O São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa, recebeu esta terça-feira mais um espectáculo inserido no festival Misty Fest. Beatriz Nunes actuou na Sala Bernardo Sassetti, pro muitos conhecida como Jardins de Inverno.

 

 

Beatriz Nunes apresentou-se em palco acompanhada por um trio composto por Luís Barrigas, Mário Franco e Jorge Moniz (piano, contrabaixo e bateria e percussão). Pudesse a beleza do intangível ser expressado num canto e seria pela voz de Beatriz Nunes que o conseguiríamos.

 

 

Beatriz Nunes dá-nos de beber com uma água vinda de várias fontes. Todas elas facilmente identificáveis e com cada uma a complementar as características das restantes.

 

 

Andorinhas” e “Ouroboros” abriram a noite, antes de saudar a plateia e expressar que estava “feliz por estar aqui e no Misty Fest”. Recordou o ano de 2012, quando esteve nesta mesma sala, na altura enquanto representante da Escola Superior de Música de Lisboa.

 

Do cancioneiro tradicional alentejano trouxe “Aurora tem um menino” com novo arranjo, numa versão que nos deixa entre o tradicional e o erudito.

 

 

A música que Beatriz Nunes nos dá a conhecer não poder ser etiquetada ou colocada em prateleiras. É fruto de várias sementes, todas elas de enorme valia, e ganham dimensão na voz da intérprete que faz do seu trio musical uma âncora, num resultado em que a componente vocal e instrumental respiram pelos seus próprios tempos aceitando-se uma à outra e potenciando-se entre si.

 

 

Canto primeiro” é o seu primeiro disco de originais e quase todas as composições contam com o seu cunho. Ao São Luiz trouxe “Sul e Sueste”, um tema que aborda a vida na margem sul e a ligação ao Tejo, “Canção da Paciência”, de Zeca Afonso, “Resistência”, que escreveu há quatro anos numa época crítica em termos políticos e sociais, ou ainda “Pedras”.

 

 

Beatriz Nunes tem a formação clássica, a aprendizagem nos Madredeus e tem parte do futuro da música portuguesa dependente de si. Beatriz tem a responsabilidade de dar a esta e futuras gerações música de qualidade. Tão grande quanto a sua sensibilidade e canto. As suas mudanças de registo no mesmo tema são executadas brilhantemente. A dicção é perfeita, o respeito pela palavra é total e constante.

 

 

Que extraordinário espectáculo!

 

 

Fotografia: Arquivo (Facebook Beatriz Nunes)

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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