Ana Ventura: “Mais do que histórias, aquilo que está nestas páginas são os verdadeiros Xutos”

‘À Minha Maneira’ é o livro que promete deixar em êxtase os milhares de fãs dos Xutos & Pontapés. É a biografia, contada pelos cinco elementos da banda, e com assinatura da jornalista Ana Ventura.

40 anos de carreira têm em si muitos quilómetros, muitos palcos, muitos sorrisos, algumas lágrimas e um percurso único no panorama musical português e é isso que este livro nos vem dar a conhecer através dos elementos da banda.

Ana Ventura, em entrevista ao Infocul, contou-nos todo o processo que a levou a este trabalho e também a falar um pouco sobre a banda a que, quase, nenhum português fica indiferente.

Quando surgiu a ideia desta biografia e quanto tempo demorou toda a sua concepção?

Pode parecer muito tempo mas, entre a ideia do Zé Pedro – “porque é que não fazes uma nova biografia dos Xutos?” – e a edição do primeiro volume desta obra, dista uma década. Claro que não levou 10 anos a ser concretizada mas foi preciso pensar como contar esta história da forma que ela merecia ser contada. E, como é agora evidente, colocar os próprios Xutos a contá-la.

Colocar os elementos da banda a falar sobre o percurso foi fácil?

Foi muito fácil porque passou por fazê-los recordar os caminhos que os levaram até aquilo que eles são hoje: com tudo o que acarreta de romântico e de trágico, de sonhador e de empreendedor.

Acabamos por ter cinco perspectivas distintas mas que acabam por se complementar. Esta ideia é correcta?

É a mais correcta das ideias e um dos objectivos desta biografia. A verdade é que, sendo cinco personalidades distintas, cada um destes elementos viveu uma mesma história de forma ímpar. Diria que esta é uma das maiores cores deste livro.

A Ana é jornalista. Pergunto se é, também, fã dos Xutos?

Respondo a esta pergunta com outra pergunta: alguém não é fã dos Xutos?

Com muito anos de estrada e várias horas em palco, o que é que os Xutos descobriram sobre si próprios com esta biografia?

Podendo ser parcial, diria que cada um deles (re)descobriu aquilo que os motivou no início, aquilo que os fez acreditar que era possível e, acima de tudo, compreendeu o verdadeiro amor que sempre os uniu.

Houve momentos em que se emocionou ao longo deste processo? Algum que queira contar-nos?

Ainda que havendo momentos emotivos neste primeiro volume, diria que as grandes tribulações estão reservadas para o próximo.

Qual a história que mais a surpreendeu, de todas as que aqui são contadas?

Há pormenores incríveis que podem ser encontrados ao longo destas páginas: dos detalhes da festa em que deram os primeiros concertos às memórias do Rock Rendez Vous, das dificuldades em conseguir chegar ao grande público à euforia do sucesso… Saber que houve quem quisesse mudar-lhes o nome, quem tivesse atirado discos pela janela do carro, quem tivesse chorado depois de alguns concertos… Esta é uma história deles mas com a qual todos nos conseguimos identificar.

Considera que o povo português atribui a verdadeira dimensão aos Xutos, dada a importância que têm para a música portuguesa?

Quando os Xutos se tornaram, há muito, uma verdadeira instituição, aplaudidos pelo público e reconhecidos pelo Estado, acho que não restam dúvidas que são verdadeiramente incontornáveis.

A biografia intitula-se ‘À minha maneira’. Qual é a maneira dos Xutos?

É a boa maneira do rock – com a música a correr nas veias e o coração a bater mais forte. Se é que tal é possível.

Haverá um segundo volume desta biografia? Para quando está previsto?

Com tanta história (ainda) por contar, o segundo volume está previsto para o final do próximo ano.

Para quem não a conheça, quem é Ana Ventura e quando surgiu esta ligação aos Xutos?

O meu primeiro contacto com os Xutos aconteceu quando ainda era estagiária no (então) jornal BLITZ. De lá para cá, cruzámos-nos em páginas mas também na vida. Na muita vida que vivemos juntos.

Se a sua vida fosse uma música, qual seria o tema dos Xutos?

Sendo eu jornalista e com a responsabilidade de narrar a existência dos Xutos, só podia escolher uma canção: “Conta-me Histórias”.

Como define todo o percurso dos Xutos?

Não dá para fazê-lo só com uma palavra. Diria que é incrível e irrepetível, emocionante e apaixonante. Eterno.

O que podem os fãs dos Xutos encontrar neste livro?

Mais do que histórias, aquilo que está nestas páginas são os verdadeiros Xutos. Não se podia pedir mais.

 

O livro, o primeiro de dois volumes, tem o selo da Showtime Books e conta com declarações de Gui, João Cabeleira, Kalú, Tim e Zé Pedro.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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