António Chainho no Tivoli: “A música é como o bacalhau, pode fazer-se de várias maneiras”

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O Teatro Tivoli BBVA recebeu ontem, 31 de Maio, o encerramento oficial das comemorações dos 50 anos de carreira do Mestre António Chaínho, que contou neste espectáculo com alguns convidados especiais.

Cinquentas anos é uma vida. No caso de António Chainho uma vida dedicada à guitarra portuguesa, com a qual nos comove, alegra, encanta há cinco décadas. Esta terça-feira no Teatro Tivoli BBVA, contou com a presença de Mafalda Arnauth, Kajó, Adiafa, Hélder Moutinho e Rui Veloso como convidados especiais. Teve ainda em palco como acompanhantes os instrumentistas Ciro Bertini, Tiago Oliveira e Diogo Melo de Carvalho.

 

 

Perante uma sala com bastante público (não esgotou), abriu espectáculos com dois instrumentais interpretando os temas “Sonhar Lisboa” e “Escadinhas do Duque”. Logo no final destes temas disse que para si o mais complicado seria falar, mas agradeceu ao público a presença neste espectáculo.

 

 

A primeira convidada chamada ao palco foi Mafalda Arnauth que com Chainho e os três músicos interpretaram “Volta não volta), “Aprender a sorrir” (maravilhoso poema de Tiago Torres da Silva) e “Bendito Fado”. Mafalda Arnauth esteve bem mas longe de brilhar.

 

 

Kajó, um saxofonista, foi o segundo convidado chamada a palco e esteve sublime nos dois temas que partilhou com o Mestre Chainho. Saxofone e Guitarra portuguesa entenderam-se maravilhosamente. Os temas interpretados foram “Guitarra sem fronteiras” e “Deambulando Alentejo”.

 

 

O Mestre Chainho voltou a falar para anunciar o grupo que se seguia recordando que “numa determinada altura tiveram muito sucesso com um tema”. O grupo chama-se Adiafa e começaram por “Cante ao menino” (faltou garra e alma), seguindo-se “Luisinha” já com Mestre Chainho em palco, tinha saído no anterior, e a pedido do mestre cantaram o seu grande sucesso “Meninas do Sado” que colocou o público a cantarolar e a bater palmas. Ficaram ainda em palco para cantarem “Moinho”, tendo neste tema a presença de um outro convidado Hélder Moutinho.

 

 

Hélder Moutinho que apareceu esta noite absolutamente extraordinário. Canta com uma verdade que impressiona, com um sentimento que nos faz vibrar, dando mostras (não necessárias) de toda a sua alma de artista. “Guitarra junto ao peito” foi escrita por si e ontem cantada por si acompanhado na guitarra por António Chainho.

 

 

A partir deste tema assiste-se a uma parte do concerto absolutamente irresistível, com uma troca de experiencias musicais entre músicos de craveira que se divertem como crianças em palco. O público torna-se privilegiado ao assistir.

 

 

Começou com “Fado Menor” em que Rui Veloso e Chainho deram o suporte musical à voz de Hélder Moutinho. Genial. Seguiu-se “Porto Sentido” em que Rui Veloso e Hélder Moutinho partilharam a interpretação do tema acompanhados por Chainho na guitarra. Extraordinário. Só músicos de uma simplicidade e humildade incríveis se permitem a isto, mas como diz Hélder Moutinho “a música é como o bacalhau, pode fazer-se de várias maneiras”.

 

 

Já sem Hélder Moutinho, apenas com Rui Veloso, António Chainho e os músicos em palco seguiu-se “O Cartola”. Despique musical entre Veloso e Chainho que fez o público aplaudir. O encore foi antecedido com “Variações em lá”, já em convidados em palco.

 

 

O público queria mais e António Chainho regressa ao palco para homenagear Francisco Carvalhinho com “Variações em Ré”. Terminado em grande uma noite de partilha, boa música e muita amizade em palco. O público estava satisfeito e à saída demonstrava o quão gostou do espectáculo.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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