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O Fado invade Alfama pelo quinto ano consecutivo, através do Festival Caixa Alfama que proporciona 40 espectáculos de fado em 10 espaços do típico bairro lisboeta. No primeiro dia destacam-se, pela positiva, as actuações de Teresinha Landeiro, Miguel Ramos, Marina Mota e Filipa Cardoso.

 

 

Um dos principais segredos deste festival é levar um roteiro previamente definido, de modo a conseguir ver os espectáculos pretendidos, partindo do pressuposto que é humanamente impossível ver todos os espectáculos.

 

 

O Festival Caixa Alfama abriu a sua quinta edição, 15 de Setembro, com a actuação de Teresinha Landeiro no Restaurante do Museu do Fado. A fadista esteve segura, a não tremer perante a responsabilidade e a conseguir agarrar o público desde o inicio do espectáculo. Esteve acompanhada por Pedro de Castro na guitarra portuguesa, André Ramos na viola de fado e Francisco Gaspar no baixo. A sua interpretação é cada vez melhor, no conteúdo e na forma como apresenta o poema ao público e lhe transmite as emoções correctas. Começa também a ganhar cada vez mais uma noção de espectáculo, desde o posicionamento em palco até aos momento em que interage com o público. Teresinha Landeiro está num caminho correcto, de crescimento sustentado, sem pressas…

 

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Diogo Clemente subiu a palco no Largo das Alcaçarias, Palco Ermelinda de Freitas. De reconhecido valor como instrumentista, produtor, compositor e letrista, Diogo Clemente veio ao Caixa Alfama mostrar que também sabe, e bem, cantar. Tem perfeita noção de como transmitir a mensagem em cada tema, não tem uma grande amplitude vocal, mas tem técnica e sentimento. O alinhamento escolhido para este espectáculo não foi totalmente feliz, com o público a fazer-se sentir em maior número e entusiasmo apenas na parte final do espectáculo.

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Miguel Ramos é um caso de talento impar. Tem tudo: técnica, sentimento, garra, emoção, carisma e sabe estar em palco. O disco “Aqui na Alma” é um regalo para quem ouve, contando com a produção de Diogo Clemente, e no Caixa Alfama foi possível ouvir um pouco deste trabalho. Mas Miguel deu muito mais que um disco ao público, deu um concerto de qualidade superior no Largo das Alcaçarias, Palco Ermelinda de Freitas, com uma boa moldura humana que o acarinhou. Esteve acompanhado por Guilherme Banza na guitarra portuguesa e Filipe Larson no baixo. No primeiro tema, “Aqui na Alma” contou com Diogo Clemente na viola.

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José Gonçalez e Sangre Ibérico abriram as actuações no Palco Caixa. Os Sangre Ibérico estão num plano de crescimento sustentável: têm talento, são dos melhores projectos que surgiram nos últimos anos e conseguem uma interessante ligação entre o fado e o flamenco. Foi isso que vieram mostrar ao Caixa Alfama e a espaços agradaram bastante ao público que os aplaudiu, cantou com eles e em alguns casos bailou. José Gonçalez, programador do festival, subiu pela primeira vez ao palco principal do festival, embora a sua presença seja regular desde a primeira edição. José Gonçalez esteve inseguro e com pouca transmissão das emoções que poemas de Pedro Homem de Melo e Carlos Paião facilmente transmitem. A sua voz não é de grande amplitude e numa suspensão, incorrecta, demonstrou isso. Tem como grande aliada das suas actuações, uma dicção perfeita, talvez pelo respeito que tem pela palavra e pela transmissão da mesma. Houve dois patamares qualitativos diferenciados em palco: Sangre Ibérico acima de José Gonçalez. O público foi aumentando ao longo do concerto embora longe de esgotar o recinto junto ao Tejo. Houve ainda momentos em que José Gonçalez e Sangre Ibérico actuaram juntos e ai denotou-se uma química entre os artistas com as interpretações a fluírem bem. Estiveram em palco com Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa, André Ramos na viola de fado, Pity no baixo e Rafa Zamorano na percussão. Como balanço, este espectáculo teria resultado melhor num outro palco, mais intimista…

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Marina Mota regressou ao Caixa Alfama depois do sucesso aqui obtido no ano passado, no Centro Cultural Magalhães Lima. Este ano subiu ao palco Caixa e esteve muito bem. Marina é uma artista de vastos recursos vocais e interpretativos, com a sua linguagem corporal a conseguir dar maior força às palavras cantadas. Acompanhada por Guilherme Banza na guitarra portuguesa, Flávio César Cardoso no baixo e Francisco Sobral no baixo, a artista contou com boa presença de público que a acarinhou, deixando-a em alguns momentos emocionada e “retirando grande parte dos nervos”. “Sombras da Madrugada”, “Meu amor Marinheiro” ou “Reza por Mim Lisboa” foram alguns dos temas em que brilhou, havendo ainda tempo para passar pelas marchas. Marina Mota foi responsável por um dos grandes concertos deste primeiro dia de Festival.

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Filipa Cardoso deu um enorme concerto, mais um, no Festival Caixa Alfama. Em cada participação neste festival, Filipa Cardoso não deixa créditos em mãos alheias. Este ano teve mais um obstáculo: uma lesão nas cordas vocais, que a impediu de estar na melhor forma. Mas a única questão que isso alterou foi impedir a artista de ir às notas mais altas. Porque em termos de interpretação, afinação, dicção e sentimento, estiveram todos e em doses bem equilibradas. A cada tema um aplauso sonoro, em alguns dos temas o público aplaudiu mesmo de pé. É dos nomes maiores do fado, na actualidade, tem carisma e o mundo para conquistar. Quem gostar de fado, deve pelo menos uma vez na vida, ver e ouvir um espectáculo de Filipa Cardoso. É contagiante a sua energia em palco, a capacidade de levar o ambiente da casa de fado e de bairro para um palco. Brilhante! O Palco da Rádio Amália, na Sociedade Abreu Advogados, esteve completamente esgotado!

 

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O Caixa Alfama termina hoje a sua quinta edição.

 

Fotografias: Alfredo Matos
Miguel Louro Costa
João de Sousa

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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