Sala Cheia! Centenas de pessoas! 20 anos de carreira! Uma noite intensa, longa e com vários convidados. A noite de Ana Lains. Foi esta sexta-feira, 31 de Janeiro, no São Preto e Prata, no Casino Estoril.

Uma noite em que Ana Lains percorreu um pouco da sua discografia, do seu percurso, da sua vida. As lágrimas que por várias vezes teimaram em cair, são sinal da luta que tem travado ano após ano, disco após disco, espectáculo após espectáculo.

Ana Lains é uma cantora diferente, um prolongamento da mulher. Um furacão emocional, uma genica imparável. Em palco contou com 6 músicos: Paulo Loureiro (Piano e direção musical), Carlos Lopes (Acordeão), Bruno Chaveiro (Guitarra portuguesa), Hugo Ganhão (Baixo), João Coelho (Bateria) e João Ferreira (Percussão).

Como convidados teve, sem surpresa, e de acordo com o anunciado: Luís Represas, Ivan Lins, Mafalda Arnauth, Fernando Pereira, Silvestre Fonseca, Fernando A. Pereira (trovador), Grupo Cantares de Évora e Adufeiras de Idanha-a-Nova.

Timbre único, voz qualitativamente superior e que sabe usar, potenciando as qualidades e defendendo-se dos defeitos, o canto de Lains é o canto de uma mulher que almeja e luta pelo sonho, pelos ideais em que acredita. Uma mulher de futuro mas com tradição. Uma mulher que entregou a sua vida à arte e que através da arte quer tocar outras vidas. Mais do que a definição de Ana Lains, é esta a imagem que me fica do espectáculo de ontem.

Eu não sei explicar o que estou a sentir. Eu não vou explicar o que estou a sentir”, disse, acrescentando que queria demonstrar o “Orgulho imenso em ser portuguesa”. Recordou que “Eu sonhei tanto com este dia” e deixou um agradecimento, “Obrigado por estarem aqui”. Lembrou ainda que “este concerto está a ser gravado para sair em disco”.

Ao longo do espectáculo, e enquanto lutava pelo conforto e por se manter calçada e com o vestido completo, foi deixando várias mensagens. Numa delas, na valorização da verdade, serviu de introdução ao tema “A verdade da mentira” (Sebastião Antunes e Paulo Loureiro).

Fez forte e sentida homenagem a Zeca Afonso, interpretando vários temas, e contando com dois dos convidados: Fernando Pereira e Fernando A. Pereira.

Depois prestou sentidas palavras a Diogo Clemente, que foi o produtor dos seus primeiros dois discos, que marcou presença na plateia. Interpretou “Quatro Caminhos” e “Roseiral” com dedicatória a uma das pessoas mais importantes deste seu percurso.

Com o Grupo Cantares de Évora destacou-se o tema ‘Pêra Madura’, com Silvestre Fonseca o tema ‘Eu’, com Represas o tema ‘Não sei que desgosta’ e o improvisado ‘Feiticeira’ num momento extraordinário. Momentos a ressalvar ainda com Mafalda Aranauth, Ivan Lins e Adufeiras de Idanha-a-Nova.

Para o final do espectáculo ficou sentida homenagem a Dulce Pontes e os habituais agradecimentos.

Lains teve uma noite longa e com qualidade, a que sempre lhe foi reconhecida mas nem sempre valorizada.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Carlos Pedroso

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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