Beatriz Nunes: “É ainda na minha formação base erudita que continuo a recorrer a um certo rigor e inspiração”

 

 

 

 

O Misty Fest já avançou com alguns dos integrantes do cartaz deste ano e um dos artistas mais entusiasmantes e que mais curiosidade desperta, pelo percurso e talento, é Beatriz Nunes. A artista concedeu uma entrevista ao Infocul, na qual aborda o seu percurso, os seus sonhos, os receios e também desvenda um pouco do que serão os concertos neste festival.

 

 

Beatriz Nunes conta com um percurso rico, do Conservatório a digressões internacionais com Madredeus ao lado de Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade -, de exploração de múltiplas vertentes – da música popular e do jazz, à erudição do canto lírico – de devolução dos conhecimentos adquiridos através do ensino – dá aulas na Escola de Jazz do barreiro e na Escola Profissional Ofício das Artes em Montemor-o-Novo.

 

“Canto Primeiro” é o nome do seu primeiro disco, mas já pensa no segundo, provavelmente, a sair no próximo ano.

 

 

Quem é Beatriz Nunes, que conta já com um caminho tão valioso quanto ecléctico?

Sou cantora e compositora, lancei este ano o meu primeiro disco de música original onde faço uma exploração desses vários percursos prévios entre a música erudita, o Jazz e a música portuguesa. Este primeiro disco é de alguma forma uma síntese desse caminho eclético bem como a descoberta e inscrição de uma identidade própria.

 

 

O que podemos esperar do concerto que está já anunciado para o Misty Fest?

Serão quatro datas no Festival Misty Fest, onde com o meu quarteto farei a apresentação do disco. É um concerto intimista com um espaço equilibrado entre a exposição do repertório e momentos de improvisação.

 

 

Sei que esteve também no Artes à Rua, em Évora. Como correu?

Correu muito bem! Évora vai sendo uma cidade onde somos muito acarinhados e já temos uma boa relação.

 

 

Os Madredeus que importância tiveram neste percurso?

Os Madredeus foram como uma escola, onde aprendi muito sobre o processo de criar uma fantasia, um imaginário musical inerente ao projecto artístico. Essa forma de pensar a música como uma experiência total, ligada também a um carácter contemplativo, é um aspecto que penso que está também presente neste primeiro disco.

 

 

Da música clássica ao Jazz. Como foi construindo este percurso?

Comecei por estudar música erudita na Escola de Música do Conservatório Nacional onde completei o curso de Canto, mas na altura em que era finalista encontrei no Jazz a possibilidade de explorar a minha voz e a minha identidade musical de uma nova forma, em particular através da improvisação e interpretação. No entanto, é ainda na minha formação base erudita que continuo a recorrer a um certo rigor e inspiração.

 

 

O seu percurso em termos de aprendizagem é elogiado. Quais foram os maiores desafios na construção deste percurso?

Foram vários! A aprendizagem musical é um processo desgastante e que requer um investimento pessoal enorme. É necessário um grau de compromisso e dedicação total se quisermos atingir metas de nível profissional. Somos como atletas de alta competição onde a prática é fundamental, ao mesmo tempo que nos debatemos com vários momentos de insegurança e ansiedade. Acima de tudo, acabamos por perceber que a aprendizagem nunca acaba e fazendo uma citação que em inspirou recentemente -“There is no destination- only exploration, only practice”.

 

   

 

Sente que é parte integrante do futuro da música em Portugal?

Não consigo avaliar isso, mas não escrevo música com esse objectivo. Se a minha música inspirar e fizer eco em mais pessoas evidentemente que fico muito satisfeita, a música precisa de alguém que a queira ouvir.

 

 

Que planos tem para a sua carreira?

Pretendo gravar o meu próximo disco brevemente, idealmente a sair no próximo ano. Quero continuar a explorar as minhas raízes, cada vez mais fundo, voltando-me talvez agora para o Mediterrâneo, ao mesmo tempo que para uma ideia de continuidade e retorno.

 

 

O que considerará um fracasso caso não atinja?

Parar de cantar, parar de escrever música. Parar.

 

 

 

Qual a importância de integrar o cartaz do Misty Fest, tendo em conta a projecção deste festival?

Felizmente têm acontecido vários momentos felizes neste projecto, como ser seleccionada por um júri internacional para integrar os showcases da European Jazz Network, ou como o Canto Primeiro ter sido incluído na listas de melhor jazz de setembro da European Media Chart, o Misty Fest é um festival com muito reconhecimento e qualidade pelo cartaz que tem vindo a apresentar e portanto é uma alegria imensa estar num festival onde estão também Avishai Cohen ou Egberto Gismonti.

 

  

Haverá convidados em Lisboa?

O concerto será apresentado na formação de quarteto, sem convidados.

 

 

Quais os maiores desafios no mercado da música em Portugal?

Eu sou uma optimista e cada vez mais acredito que as pessoas estão dispostas a ouvir e apoiar os projetos portugueses, ainda por cima sendo este um disco de jazz completamente cantado em português, com várias referências culturais comuns ao nosso imaginário. A reacção tem sido surpreendentemente positiva e abrangente, pelo que só posso estar muito grata!

 

   

Que mensagem deixa aos leitores do Infocul?

Agradecimento pelo vosso tempo ao ler esta entrevista até ao fim e o convite para que estejam presentes nos concertos do Misty Fest dia 3 Novembro em Tavira, 6 Novembro em Lisboa, 10 Novembro em Espinho e 18 Novembro em Coimbra!

 

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Notícia publicada a 03/10/2018


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