André Santos incentiva os concorrentes a terem “personalidade” no 10º Encontros de Fado de Almada

A décima edição dos Encontros de Fado de Almada vai voltar a ocupar o palco do Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada, durante três noites de Maio e Junho. O Infocul entrevistou André Santos, um do organizadores a par de Hugo Edgar, e também um dos músicos residentes.

 

André Santos é músico profissional, acompanhou/acompanha alguns dos nomes maiores do fado, integra também uma das melhores bandas nacionais, Melech Mechaya, e claro tem também espectáculos em nome próprio. É “discípulo” de um dos nomes maiores da música nacional, Pedro Jóia.

 

 

Em entrevista ao Infocul.pt fala-nos sobre o 10ºEncontro de Fados de Almada, sobre os convidados deste ano, a dinâmica do concurso e claro os prémios para os três primeiros classificados.

 

 

 

 

Quais as grandes novidades desta 10º edição do Encontro de Fados em Almada?

 

Todos os anos tentamos ter um conjunto de Fadistas convidados de Luxo. Este ano, ao comemorar os 10º Encontros conseguimos ter a experiência e longa vivência de vida artística fadista com o António Pinto Basto e a Luís Basto. Entretanto as gerações mais recentes, e bem promissoras, estão defendidas com a Teresa Tapadas.

 

 

Como começou toda esta aventura e quais os seus principais objectivos?

 

Esta é uma iniciativa já longa da CMA. Eu (André Santos) e o Hugo Edgar fomos convidados para assumir a organização destes encontros no ano de 2012. Continuamos o conceito inicial de encontrar novas vozes fadistas e de lhes dar todos os recursos necessários para uma primeira experiência a nível profissional. Desta forma, mais do que um concurso e haver obviamente vencedores, no meu ver, o mais importante desta iniciativa é proporcionarmos um ambiente profissional a cada concorrente. Muitos deles sobem a um palco de um auditório pela primeira vez, são acompanhados por músicos profissionais e passam por toda a experiência de testes de som, luz, bastidores, etc. Pode parecer simples mas muitos fadistas, já com largos anos de experiência em casas de Fado, não têm contacto com concertos de auditórios, plateias cheias e tudo o que envolve um concerto profissional no circuito dos teatros do país.

 

 

Para quem quiser participar como deverá proceder?

 

É muito simples, basta enviar 2 temas (cantados por si) para fadoalmada@gmail.com, bem como os seus dados (nome, morada, idade e contactos). Outra forma é ir através do site da CMA (www.m-almada.pt). As gravações pedidas podem ser links de youtube, gravações com o telefone, etc. Pode até ser só voz, sem acompanhamento musical. Servirá apenas para fazer uma pré-selecção dos concorrentes.

 

 

Quais os critérios que o júri usará para avaliar os candidatos?

 

Existem vários critérios mas o mais importante para mim é mesmo o da personalidade. Claro que não esquecemos a qualidade da voz e seu timbre, o compasso, a postura em palco e todas as capacidades técnicas. No entanto, não procuramos imitações mas sim fadistas com personalidade própria e com uma linguagem original para que com trabalho consigam desenvolver o seu próprio cunho no Fado.

 

 

A 10ª edição conta também com convidados com grandes nome e trajecto no Fado. A que se deveu estas escolhas?

 

Todos os anos procuramos ter convidados com carreiras consideráveis no panorama musical/fadista português. Um dos nossos interesses, além de dar ao público uma pequena actuação de um artista consagrado em cada noite destes Encontros, é sim proporcionar aos concorrentes um contacto muito intimo e directo com pessoas de carreira com muitas histórias a partilhar. Todos os Fadistas convidados são merecedores de respeito pelo caminho que têm traçado e isto levou-nos a convidá-los a celebrarem connosco os 10ºs Encontros de Fado de Almada.

 

 

 

Tendo o André oportunidade de acompanhar vários fadistas e ter um percurso na música, quais os conselhos que dá aos participantes?

 

Eu bato sempre na tecla da originalidade. É bom estudar e aprender as características dos nossos ídolos mas nunca devemos esquecer de deixar o nosso cunho nas coisas que fazemos. A técnica é importante, mas a personalidade é que marca história, na minha opinião claro.

 

 

Como convida o público a ir assistir aos Encontros de Fado?

 

Estes encontros são compostos por 2 partes. Uma primeira com os Fadistas a concurso, onde cada um cantará 2 Fados. A 2ª parte conta com uma pequena actuação do Fadista convidado dessa noite e serão apresentados os resultados do concurso. Assim sendo, o público terá a oportunidade de ter uma noite cheia de Fado, de grande qualidade a um preço simbólico.

 

 

Qual o prémio para o vencedor?

 

Os premiados serão os 3 primeiros classificados. Haverá um prémio físico (uma pequena escultura) simbólica. Agora prémios mais concretos e importantes: O primeiro classificado ganha a gravação de um EP com 5 temas em estúdio profissional acompanhado pela banda residente dos Encontros de Fado de Almada. Além disto, os 3 primeiros classificados dão um concerto em nome próprio no auditório de Almada no próximo mês de Outubro inserido na rúbrica “Casa do Fado” que é um ciclo de Fado no auditório Fernando Lopes-Graça em Almada onde a um Domingo por mês acontece um concerto com um Fadista convidado.

 

 

Sendo o Fado considerado Património Imaterial da Humanidade como assiste ao surgimento de cada vez mais pessoas a cantar o Fado?

 

É normal que com a fama que o Fado tem alcançado nos últimos anos haja cada vez mais apaixonados a ir ao seu encontro. Eu fico feliz por isso. Há muitos curiosos que vão até ao Fado e passado uns tempos acabam por os ir deixando novamente e outros que acabam por ficar agarrado a ele até ao fim dos seus dias. Cada pessoa fará a sua selecção e acabam por ficar os que amam esta forma de arte. Posto isto só posso ficar contente por termos cada vez mais pessoas a cantar o Fado e a trazer novas visões do mesmo. O purismo e tradição está bem enraizado para poder aceitar novas pessoas todos os dias. Venham eles, venham dai mais Fadistas!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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