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No segundo e último dia da quinta edição do festival Caixa Alfama, houve bons momentos de fado, boas interpretações, distintas gerações a mostrarem que o fado não é novo nem é velho, é uma tradição que se renova.

 

 

 

 

Nathalie abriu as actuações no palco do Restaurante do Museu do Fado. A fadista luso-americana esteve melhor comparativamente ao espectáculo do ano passado neste mesmo festival. Está mais segura, com uma dicção melhor, sentindo melhor aquilo que canta e conseguindo comunicar melhor, nos vários momentos do espectáculo, com o público. Há ainda muito para evoluir, mas certamente o conseguirá. Esteve acompanhada em palco por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira na viola de Bernardo Moreira no contrabaixo. Em termos de alinhamento, viajou por alguns clássicos do fado, por temas novos que constarão do disco que está a gravar e ainda por alguns temas da anterior discografia, como “Madrugada de Alfama”, “Chapéu Escuro” ou “Maria”.

 

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Tânia Oleiro subiu ao mesmo palco, logo a seguir a Nathalie. A voz, a interpretação, o sentimento, a emoção são as características maiores das suas actuações. Sabe colocar bem a voz, está cada vez mais comunicativa com o público e consegue dar a interpretação correcta a cada poema, fugindo dos exageros e do que lhe poderia proporcionar aplausos fáceis. Conquista-os em qualidade ao invés da quantidade, embora ontem tenha tido bastantes e sonoros.  É uma voz com largo futuro mas de respeito ao passado. Esteve acompanhada por Ricardo Parreira na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes na viola de fado e Francisco Gaspar no baixo. Homenageou Maria do Rosário Bettencourt, Fernanda Maria, José Carvalhinho e Linhares Barbosa e ainda passou pelo seu recente e primeiro disco “Terços de Fado”. Um dos melhores concertos deste segundo dia. Tudo feito com equilíbrio, naturalmente e sem exageros. Até pareceu simples cantar fado!

 

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No Palco da Rádio Amália, localizado na Abreu Advogados, actuou o jovem Buba Espinho. O menino está a ficar um senhor em palco. Sabe qual o caminho por onde quer ir, não abdica da sua essência, canta o que sente e sente o que canta. O sotaque alentejano não engana, é lá, no Alentejo,  que está um dos nomes maiores do futuro da música portuguesa. Se no Cante Alentejano já todos sabem a sua valia, no Fado começa a mostrar talento e sensibilidade. Tem um timbre muto bonito, uma colocação de voz correcta, sabe fazer muito bem as passagens de registos, sendo que a sua voz tem uma grande amplitude. Muito bem no Fado Loucura, e melhor ainda ao apostar num alinhamento tipicamente fadista. Aguçou o apetite para o disco que sairá em 2018. Entretanto, ouçam-no nos espectáculos que vai dando ou nas Casas de Fado. Esteve em palco acompanhado por Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa, João Domingos na viola de fado e Gustavo Roriz no baixo.

 

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No Centro Cultural Dr. Magalhães Lima, Alexandra deu um verdadeiro espectáculo. Esteve muito bem a intérprete de fado, com um repertório que passou pelo fado tradicional, marchas e folclore tradicional português. Abriu o espectáculo com “Zé Brasileiro, Português de Braga”, cantou o primeiro fado que aprendeu, “Fado da Solidão”, fez a sala explodir de alegria com a “Grande Marcha de Alfama”, esteve segura e com fulgor na interpretação de “Nem às paredes confesso”. Na “Lágrima” conseguiu emocionar quem ouvia e entende o poema, e no folclore colocou o público a trautear, algo que foi tentando fazer durante muitos dos temas do seu espectáculo. Alexandra é uma artista por inteiro, versátil e com interpretação de qualidade. Esteve acompanhada por Guilherme Banza na guitarra portuguesa, Miguel Ramos na viola de fado e Filipe Larsen no baixo. Foi ainda homenageada pela Marcha de Alfama.

 

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Muitos mais concertos houve por vários espaços em Alfama, alguns dos quais, daremos destaque através de galerias fotográficas.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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