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Ângelo Freire encheu o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém de público, de música, de sensibilidade e também de emoções. Como músico mostrou-se, da mesma forma como se entregou e nos entregámos ao seu espectáculo, por inteiro.

 

 

A uma hora do inicio previsto para o espectáculo, já eram muitos, os que fora do CCB não escondiam a ansiedade e até algum nervosismo para ver e ouvir um dos mais aclamados guitarristas, de guitarra portuguesa.

 

 

Desde muito cedo a música, e o fado em particular, fazem parte da vida de Ângelo Freire. No CCB, fez uma inteligente viagem por todo o seu universo musical, sendo a base o fado, mas com horizontes que vão além da música representante de um rectângulo no sul da Europa. O seu universo musical é tão vasto quanto o seu talento. Se duvidas houvesse, ficaram dissipadas perante um CCB repleto de pessoas a aplaudir efusivamente o artista e de pé!

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“Prodigioso”, “Genial”, “Virtuoso”, são apenas alguns dos adjectivos utilizados por quem priva de perto e actua com Ângelo Freire. Mas a história mostra-nos que o que podiam ser elogios muitas vezes levados pela amizade, são também baseados em prémios: vencedor da Grande Noite do Fado, na categoria de Juvenis, e do concurso internacional “Bravo Bravíssimo” em 2000, distinguido na Grande Noite do Fado, na categoria de Instrumentistas, e em 2012 com o Prémio Amália Rodrigues, na categoria de Melhor Guitarrista – ambos com a Guitarra Portuguesa, são alguns dos prémios constantes no currículo.

 

 

No Centro Cultural de Belém onde se fez acompanhar por Diogo Clemente na guitarra clássica, Marino de Freitas na Viola Baixo, Eurico Amorim nos teclados, Ruben Alves no piano e Mário Costa na bateria, o guitarrista proporcionou uma série de instrumentais a abrir o espectáculo antes de se dirigir ao público para agradecer a presença e explicar o prazer em estar ali, para depois mostrar que nem só com a guitarra atinge momentos sublimes. Para quem desconhecia, ficou agarrado à imensidão qualitativa da voz de Ângelo Freire. Afinação perfeita, uma voz bem colocada, que sabe estender quando a isso o tema lhe exige, e que tem uma emoção arrebatadora. A sua dicção é de uma delicadeza incrível. Optando por cantar ao invés de tocar (ou até juntando as duas vertentes), Freire seria das melhores vozes da actualidade, inquestionavelmente!

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A primeira convidada chamada a palco foi Ana Moura, que em “Tens os olhos de Deus” teve um dueto genial com Ângelo Freire (que cantou e tocou). Tecnicamente perfeito, emoção em grandes doses e uma cumplicidade de há muitos anos. Talvez por isso Ana Moura seja “a maior responsável” por Freire ter pisado o palco do CCB, segundo o guitarrista. Ana Moura cantou ainda “No expectations” dos Rolling Stones (com os quais também já actuou).

 

 

“Quando vens falar de nós”  é um tema com letra de Ângelo e música de Marceneiro, no fado Cravo, contando uma história de amor. Sentimento esse que influencia e inspira vários poetas e compositores e a que o guitarrista também não é imune. Aliás em todo este concerto e nas diversas vezes em que falou com o público, Freire fez questão de mostrar a importância que o amor tem tido na sua carreira e na sua vida particular, através dos amigos e da “gente boa” que “me tem dado tanto”.

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O segundo convidado chamado a palco é “alguém que está presente na minha vida todos os dias”, “alguém que me inspira muito e que já me deu a honra de o acompanhar em alguns palcos”, Carlos do Carmo. “Um homem na cidade” e “O Cacilheiro” foram os dois temas interpretados por Carlos do Carmo, o segundo num dueto vocal com Ângelo Freire. Carlos do Carmo continua a ter uma postura irrepreensível em palco. Uma classe que infelizmente escasseia nos dias actuais. Uma voz impar e um saber estar que agrada ao público.

 

 

 

De regresso aos instrumentais, Ângelo “trouxe” Sting a Belém, para logo depois cantar e tocar um tema da autoria de Diogo Clemente (letra e música), intitulado “Foi num tempo”, antes de promover um sensual tango, recordando Carlos Gardel.

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Variações em Ré, de Fontes Rocha, “Dança sem fim” de Valter Rolo, entre outras antecederam um encore no qual o público aplaudiu efusivamente e de pé, obrigando o artista a regressar a palco para homenagear Carlos Paredes com “Canto de Embalar”, recordar “Guitarra toca baixinho”, um tema com o qual começou o seu percurso e terminar em apoteose com “Afinal”, um tema composto por si e com letra de Diogo Clemente que integrou o último disco de Ana Lains.

 

 

Depois do concerto de ontem, a que se junta um percurso de reconhecido valor no fado onde acompanhou os nomes maiores da actualidade e pisou as maiores salas de espectáculo do mundo, há alguns desafios/questões que se levantam: Para quando um disco a solo? Para quando uma digressão a solo? Tudo questões que o tempo esclarecerá. Até lá, ouçam e apreciem um menino que se fez homem com uma guitarra portuguesa. A mesma com a qual nos apaixonou a todos no CCB!

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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