Alcides: “Devido à doença, aos 18 anos, foi-me impossível pensar numa carreira musical (…)”

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No próximo dia 26 de Novembro o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém recebe um espectáculo que celebra a reedição do único disco de Alcides, cantor cabo-verdiano.

 

 

Este disco histórico editado em 1996, foi o único que Alcides editou. Um tumor no cérebro retirou-lhe a audição e travou uma carreira que muitos auguravam com bastante sucesso. Contudo o seu disco é considerado um dos mais importantes da música de Cabo Verde.

 

 

No dia 26 de Novembro subirão a palco no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém os artistas: Ana Firmino, Celina Pereira, Dany Silva, Dead Combo, Dino D’Santiago, Lucibela, Luiz Caracol, Maria Alice, Mário Marta, Rui Veloso, Sara Tavares, Tito Paris entre outros.

 

 

Numa antevisão ao espectáculo e também num balanço do seu percurso artístico, o Infocul entrevistou Alcides.

 

A paixão pela música “nasceu comigo. Tornou-se maior, devido à sorte e privilégio do meio musical em que cresci” começou por nos revelar, acrescentando “ nunca decidi fazer carreira. Devido à doença, aos 18 anos, foi-me impossível pensar numa carreira musical, Mas mesmo antes, não era pensamento meu cantar, interessava-me mais a composição e os arranjos musicais” quando o questionámos sobre a reacção do seu pai, o conhecido Bana, à sua entrada no mundo da musica. 

 

 

Confrontado com a opinião de o seu disco ser um dos mais importantes da música de Cabo Verde, revela que “fico contente que o sintam dessa forma, e que o tenham como uma das referências no magnifico historial da musica de Cabo Verde. Mas não podemos esquecer do trabalho de produção musical do Paulino Vieira, que nos habituou a fazer magia”.

 

 

O facto de ser filho de Bana, não lhe trouxe maior responsabilidade quando entrou no mundo da música até porque “como acima digo, nunca decidi ser cantor. Este trabalho é o resultado de termos entrado em estúdio, sem qualquer compromisso de carreira, e por isso nos entregarmos a explorar algumas ideias que nos faziam sentir bem ao realizar a gravação” antes de acrescentar que “se existe responsabilidade, em relação ao Bana, é de todos os executantes da musica de Cabo Verde. Devido ao padrão alto da sua execução, deu aos artistas de Cabo Verde uma bússola para se orientarem”.

 

 

O espectáculo no CCB “não é uma homenagem” diz-nos. “Esta reedição era para ser apresentada de uma forma mais singela. Convidei alguns amigos (músicos e cantores) para interpretarem os temas numa apresentação. E conforme a “família” ia sabendo, queriam participar também. Será sim um encontro de pessoas que gostam de tocar juntos, e fazer uma festa” complementa.

 

 

“ Vim com os meus pais para Lisboa aos 4 anos. Apesar de ter crescido em Portugal nunca deixei de sentir, também, Cabo Verde. Tenho sorte, em vez de um tenho dois países” remata, confessando-nos a sua ligação a Portugal e da importância do nosso país para si.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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