Alice

 

No Pavilhão 30 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, Júlio de Matos, está em cena a peça “Alice- O Outro lado da História”. Uma peça arrebatadora, visceral, intensa e que deixa o espectador totalmente diferente de quando ali entrou.

 

 

 

Teatro numa Unidade Psiquiátrica. Uma peça em que o espectador faz também parte da história. Um texto intenso, bem escrito, e ainda melhor encenado. Interpretações de grande qualidade por parte do elenco, destacando-se Isabel Guerreiro, Sofia Nicholson e João Bandeira… Tudo isto pode ser dito sobre a peça à qual o Infocul ontem assistiu.

 

 

Todos conhecemos a história de Alice no País das Maravilhas, uma história bonita e de encantar. Mas a bYfurcação apresenta agora no Pavilhão 30 do Júlio de Matos a história por detrás do mundo encantado, a história que todos desconheciam e que a partir de agora além de a conhecerem podem também participar nela.

 

 

O espectador começa por ser recebido com chá quente e bolinhos secos. Tem uns minutos para apreciar a exposição que está patente no pavilhão até um sino tocar e serem dadas as indicações para um bom usufruto do espectáculo. A história remete-nos para o Século XIX, em Inglaterra. Inicia-se com um julgamento após uma queixa apresentada contra Mr. Dogson, Lewwis Carroll, com base em especulações/testemunhos, de que poderá ter tido um caso com Alice.

 

A partir deste momento, a acção e a narrativa desenrola-se ao longo de vários espaços do pavilhão e o público vai circulando de acordo com as indicações que vai recebendo. Por entre factos e ficção este texto da autoria de Paulo Ferreira atinge momentos geniais. O espectador está constantemente agarrado à história e é arrebatado pela verdade interpretativa do elenco. O momento mais dramático e intenso acontece no hospício  (da peça). O que será que acontece lá? Será que somos todos colocados num colete de forças?

 

 

Não revelamos, apenas podemos dizer que aconselhamos que vejam esta peça, que vão bem agasalhados (há momentos em que um frio de rachar vos fará lembrar de agasalhos, caso não os levem), deixem-se levar e aplaudam efusivamente a interpretação de todos estes actores.

 

 

Destacamos Sofia Nicholson pela dupla maquiavélica que interpreta (como mãe de Alice e dona do Hospício), e que o faz de forma brilhante proporcionando uma contracena incrível aos seus colegas de palco. Isabel Guerreiro é Alice e surpreende pelo sentimento, pela verdade e pela forma como leva o espectador ao coração de Alice, dando a conhecer os seus sonhos, medos, pensamentos e tudo o que faz parte da consciência de um ser humano. Num elenco de qualidade, destacamos ainda João Bandeira: um Actor com “A” maiúsculo. Reparem em todos os seus movimentos, na sua linguagem corporal, no seu olhar, na sua dicção e irão perceber porque vos digo isto.

 

E se a peça tem como cenário base e acção principal, o julgamento dirigido pelo Juiz Presidente, garanto-vos que em todos os momentos terão que estar bastante atentos, porque tudo pode acontecer. Assistam a esta peça de coração aberto, mas nunca perdendo a racionalidade. Sejam equilibrados num constante vaivém de emoções que vos são transmitidas.

 

 

E no fim, aqueçam-se com uma ginja em copo de chocolate e comem um pouco de bolo.

 

“Alice- O Outro lado da história” conta com texto de Paulo Ferreira, encenação de João Ascenso (extraordinária) e com um elenco composto por Filipe Albuquerque, Gonçalo Romão, Isabel Guerreiro, João Bandeira, Laura Barbosa, Patrícia Duarte, Paulo Miguel Ferreira, Ricardo Lérias e Sofia Nicholson. Não podemos deixar de destacar a cenografia, é de extremo bom gosto e da autoria de Flávio Tomé que assina também os (maravilhosos) figurinos.

 

 

A peça está em cena no Júlio de Matos e conta com sessões esgotadas até dia 18 de Fevereiro. Pode adquirir bilhetes para as sessões de 23, 24 e 25 de Fevereiro através da Ticketline.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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