Assinado Acordo de Cooperação entre o TNSJ, o Governo de Cabo Verde e o Governo de Portugal (C/Fotos)

 

Decorreu esta sexta-feira, 6 de Setembro, a apresentação da programação, de Setembro a Fevereiro, do Teatro Nacional São João, no Porto.

Na cerimónia, que contou com a presença da ministra da Cultura, Graça Fonseca, foi assinado um Acordo de Cooperação entre o TNSJ, o Governo de Cabo Verde e o Governo de Portugal, a vigorar nos próximos três anos.

Além de Graça Fonseca, destaque para as presenças de Abraão Vicente (Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde), Pedro Sobrado (presidente do Conselho de Administração do TNSJ) e Nuno Cardoso (director artístico do Teatro Nacional São João).

Numa vasta, e ecléctica, programação destaque para a produção própria “A Morte de Danton” , com encenação de Nuno Cardoso, a primeira enquanto director artístico do TNSJ. Com estreia marcada para 18 de Setembro, no TNSJ, a peça conta com Albano Jerónimo no papel principal e recupera documentos que dão conta das convulsões da Revolução Francesa.

Nos dias 19 e 21 de Setembro o Teatro Carlos Alberto, propriedade do TNSJ, recebe a quinta edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade. Sob o tema “o comum”, a iniciativa traz ao TeCA três espectáculos de colectivos de diferentes geografias – Uganda, Espanha e Brasil – percorridos por inquietações similares: uma reflexão sobre a interculturalidade do mundo moderno, uma combinação de vários elementos para estimular o pensamento criativo e uma interrogação do sistema aniquilador da diferença. Os espectáculos são acompanhados por uma oficina com o colectivo Lisarco, no dia 19 de Setembro, entre as 9:00 e as 12:30.

Reportagem fotográfica por Filipe da Silva Coelho.

Programação da instituição para os próximos seis meses vai focar-se em quatro temas principais: Revolução, Géneros, Margens e Viagem

 

27 espectáculos, quatro produções próprias (três estreias, uma delas em Cabo Verde), doze estreias (incluindo cinco produções internacionais) e 11 co-produções. Estes são alguns números que compõem a programação dos próximos seis meses das três “casas” do Teatro Nacional São João (TNSJ) – que inclui, além do próprio TNSJ, o Teatro Carlos Alberto (TeCA) e o Mosteiro de São Bento da Vitória. No momento em que a instituição portuense se prepara, já em 2020, para celebrar o centenário do edifício projectado por Marques da Silva, a descentralização cultural, a internacionalização, o património e a mediação cultural são temáticas explícitas nos quatro eixos programáticos: “Revolução”, “Géneros”, “Margens” e “Viagem”.

 

Cooperação com Cabo Verde e a política de internacionalização

Para além da reafirmação do TNSJ no quadro europeu – através da renovação do vínculo com a União dos Teatros da Europa e uma parceria ibérica com o Teatro de la Abadía (Madrid), com a apresentação de Bella Figura, de 1 a 3 de Novembro –, o projeto internacional passa ainda por Cabo Verde. Essa ligação acaba de ser materializada com a assinatura de um acordo de cooperação entre o TNSJ e o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde e que vigorará durante os próximos três anos.

 

A cooperação contempla não só a apresentação de espectáculos do Teatro Nacional São João no arquipélago africano, mas também intercâmbios e acções de formação, que, em 2020, se estendem ao desenvolvimento de projectos artísticos partilhados pelos dois países. Já em Novembro, duas produções do TNSJ, com encenação de Nuno Cardoso – director artístico da Casa –, vão ser apresentadas nas ilhas de Santiago e São Vicente: Achadiço é uma estreia concebida especialmente para Cabo Verde e Bella Figura regressa para “abrir” o Festival Mindelact.

 

Georg Büchner e Mark O’Rowe em foco nas produções próprias

A temporada 2019/2020 “abre” com a estreia de uma produção própria. A Morte de Danton é a primeira encenação de Nuno Cardoso enquanto diretor artístico do TNSJ e mergulha-nos no caos poético e sangrento da Revolução Francesa. Escrita por Georg Büchner, a peça coloca o foco na última semana de vida de Georges Danton, o líder carismático que morreu para deter a marcha do Terror e sonhar por um instante. A Morte de Danton – com Albano Jerónimo no papel principal – está em cena de 18 a 29 de setembro, no TNSJ.

 

Em Novembro, estreia-se outra produção do TNSJ: Os Nossos Dias Poucos e Desalmados, a partir da obra de Mark O’Rowe. O espectáculo, encenado por João Cardoso, “rompe” com o monólogo tão caro ao autor para dar lugar a uma simétrica e concatenada sucessão cronológica de seis cenas que se desenham num drama familiar sobre a culpa, o sacrifício e o amor. A peça estreia-se a 21 de Novembro, ficando em cena até dia 30 do mesmo mês e fará parte de um ciclo dedicado a Mark O’Rowe, que inclui cinco peças do dramaturgo irlandês, com traduções de Francisco Luís Parreira, que serão apresentadas em menos de quinze dias, em palcos e formatos diversos.

 

Cinco co-produções em estreia

Até Fevereiro de 2020, são cinco as coproduções em estreia nos espaços do TNSJ. É com Locker Room Talk, com encenação de Jorge Andrade, a partir de Gary McNair, que a companhia mala voadora se estreia na programação do TNSJ. A peça pode ser vista nos dias 4 e 5 de Outubro, no Mosteiro de São Bento da Vitória, e foi construída a partir de centenas de entrevistas, onde foi pedido que os homens falassem desassombradamente sobre mulheres.

 

Entre 11 e 20 de Outubro, no Teatro Nacional São João, o encenador Luís Araújo e a Ao Cabo Teatro levam-nos de volta aos fatídicos “idos de Março” de William Shakespeare, com A Tragédia de Júlio César, assinalando assim o início da gestão artística da nova direcção da companhia. Alecrim vs Manjerona está integrado no Festival Internacional de Marionetas do Porto, com assinatura do Jangada Teatro, e estará em cena entre 17 e 20 de Outubro, no Mosteiro de São Bento da Vitória.

 

A 7 de novembro chega a estreia de uma criação do Cão Solteiro, também a primeira vez que a companhia se apresenta no palco do TNSJCould Be Worse: The Musical é o mais recente capítulo de uma parceria com o cineasta André Godinho, na qual vêm explorando pontos de intersecção do cinema com o teatro.

 

Em Janeiro, estreia-se Um Plano do Labirinto: um polifónico conto mitológico sobre a diáspora portuguesa no século XX, no Oriente e em África, interrogando-se/nos sobre a verdade e a mentira de muitas histórias recolhidas da “nossa” guerra no “Ultramar”. A partir de um texto de Francisco Luís Parreira, com direcção e espaço cénico de João Garcia Miguel, o espectáculo pode ser visto de 9 a 19 de Janeiro, no TeCA.

 

Seis produções internacionais, cinco em estreia nacional

Itália, Alemanha, Inglaterra, França, Brasil, Espanha ou Uganda. Estes são alguns dos países que vão deambular pelo TNSJ até Fevereiro de 2020, com a apresentação de produções internacionais. Em Setembro, e em estreia nacional, o MEXE traz ao TeCA três espectáculos de colectivos de diferentes geografias – Empty the SpaceSynectikos e Isto É Um Negro? – percorridos por inquietações similares.

 

Já em Outubro, e integrado no FIMP, o Teatro Carlos Alberto recebe a estreia de Alma Nómada, com encenação e interpretação de Magali Chouinard. Em janeiro, no TNSJ, estreia-se Western Society, uma produção da Gob Squad com influências alemãs e inglesas. Por fim, em fevereiro, é a vez do Teatro Carlos Alberto receber MDLSX – na segunda passagem por Portugal –, uma criação da Motus, com encenação de Enrico Casagrande e Daniela Nicolò.

 

Missão: educar e formar (novos) públicos de todas as idades

O Centro Educativo é um dos eixos mais importantes da missão de serviço público do Teatro Nacional São João. Depois de formalizado em 2018, este departamento está a ser totalmente reformulado para afirmar ainda mais a sua importância junto da comunidade. Esta temporada, vai-se dar início ao projecto Vizinhanças que pretende potenciar as relações e pontos de contacto entre pessoas e colectivos através de várias iniciativas, tendo quatro focos temáticos: poder, amor, revolução e memória.

 

Nesta nova temporada, o TNSJ avança ainda com a criação dos novos Clubes de Teatro Sub 18 e Sub 88 e dá continuidade ao Visitações, uma iniciativa que desafia alunos e professores do ensino básico, secundário ou profissional a construírem um projecto de representação em torno dos universos de Gil Vicente e Fernando Pessoa. A somar às várias iniciativas, estão também programados espectáculos infantojuvenis, como é o caso de Ver a Odisseia para Chegar a Ítaca (9 a 12 de Outubro) ou U (6 a 9 de Fevereiro de 2020). Esta temporada, as habituais conversas pós-espectáculo são renovadas e “ganham” um novo nome – Conversas com o Jorge –, sendo orientadas por Jorge Louraço Figueira.

 

Novas ambições do projecto editorial

2019 é também ano de lançamento do novo projecto editorial do Teatro Nacional São João. Partilhado com a editora Húmus, a Empilhadora vai reunir títulos que atravessam os âmbitos da história e estética teatral, do ensaio, das memórias e da biografia. Em novembro, saem os dois primeiros volumes. O Repúdio do Conhecimento em Sete Peças de Shakespeare colige ensaios de Stanley Cavell, filósofo norte-americano recentemente desaparecido. E Olhai a Neve a Cair: Impressões Sobre Tchékhov é um precioso ensaio biográfico de Roger Grenier. Em 2020, a Empilhadora transportará outros títulos, desde logo Falhar Melhor: A Vida de Samuel Beckett, de James Knowlson, muito provavelmente a mais importante e completa obra alguma vez escrita sobre um dramaturgo que revolucionou a escrita dramática e a cena.

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