Ângelo Freire: “É sempre bom ver as pessoas a reconhecerem o nosso trabalho”

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Ângelo Freire foi um dos destaques do Montepio Fado Cascais. 2017 está a ser um ano muito positivo para o guitarrista/fadista, depois de já ter esgotado o Grande Auditório do CCB.

Para este concerto já foi um pouco diferente porque já vinha com a experiência do CCB mas no CCB tinha uma outra formação, tinha uma outra banda e outro repertório” começou por nos dizer o músico sobre as diferenças entre um e outro concerto. Referir que neste espectáculo em Cascais tinha apenas 45 minutos de actuação.
No CCB “tinha outra formação, tinha outra banda, tinha outro repertório bem para além do fado tradicional, não é?!…E onde eu queria muito expor o outro lado da guitarra e neste concerto é exactamente o oposto. Eu trago um repertório muito mais fadista, muito mais guitarristico porque o festival assim o pede também. Portanto, foi um bocadinho preparado na base daquilo que foram os fados que sempre cantei, que eu sempre ouvi e das guitarradas que eu sempre gostei de tocar. Guitarradas que as pessoas gostavam de me ouvir tocar também. Foi um pouco essa a base”.
Questionámos o artista se sentia-se mais confortável como guitarrista ou como intérprete vocal, ou até mesmo as duas em simultâneo. “Não é fácil cantar e tocar mas ao mesmo tempo há poucos guitarristas a cantar e a tocar. Portanto, eu ainda não consigo perguntar isto a algum deles. Eu consigo compreender-me melhor quando canto e toco. Consigo compreender melhor a minha forma de tocar e a minha forma de cantar porque uma inspira a outra e…claro que depois há coisas…as coisas que têm mais texto, que têm mais melodia, as coisas mais rápidas tornam-se um bocadinho mais limitadas para a guitarra . Estou a pensar em duas coisas ao mesmo tempo mas acho que também é uma questão de prática. Já são alguns anos a fazer isso e tentamos sempre…eu acho que todos os dias me compreendo melhor a cantar e a tocar e isso ajuda-me a cantar e a tocar ao mesmo tempo”, disse-nos.
O disco está a ser preparado este ano e tenciono lançá-lo no próximo ano, em princípio no início do ano, mais ou menos. Há-de ser um disco que vai mostrar um pouco uma viagem por todas as linguagens que eu já toquei, por todas as linguagens que foram preenchendo a minha vida musical ao longo destes anos todos” diz-nos sobre o disco em nome próprio com saída prevista para o próximo ano.
É sempre bom ver as pessoas a reconhecerem o nosso trabalho mas acho que…O Carlos do Carmo ao vivo no CCB disse-me para não me deslumbrar e isso é muito verdade. Eu acho que nós vamos fazendo o nosso trabalho, mantendo a responsabilidade que é conseguir agradar as pessoas, conseguir agradar ao nosso público. Eu acho que é um caminho natural. Não é nenhuma pressão. É tão bom ouvir as pessoas dizer que nós somos uma referência, e eu ainda por cima sou tão novo e muita gente já me considera uma referência e isso é muito bom, ter pouca idade e ter conseguido atingir mas deve-se muito à Ana Moura, Mariza, ao Jorge Fernando que foram pessoas que tiveram muito peso na minha carreira e na forma como eu tenho desenvolvido na música como pessoa e como cantor ao longo da minha vida”, comenta sobre o carinho que o público lhe tem, considerando-o “menino prodígio” ou “um dos melhores guitarristas de guitarra portuguesa”.
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Ângelo Freire que continuará a digressão com Ana Moura, ter+a ainda este ano mais um espectáculo a solo, no “Festival de Guitarra Portuguesa em Amarante no dia 17 de Agosto”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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