Alex e ‘Lei Animal’: “Arrepiei-me a cantar enquanto gravava”

 

 

 

Alex, a voz do projecto Lado Esquerdo, apresenta o seu primeiro single em nome próprio, “Lei Animal”, e em entrevista ao Infocul dá a conhecer um pouco mais a mensagem que pretende transmitir e do caminho que quer trilhar.

 

 

Este tema, composto pelos Xutos & Pontapés em 1992, é agora reinventado e no qual a guitarra portuguesa ganha destaque. Este tema integra o primeiro disco que terá como nome “Bruto”.

 

 

O que tentas transmitir com este “Lei Animal”?

Chamo pelo lado animal das pessoas, que tem fome e é quente, que tem vontade, que tem desejo, que é livre, que é animal. A música foi composta em 1992 pelos Xutos & Pontapés. O que fiz foi uma reinvenção da sonoridade, de abordagem (muito marcada pela guitarra portuguesa) a remeter para as palavras, para o tal imaginário animal. Acredito que a racionalidade está por cima da irracionalidade, e se está por cima, quer isso dizer que a nossa base é irracional – somos então em primeiro lugar animais, depois disso somos pessoas. Não quero que as pessoas reflictam sobre as nuances (incontroláveis) da sua animalidade, mas que as sintam, que ouçam a música e que vejam a passar à frente dos olhos o lado animal que as define.

 

 

Como têm sido as primeiras reações das pessoas?

De surpresa, principalmente. É um novo mundo onde me encaixo e tenho as pessoas a dizer “vai em frente, mostra-me mais, era disto que estava à espera, finalmente”! Parece que estão a replicar o que senti em estúdio. Foi uma das músicas que criou maior sensação logo quando eu e o Lino Lobão (produtor e técnico do estúdio) ouvimos o que o João Martins explorou na guitarra portuguesa. Arrepiei-me a cantar enquanto gravava, nunca me tinha acontecido. A versão teve a aprovação dos Xutos, o que me enche de orgulho.

 

 

Declaras que a música é a tua melhor amiga, foi este o ponto de partida para esta etapa?

A música foi sempre a minha melhor amiga. O meu refúgio, a minha expressão, o meu palco, a minha criatividade. Esta é a base, a estrutura que suporta os desafio que me proponho a percorrer, como é o caso deste. Tenho a noção que é um desafio com alguns olhares especialmente atentos pelo facto de surgir em nome próprio, a solo. Estou munido de uma adrenalina muito positiva para apresentar as músicas às pessoas, com a inocência e expectativa que me definem pela criança que nunca deixei de ser, que nunca deixou de sonhar.

 

 

O que já pode ser revelado sobre as ideias base do álbum “Bruto”?

Um lugar, um lugar meu que pelas palavras, pelas emoções, sensações e pelas músicas me define. Sete canções, cinco delas originais que abrem um caminho que é novo para mim. Não preciso de saber para onde vou, só tenho que ir em frente. Não tenho que pensar naquilo que vou dizer, só tenho que falar. Não tenho sequer que acreditar em mim, basta-me ser eu próprio.

 

 

O nome do álbum retrata a temática das canções que apresentas, a forma como as apresentas, ou o teu estado de espírito?

Tudo isso articulado, mas com um sublinhado no estado de espírito. Um estado de espírito que agarrei logo na gravação em estúdio, nas fotografias, naquilo que comecei por dizer às pessoas. Bruto não num sentido rude, mas natural, direto e acima de tudo autêntico. Aquilo que que vou cantar e partilhar são os meus valores, a minha atitude, os meus sonhos. Não sei se são os melhores, certamente que não, mas são os meus.

 

 

 

O projecto Lado Esquerdo terá novidades em breve?

Quando chegar o momento, sim, terá novidades. Não tenho a capacidade nem o desejo de sozinho apagar o que aconteceu, e navegar noutro lugar. Fundei e dei rumo ao Lado Esquerdo sempre rodeado de companheiros, convidados, profissionais e audiências que moldaram a vida musical e artística do projeto. O resultado disso foram dezenas de concertos, de músicas e de histórias que por si só compõem o passado e o presente da banda. Esse passado merece um futuro.

 

 

 

Onde pode o público interagir contigo?

Até aqui, no facebook e no instagram. Daqui para a frente e muito em breve, espero, ao vivo pelo nosso Portugal!

 

 

Qual a importância das redes sociais no teu trabalho?

A importância natural que atingiram na vida de um projecto artístico, nos dias de hoje. Dependendo obviamente das vontades do artista, essa importância pode atingir um papel activo por parte das pessoas no projecto. Eu estou disposto a isso, mais do que difundir e dar a conhecer as músicas, quero comunicar e aprofundar a minha/nossa comunidade. Na prática isto traduz-se em arrancar com o imaginário que criei como ponto de partida, e deixá-lo crescer, fazê-lo evoluir em construção conjunta com as pessoas. Isso está a acontecer.

 

 

Como imaginas o futuro e o caminho deste trabalho, o que podemos esperar?

Além do foco no presente, estou focado em não criar expectativas. Gostava de levar as músicas do “Bruto” a vários lugares. Não ambiciono palcos grandes, isso não está sequer na génese deste projecto. Gostava de pisar palcos especiais, diferentes. Quero poder cantar e partilhar os momentos que se seguem com músicos extraordinários como o João Martins, que elevam as canções ao céu. Gostava de conceber um concerto que se concentra naquilo que vou dar e receber das pessoas.

 

Fotografia: Guilherme Martins

 

 

 

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