Adriana Lua: “Dois temas que eu não me pronuncio, política e religião. Apenas posso dizer que lamento as condições do meu país”

Mulheres’ é o mais recente disco de Adriana Lua, que saiu no final de 2019, contando dedicado às mulheres, em particular a várias cantoras de renome do Brasil. A cantora brasileira concedeu entrevista ao Infocul para falar sobre o disco.

Neste disco, com produção a cargo de Valter Rolo e Lino Guerreiro, Adriana Lua canta clássicos eternizados por Alcione, Marisa Monte, Elba Ramalho, Rita Lee, Maria Bethânia ou Elis Regina.

Do alinhamento constam, entre outros, “Ainda bem”, “Mania de você”, “Olhos nos olhos”, “Chuva de prata”, “Não me deixe só”, “De volta para o meu aconchego” ou “Romaria”.

As ‘Mulheres’ que dão nome ao disco são “mulheres que me inspiraram desde de muito nova com suas vozes e letras marcantes”, começou por nos dizer.

A escolha de reportório foi “bastante difícil, pois além de ter ainda outras cantoras que eu gostaria de ter homenageado, as que estão nesse álbum tem tantas músicas lindas que não foi fácil. Mas quase todos são músicas que marcaram a minha vida em algum momento”, antes de revelar que são “muitos”, os temas que lamenta não ter neste disco.

Embora o seu percurso enquanto cantora conta já com vários anos, Adriana Lua revelou ao Infocul que o “meu sonho era ser enfermeira nas forças armadas”, não evitando as gargalhadas.

Mas na música não se escusa a revelar as suas referências. Começa por admitir que “tenho várias, porque gosto de todo tipo de música”, mas destaca “três mulheres que me inspiram bastante, cada uma de forma diferente: Ivete, Alcione, Beyoncé”.

Questionada sobre qual o artista com quem gostaria de fazer dueto, caso tivesse oportunidade, explicou-nos que “tenho muitos cantores q gostaria, mas com certeza um dueto com Ivete seria algo maravilhoso”.

Uma das marcas, muito positivas, deste disco é a produção de Valter Rolo e Lino Guerreiro. Sobre esta escolha justificou-a com “o dia em que os conheci, o meu coração disse sim, é com eles que eu quero trabalhar”.

Acrescentou ainda que “realmente são dois mestres, que eu tive a honra de conhecer e trabalhar com eles, acho que a grande marca deles nesse meu trabalho, aos meus olhos, é de como eles conseguem fazer algo com tanta simplicidade e grandeza ao mesmo tempo. Eles são maravilhosos!!!

Neste disco contou ainda com “Gravação e Misturas: João Portela; Masterização: Sassa Nascimento; Piano, Rhodes, Hammond, Sonoplastia: Valter Rolo; Bateria: Vicky Marques, Baixo, Contrabaixo: Xico Santos; Flauta, Saxofones alto, Tenor, Baritone: Lino Guerreiro; Percussão latina: João Português; Guitarras Eléctricas, Acústica, Nylon: Paulo Rosa; Acordeão: João Frade; Violino: Romeu Madeira (Concertino), Ana Pereira, José Pereira, Carolina Damásio; Violas: César Nogueira, Joana Cipriano; Violoncelo: Carolina Rodrigues, Ana Hespana; Contrabaixo: Romeu Santos; Maestro: Lino Guerreiro”.

De todo o alinhamento, revela-nos que o tema que mais a emociona é ‘Olhos nos olhos’, “o primeiro single do trabalho”.

Actualmente, considera que “a música Brasileira já foi mais ouvida em Portugal, mas penso que tudo tem o seu tempo”. Quando questionada sobre a expressão ‘países irmãos’, de Portugal e Brasil, considera que somos mesmo irmãos mas acrescenta que “só posso responder por mim”.

Dois temas que eu não me pronuncio, política e religião. Apenas posso dizer que lamento as condições do meu país”, disse-nos sobre o actual estado do Brasil. Nem mesmo quando questionada sobre Regina Duarte como Ministra da Cultura alterou a postura: “Como disse, não falo sobre política”.

Sobre o disco, disse ainda que “a apresentação do álbum ‘Mulheres’ foi feita na Fnac do Colombo. Neste momento está a ser programada uma tour pelos auditórios do país”, acrescentando que “não tenho nenhum lugar especial onde queira actuar. Quero apresentar o meu concerto onde houver público que goste da minha música, isso é o mais importante para mim”.

Vivam cada dia como se não houvesse amanhã. Se num momento das vossas vidas a minha música estiver presente, que ela transmita para vocês toda a verdade que existe neste trabalho… Amor. Obrigada ao infocul!”, disse numa mensagem dedicada aos nossos leitores.

O disco foi editado pela Full Of Stars.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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