Caixa Alfama fechou primeiro com um mar de gente junto ao Tejo a ouvir Carminho

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No primeiro dia da quarta edição do Caixa Alfama e por entre os muitos espectáculos que se realizaram em Alfama, apresentamos os de Carla Pires, Fábia Rebordão e Carminho.

 

 

 

Carla Pires é uma das vozes do Fado com um historial notório e um percurso invejável de espectáculos no estrangeiro com mais de 350 presenças efectuadas em pacos de vinte e um países de quatro continentes.

 

 

No Festival Caixa Alfama, a decorrer entre 23 e 24 de Julho, em Lisboa, Carla Pires foi uma das primeiras fadista a subir ao palco na primeira noite, acompanhada por Bruno Mira na guitarra portuguesa, Pedro Pinhal na guitarra clássica e Marino De Freitas no baixo.

 

 

Neste espectáculo a fadista deu-nos a conhecer alguns temas do seu novo trabalho, ” Aqui”, e simultaneamente fez uma incursão a alguns temas que já a acompanham em espectáculos anteriores.

 

 

Carla começou por interpretar o tema que dá título ao seu álbum, “Aqui”. Assistimos a uma perfeita homenagem a Lisboa. A primeira parte foi interpretada à capella, sendo evidente a ternura com que a fadista “saboreava” cada palavra. Carla Pires apresentou-se e deu as boas vindas ao público.

 

 

De seguida, ” Nos rios dessa boca”, de Pedro Abreu Lima e de António Zambujo, marcou uma interpretação muito cúmplice dentro de toda a equipa. Um tema cujas características de composição nos fez rapidamente chegar ao seu autor.

 

 

“Tango quase Fado”, de Rosa Lobato de Faria e Mário Pacheco, pela mistura de sonoridades prendeu atenção do público do princípio ao fim, fazendo, por vezes, recuar no tempo e encontrar ” Tango Ribeirinho”. Carla Pires interpreta esta simbiose plena de alma e com uma alegria no olhar, deveras contagiante.

 

 

O Restaurante do Museu do Fado não estava esgotado, mas o apoio do público foi uma constante.

 

 

De José Carlos Ary dos Santos e Fernando Tordo, “Cavalo à solta” chegou-nos esta noite pela voz da Carla Pires. Como foi mencionado anteriormente, trata-se de um clássico, que se percebe o quanto é apreciado pela intérprete, ao mostrar o perfeito domínio do tema.

 

 

Chegou o momento da segunda homenagem da noite, ao Professor Mário Moniz Pereira. Carla escolheu o Fado Varina também de Ary dos Santos. Aqui Bruno Mira fez um pequeno solo que enriqueceu a interpretação.

 

 

O tema seguinte era resultado de um desafio que Carlos Duarte Leitão fez a Carla Pires. Escreveu uma quadra que falava da noite e desafiou a fadista a terminar o resto do poema, para o qual Pedro Pinhal fez a composição. E assim, nasceu ” Noites Perdidas”.

 

 

Carla voltou neste momento a fazer uma incursão nos clássicos, dando-nos a conhecer a sua interpretação de ” Trago Fado nos Sentidos”, de Amália Rodrigues e José Fontes Rocha. O seu recolhimento para uma interpretação muito sentida.

 

 

“Mãe Negra”, poema escrito pela angolana Alda Lara e interpretado já por outros nomes da música portuguesa como Dulce Pontes ou Paulo de Carvalho, na maioria das vezes foi mais um clássico de que Carla Pires não se ausentou na noite passada, interpretando-o à capella com um ligeiro acompanhamento instrumental.

 

 

Aqui a intérprete deu espaço para um solo por parte de cada um dos músicos e, simultaneamente para os apresentar.

 

 

Estes foram alguns dos temas com que Carla Pires conquistou o público do Restaurante do Museu do Fado, tornando-se um momento muito apelativo para as expectativas de todos quantos aderiram a este festival.

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Fábia Rebordão, a fadista que agora interpreta um conjunto de temas com influências africanas e brasileiras, fez do seu espectáculo uma festa.

 

 

A intérprete, com toda a sua jovialidade queria fazer saber ao mundo, neste caso, aos espectadores presentes no Largo das Alcaçarias, o quão feliz estava pelo lançamento do seu primeiro trabalho, “Eu”, naquele mesmo dia.

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Fábia entrou em palco com um atraso de 20 minutos. À sua espera estavam os quatro músicos que a acompanharam no seu espectáculo. Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa, José Domingos na viola de Fado, José Ganchinho no baixo e Ivo Martins na bateria.

 

 

Com toda a sua energia, contrastando com um olhar doce e sereno a intérprete marcou a sua presença em palco de uma forma ímpar.

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Os seus gestos firmes, o desfilar pelo palco ” de olhos fechados”, a forma súbita como, por vezes, termina certos temas, traduz-nos uma Fábia disposta a enfrentar novas aventuras.

 

 

A cantora diz-se também muito feliz porque deste CD fazem parte pessoas que ela muito preza e grandes amigos.

 

 

Durante a sua actuação constatavam-se expressões faciais em contraste com expressões corporais muito intensas. Era também muito notória uma grande projecção de voz feita naturalmente. Em muitos dos seus temas, ao contrário do que é frequente, assistimos a intervenções instrumentais mais prolongadas.

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Fábia deu início ao Concerto com “Alice”, letra de Rui Rocha e música de Miguel Rebelo. Logo em segundo lugar ” Pergunta a quem quiseres”, de Mário Pacheco e Alfredo Marceneiro, foi um tema já bastante ovacionado, assistindo-se a partir daí a um crescendo até à apoteose final.

 

 

O público estava conquistado e todos os olhares concentravam-se em Fábia Rebordão, sempre com uma resposta afirmativa e imediata a qualquer solicitação da cantora. A fadista, por sua vez, dando a máxima atenção ao público, trocava igualmente, inúmeras vezes olhares com os músicos, para que o sucesso da noite estivesse garantido.

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“Retorno”, com letra e música da própria intérprete, podemos dizer que foi praticamente coreografado do princípio ao fim.

 

 

A cantora dança em palco. O tema é intercalado por ritmos mais lentos com outros bem mais acelerados.

 

 

“Morri por hoje” foi o terceiro tema oferecido ao público, no qual Fábia fez referência ao autor da letra e da música- Jorge Fernando. Também aqui são evidentes as características deste autor e compositor. Assistimos a uma grande entrega da Fábia, com intensa expressão corporal. Novamente um tema muito aplaudido.

 

 

A mesma intensidade gestual encontra-se em “Alfama”. Um fado em que a fadista estila por diversas vezes, deixando o público ao rubro. “Canção do Amor” foi-lhe oferecida por Tozé Brito, que diz ser alguém que muito admira e um amigo.

 

 

Foi chegado o momento de “Falem Agora” , o tema que melhor define o seu “Eu”, segundo palavras da própria. O público interagiu durante toda esta canção. “99” é interpretado de uma forma mais serena e com uma grande atenção para com os músicos.

 

 

Depois de “Mariquinhas (Dar de Beber à Dor) “, Fábia apresentou os músicos e interpretou novamente “Falem Agora”. Foi pedido, por parte do público um “encore”, que não aconteceu. Era visível a vontade das pessoas em permanecerem naquele espaço. Tínhamos assistido à magia. do novo em Fábia Rebordão.

 

 

A primeira noite do Festival Caixa Alfama terminou com o espectáculo de Carminho pelas 00:00 no Palco Caixa.

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A acompanhá-la estiveram Luís Guerreiro na guitarra portuguesa, Marino de Freitas no baixo, Flávio César Cordeiro na viola de Fado e Vítor Costa nas percussões.

 

 

O espaço estava lotado pelo muito público que ali acorreu, sendo também identificáveis muitos colegas seus fadistas.

 

 

Carminho interpretou “Meu Corpo” numa clara homenagem a Beatriz da Conceição, que eternizou o tema, “As pedras da minha rua” e “Saia Rodada” foram os temas que de seguida agarraram o público, no final dos quais cumprimentou pela primeira vez o mar de gente que se encontrava de frente para o Tejo e com o casario de Alfama como pano de fundo.

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Carminho dizia-se em casa, no bairro que a acolheu aos 11 anos, numa casa de fado. Bem-disposta, sorridente, e com frequentes brincadeiras na interacção com o público, foi assim que Carminho se apresentou em palco.

 

 

A certo momento senta-se e faz um dueto com Flávio… Apesar de estar em Alfama, faz saber ao público que cantaria de seguida a Bia da Mouraria e nessa sequência sensibiliza para a necessidade de falta de rivalidade entre os bairros da cidade.

 

 

No final de cada tema Carminho foi sempre muito aplaudida. Interpreta temas com influência brasileira como ” Chuva no Mar”, que lhe foi oferecido por Marisa Monte. “Senhora da Nazaré” foi um tema com direito a uma explicação prévia e tambem também muito aplaudido pelo público.

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Seguiu-se um momento instrumental. “Meu Amor Marinheiro” foi interpretado à capella constituindo um momento maior do espectáculo. Carminho contou a história do heterónimo feminino de Fernando Pessoa, Maria José, e interpretou o tema que daí surgiu – “Bom dia Amor”.

 

 

 A chegar ao fim do espectáculo, Carminho canta ” Alfama”. Enquanto uns vão abandonando o espaço outros dançam descontraidamente. Despede-se com ” Escrevi teu nome no Vento”, e já em encore oferece-nos “Velha Tendinha” e “As minhas penas”, o fado que cantava no Embossado, metade à capela. E mais uma vez “Saia Rodada.”

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