Augusto Canário: “Emociono-me amiúde com as cantigas que canto a Viana do Castelo”

 

‘Cantigas com Amor A Viana’ é o mais recente Livro/CD de Augusto Canário.

 

Num registo de homenagem a Viana do Castelo, este Livro/CD conta com os temas da autoria de Augusto Canário e é reforçado com ilustrações de Rego Meira e ainda imagens de três fotógrafos.

Este novo trabalho foi o ponto de partida para uma entrevista que Augusto Canário concedeu ao Infocul, não se escusando a falar do seu percurso, do folclore, das tradições e da fé.

“É uma ideia que tem um ou dois anos, como forma de agradecer aos Vianenses o imenso carinho que me têm dado.”

Quando e porque surge esta ideia de um livro/CD?

Na verdade, há alguns anos, eu já tinha produzido um CD chamado ‘Cantigas De Amor a Viana’. Cantigas que eu compus e escrevi, junto com outras de outros autores. Este Livro/CD ‘Cantigas Com Amor a Viana’ comporta apenas temas de minha autoria. Os textos, as melodias cifradas são a essência do livro. O CD tem todos os temas que dediquei a Viana do Castelo. É uma ideia que tem um ou dois anos, como forma de agradecer aos Vianenses o imenso carinho que me têm dado.

Este amor a Viana pode ser traduzido em palavras ou está todo reproduzido nestas canções?

O meu amor a Viana do Castelo é velhinho e vai comigo para a cova… Como posso não gostar de uma terra tão bonita, com gentes tão agradáveis e que me tratam tão bem? As palavras saem-me da Alma e reproduzem o que sinto e o que consigo, modestamente, expressar do meu amor a Viana do Castelo.

No livro destacam-se as ilustrações de Rego Meira. Como surge esta ligação?

Rego Meira é um bom amigo de longa data (e ainda meu parente afastado), com quem partilhei atividades musicais no Grupo de Danças e Cantares e na Tuna Musical da Casa do Povo de Vila Nova de Anha. Para além disso, é um grande artista na área da pintura, restauro, na escrita… enfim um mestre. A ideia partiu de uma colaboradora minha, Cátia Leite, que sabendo da nossa amizade, conhecendo o trabalho do pintor, sugeriu e eu fiquei radiante com a ideia e ainda mais feliz quando o meu amigo Rego Meira acolheu de bom grado a sugestão. Note-se que, três fotógrafos cederam imagens para completar as ilustrações: JOCA (Viana do Castelo), Sr. José Maria Barroso (Porto), Bruno Ribeiro (Maia).

O que tem Viana de tão distinto que inspira tantos poetas e artistas?

Viana do Castelo é uma cidade encantadora. O Rio, o mar, o monte, a verdura, as varias praias fluviais, a norte e a sul… O maravilhoso monte de Santa Luzia… As pessoas, as suas tradições, o folclore… A Rainha das Romarias – A Senhora da Agonia… Tudo contribui para esta paixão que cruza todos os corações dos seus habitantes e de quem a visita. Daí a surgirem poemas, canções, pinturas, retratos, escritos sobre a princesa do Lima…. é um instante. Tudo!

 

“Não sendo propriamente um exemplo de cristão praticante, posso dizer que tenho Fé em algo superior que nos rege e guia.”

 

A Senhora da Agonia é das mais importantes representantes de Viana. É um homem de fé?

A espiritualidade é algo que sempre fez parte da minha vida. A minha educação católica cristã, desde o berço, é uma marca que me acompanha. Não sendo propriamente um exemplo de cristão praticante, posso dizer que tenho Fé em algo superior que nos rege e guia.

Qual a história mais curiosa que tenha experienciado nas romarias?

Tenho imensas histórias e vivências em diversas romarias. As recordações mais marcantes são as minhas idas à Romaria da Senhora da Agonia, pela mão do meu avô materno. Havia sempre um momento para o brinquedo, para umas voltinhas no carrossel, o petisco e para ver a ‘parada’ (cortejo etnográfico).

De que forma o folclore e a música tradicional e popular o inspiram nas suas canções?

Totalmente. Eu venho da tradição. Fui elemento de três grupo folclórico, de duas tunas populares; com alguns amigos formamos um grupo de música tradicional – Cantares do Minho- que durou vinte e cinco anos. As cantigas populares inspiram-me e muito para as minhas composições. Depois tentamos dar uma roupagem mais actual e com outros instrumentos mais modernos.

Sente que o folclore é entendido em Portugal?

O folclore é uma atividade praticada por muitos milhares de pessoas em todo o país. Muita gente estuda, conhece e sabe do que fala, desta riqueza cultural dos nossos antepassados.

E respeitado?

O respeito tem-se em função do conhecimento que se tem das coisas. Se não se conhece não se pode respeitar. Assim sendo, o preconceito que existe para com as questões do folclore resulta de pura ignorância.

Quem são os músicos que estão consigo neste disco?

Muitos músicos. As primeiras canções têm 18 anos, e neste disco/livro tem gravações de várias épocas. Portante, participaram para cima de vinte músicos.

Augusto Canário é a emoção em formato tradição?

Pergunta perfeita de resposta fácil: emociono-me amiúde com as cantigas que canto a Viana do Castelo.

Sente que a sua obra será estudada no futuro como parte importante da música portuguesa?

Não me preocupo muito com essa questão. Faço as coisas por gosto pessoal. Se as outras pessoas gostam e vêm no meu trabalho algo de interessante, tanto melhor.

Como estamos de agenda este ano?

Dois mil e dezanove está muito bem de agenda com muitos concertos em todo o país e no estrangeiro.

 

“Sempre faço teste de som de costas para o recinto do concerto… apenas isso…”

 

Tem algum ritual antes de subir a palco?

Sempre faço teste de som de costas para o recinto do concerto… apenas isso….

Cantar ao Divino é uma forma de oração?

Com certeza que sim. Diz o povo que ‘cantar é rezar duas vezes’. Há por certo algo de verdadeiro nesta afirmação.

Como analisa todo o seu percurso?

Sempre feito com muito trabalho, muita persistência e muito amor ao que faço. Ninguém dá nada a ninguém. Para chegar onde cheguei tive que andar muito…. fazer muito trabalho…, ter algo para dar às pessoas que lhe agrade…. e assim quero continuar.

Tem referências na música? Quem?

Muitas…, imensas. Do popular, tradicional ao fado… Júlio Pereira, Fausto, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Amália Rodrigues… Do rock ao jazz e ao folk, portugueses e estrangeiros…. nem me atrevo a enunciar… Mas gosto também de música alternativa e filarmónicas.

Este é o seu melhor trabalho?

Não creio que seja. É apenas um simples compilação de temas dedicados a Viana do Castelo, com virtudes e defeitos, como todos terão. Foi feito com muito carinho.

Qual o tema que mais o emociona neste disco?

O Vira da Senhora da Agonia, foi a primeira canção que compus e muita gente lhe chama hino da romaria.

Como é o seu processo criativo na escrita de canções?

Não tenho um processo específico. Tenho uma ideia, apuro-a, registo o texto e fixo a melodia e depois trabalho com a banda até a gravar e editar. Do nada pode surgir um bom tema.

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Façam da música portuguesa um valor, um passatempo sério… Uma forma de engrandecer a nossa língua e a nossa criatividade.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6410 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.