André Vaz: “Quando canto fecho os olhos e entrego-me de alma e coração ao poema”

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“Fado” é o novo disco de André Vaz, que resulta de uma profunda e intensa pesquisa por parte do fadista de temas de outrora do fado. Temas que nunca tinham sido gravados além dos seus próprios criadores. Em entrevista ao Infocul, André Vaz explica o processo criativo do disco, a importância do fado na sua vida entre outras curiosidades.

 

 

Entre as 11 faixas deste disco, encontramos originais de Carlos Ramos, Manuel Fernandes ou Maria da Fé, entre tantos outros monstros do fado. A produção teve a cargo de Diogo Clemente e na parte instrumental contou com Ângelo Freire, Bernardo Couto, Marino de Freitas e Diogo Clemente.

 

 

Quando surge esta ideia de ir buscar fados de outras décadas?

 

Surge no final do ano 2014, eu estava a ouvir e pesquisar fados antigos, quando encontro 2 temas que achei fantásticos e percebi que nunca tinha ouvido cantados por mais ninguém além dos seus criadores. Esse foi o ponto de partida, portanto serviu de mote para querer pesquisar mais e fazer o disco.

 

 

 

Considerando este como o disco de estreia, considera um grande risco ir buscar temas de Carlos Ramos, Manuel Fernandes, Maria da Fé e tantos outros “monstros” do fado?

 

Sinceramente não considerei um grande risco, mas diria sim um enorme desafio. Devemos dar a conhecer a obra lindíssima que estes interpretes nos deixaram, e foi esse um dos objectivos, relembrar aos mais atentos e dar a conhecer ao grande do publico estes fados. O desafio começa quando tenho de me “desligar” do original e criar eu mesmo o meu estilo e forma de interpretar.

 

 

 

Do onze temas que compõem este disco, qual foi o mais desafiante para si?

 

Foram todos, mas acho que consegui dar a minha própria interpretação, descolando dos originais.

 

 

 

Qual a importância de ter um produtor com grande cuidado aos pormenores como Diogo Clemente?

 

É extremamente importante ter um produtor, e melhor ainda ter o Diogo, uma pessoa com uma enorme criatividade e bom gosto e um talento incrível. A experiência foi fantástica, ele é bastante minucioso em estúdio, e isso revela-se na qualidade de produção. 

 

 

 

Em termos instrumentais, este disco conta, se assim podemos dizer, com a nata dos músicos de fado. Qual o critério que utilizou para esta escolha?

 

Felizmente, eu e o Diogo sempre tivemos em grande sintonia relativamente a todo o processo de produção. E quanto à escolha dos músicos foi igual.

 

 

 

Sendo ainda jovem, como surge o fado na sua vida?

 

O fado e a sua sonoridade sempre me foi muito familiar, pois o meu pai gosta imenso. Com 8 anos, numa viagem para o norte do pais, o meu pai comprou uma cassete do Fernando Farinha que fomos ouvindo em “repeat” a meu pedido. No regresso a Lisboa eu já sabia 3 fados de cor. No estabelecimento comercial dos meus pais havia um cliente que era guitarrista e numa conversa sugeriu ao meus pais irem a uma tarde de fados e levarem-me parar cantar. Com muito custo lá fui cantar pela primeira vez em publico, acompanhado à guitarra e viola. Tinha vergonha, mas tinha uma certa curiosidade. E assim começou. Logo percebi que tinha noção rítmica, compasso e uma certa afinação, gostei tanto ao ponto de ser eu a pedir para voltarmos novamente a uma próxima edição. Esta aventura tornou se mais séria, quanto participei na Grande Noite de Fado em 1993 e venci o concurso com apenas 9 anos de idade.

 

 

 

Quem é André Vaz enquanto fadista?

 

Sou um verdadeiro apaixonado por esta canção, quando canto fecho os olhos e entrego-me de alma e coração ao poema, gosto de cantar letras com as quais me identifico.

 

 

 

Quem é André Vaz fora do palco? O que gosta de fazer?

 

Fora dos palcos, gosto imenso de ler, viajar, tocar guitarra portuguesa e sou um amante do desporto, mais concretamente de futebol…

 

 

 

Em termos de espectáculos para apresentar este novo disco, o que está a ser preparado?

 

Estamos a pensar numa sala para uma apresentação em Lisboa. Mas para já ainda estamos focados numa fase de promoção, portanto não posso avançar com datas.

 

 

 

Para quem quiser descobrir mais sobre si, onde poderá fazê-lo?

 

Podem acompanhar e conhecer-me melhor na minha pagina oficial de facebook, e também estamos a trabalhar na criação de um site.

 

 

 

Em termos de redes sociais como é o contacto com os fãs? Dedica muitas horas às redes sociais?

 

As redes sociais tem hoje em dia muita importância e eu enquanto artista também faço questão de estar presente. Procuro, sempre que tenho oportunidade, manter contacto com as pessoas que seguem o meu trabalho.

 

 

 

Actualmente canta em alguma casa de fado?

 

Actualmente canto no projecto “Fado in Chiado”, diariamente das 19h ás 20h; e em alfama nas casas “Pateo de Alfama e Fado em Si”.

 

 

 

Como convida o público a ouvir e a comprar este disco?

 

Convido da forma mais simples: Se é amante do nosso fado, este disco convida a uma viagem que pretende relembrar temas de outra época, com uma sonoridade actual e contemporânea.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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