Buika com concerto memorável no Coliseu dos Recreios

 

 

O Coliseu dos Recreios foi palco esta sexta-feira, 31 de Maio, de um extraordinário concerto de Buika.

María Concepción Balboa Buika, artisticamente conhecida como Concha Buika ou simplesmente Buika, é dona de uma voz poderosa, inquietante e profundamente comovente. Mas Buika é muito mais que adjectivos ou palavras vãs, Buika é arte e permite-nos acreditar que as palavras que magoam na realidade são as mesmas que podem curar quando cantadas pelas predestinados.

Com Africa Speaks na bagagem, a cantora espanhola trouxe um espectáculo imaculado a Portugal com um alinhamento arrebatador e uma concepção de espectáculo apostada no minimalismo e na valorização do instrumental e da sua voz. Aposta acertada, público verdadeiramente rendido e no bolso!

A cantora que apostou numa linguagem muito próxima com o público, que preencheu metade da lotação máxima do coliseu preenchendo bem a plateia, começando por agradecer “terem vindo” e revelando que estava “um pouco nervosa, e gosto de estar nervosa”, explicando que “é quando estamos nervosos que se cometem os maiores pecados”. Dedicou este espectáculo “a todos os que nos querem”.

“Niña de Fiesta” foi tiro de partida para um espectáculo no qual promoveu festa e contemplação, paixão e desejo, abordando ainda, através das canções, temáticas como a tristeza e desilusão, seguindo depois para “Vete que te quiero”.

Buika apostou numa linguagem acessível, de palavras fortes, de factos reais. Falou de amor como quem sente sede em dia de intenso calor, porque é o amor que nos salva. E a voz de Buika faz-nos acreditar que a arte é integrante importantíssima do amor, pela forma como nos ajuda a entender melhor que a vida é bem melhor quando vivida intensamente.

Com a mesma intensidade com que Buika projecta uma paleta de emoções na sua voz como fê-lo brilhantemente em temas como “Loca”, “Death is not the end” (explicando que a morte não é o fim, e dando exemplos dos términos das relações), na bonita homenagem a Cesária Évora em “Sodade”, na extraordinária interpretação de “Jodida pero Contenta”, e em vários outros momentos que culminaram em apoteose total.

Destaque ainda para os extraordinários músicos que a acompanharam. Noite memorável no Coliseu dos Recreios, pena a falta da pública para tão distinta artista!

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