Augusta Serrano sobre a não realização do festival taurino da Rádio Campanário: “Não é a minha área e se que quiser promover espectáculos vou fazê-lo noutra área, com outra temática”

D.R.

Não haverá, este ano, Festival da Rádio Campanário. Esta informação foi avançada pela directora desta rádio regional, Augusta Serrano, aos microfones da mesma.

No dia mundial da rádio, celebrado ontem, Augusta Serrano concedeu entrevista de modo a explicar , às muitas pessoas que estavam a fazer reservas e enviar e-mails, de que o festival este ano não realizar-se-á.

A procura de informações sobre o festival e pedidos de reservas devem-se, segundo Augusta Serrano, ao facto de terem fidelizado “o aficionado, as pessoas que gostam desta temática da tauromaquia, ao nosso festival. Certamente pela elevação com que foi sempre realizado”.

Posto isto, veio a confirmação: “Não haverá festival taurino da Rádio Campanário”.

Explica que, caso houvesse, “quem anda nos meandros e conhece estas organizações, saberia que ao dia de hoje, 13 de Fevereiro, já estaria na rua e seria conhecido”.

Este ano, “houve uma intenção da Rádio Campanário de fazer, não digo uma paragem, mas eu sigo muito uma frase feita que é ‘Nunca digas nunca’. Não quer dizer que nunca mais se faça e não se retorne, mas neste ano de 2020 há, de facto, um interregno”.

Destacando que ontem “nem sequer era o melhor dia para se dizer que alguma coisa era interrompida, e não é apenas uma coisa mas sim um evento de relevância a nível nacional”.

De forma lacónica disse que “as coisas ou porque são ciclicas ou porque alguma coisa muda…muda muita coisa”, e que “a partida do Mestre David Ribeiro Telles foi, como se diz na giria, a grande machadada no festival taurino”.

Justificou, explicado que “tínhamos, enquanto em vida do Mestre David Ribeiro Telles, o nosso espaço garantido. E esse espaço era a Praça de Touros de Vila Viçosa. Porque sempre nos fez sentido fazer o festival na terra onde temos o nosso espaço físico, embora agora também tenhamos em Sousel no distrito de Portalegre”.

Os herdeiros do mestre David consideraram, para nós e para todos os outros, que não se realizavam ali qualquer festejo taurino na Praça de Vila Viçosa, propriedade da casa Ribeiro Telles”, acrescentou.

Recordou que “ainda lá se realizaram um ou dois mas sempre com muitas dificuldades nas conversações e na cedência da praça, para a Rádio fazer esse festival”, não esquecendo as “conversações difíceis com o senhor Manuel Telles”.

Embora a maioria dos festivais da rádio tenham-se realizado em Vila Viçosa, os dois últimos foram no Coliseu de Redondo. E ao falar estes dois festivais deixou fortes críticas à Associação Tauromáquica de Redondo, por em 2018 pedir “parte da receita do festival e a exigência para montar cartel”, quando o mesmo já estava totalmente delineado e definido.

Em 2019 voltou a não ser fácil o relacionamento entre a Rádio e a Associação, o que levou Augusta a dizer, aos microfones da rádio, “pensamos assim: mas esta não é a minha área e se que quiser promover espectáculos vou fazê-lo noutra área, com outra temática. Não vale a pena, porque aquilo acaba por ser um sofrimento desde que o mestre David partiu. Porque com ele vivo, tínhamos a certeza, ele era a nossa certeza”.

Por muito que eu goste de tauromaquia, e gosto! Mas não vale a pena”, lamentou-se.

Explicou que “os esclarecimentos não estavam 100% feitos” porque “a tauromaquia é um tema fracturante para a sociedade, para o governo, e não serei eu que a irá fracturar mais” .

Assumiu que o festival do ano passado “correu mal“, mas que esse não é o motivo de não haver festival este ano. Explicou que “não foi fácil fazer cartel” porque há artistas que “actuam em grupo“. Destacou que ao longo de dez anos “quem fez os cartéis fui sempre eu. Tive gente que me ajudou, mas quem falou, contratou e fez os cartéis fui sempre eu“. Terminou a entrevista explicando uma polémica com a contratação dos matadores Finito de Córdoba e Ginés Marin, que segundo Augusta Serrano tinham ficado a cargo de Luís Filipe Cochicho, que momentos antes da corrida foi-lhe exigido, por um grupo de homens, 4 mil euros para cada toureiro e que caso não fosse pago esse valor, não actuariam.

Pode ouvir toda a entrevista AQUI.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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