo que os artistas deverão rever, pois estando num festival terá que se ter um pouco mais de consideração pelos colegas e pelo público. Iniciar o último concerto às 00:45 é no mínimo surreal.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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