A Praça de Touros Manuel dos Santos, nas Caldas da Rainha, recebeu esta quinta-feira, 15 de Agosto e feriado nacional, a primeira corrida Coparias. A corrida partiu assim de uma parceria entre o bar ‘mais’ emblemático da Feira da Golegã e Rafael Vilhais Empresa Unipessoal.

Em praça os cavaleiros António Ribeiro Telles, Filipe Gonçalves e Francisco Palha. Frente a touros da ganadaria Vale do Sorraia, pegaram os forcados amadores de Santarém e Caldas da Rainha.

Uma tarde ventosa, com excelente ambiente nas bancadas mas com pouco ‘conteúdo na arena’.

 

Lides:

António Ribeiro Telles não teve uma primeira lide de grande nível, embora positiva. Frente a um touro com pouca apresentação, largo de córnea, com mobilidade mas sem transmissão, destacam-se os segundo e terceiro curtos, pelo desenho da sorte e momento da reunião. Culminou com dois palmitos, numa lide em que nunca conseguir romper para plano triunfal.

No seu segundo touro, começou com uma sorte gaiola que resultou mal. O primeiro comprido resultou traseiro e a lide teimava em não entrar no nível que é esperado de Telles. Nos curtos melhorou e tem três cravagens de bom nível, com sortes bem desenhadas e reuniões ajustadas. Não foi a tarde mais inspirada de Telles, tendo em conta o nível a que nos habituou e que se espera do cavaleiro da Torrinha.

Filipe Gonçalves teve uma primeira lide com mais ‘som’ do que técnica mas que agradou sobremaneira ao público. Após dois compridos regulares e trocar de montada, apostou numa brega vistosa a duas pistas, levando o touro no encalço do cavalo. Uma série de quatro curtos sempre com batida ao piton contrário, no qual o primeiro foi o de melhor nota resultando numa reunião ajustada e rematado com piruetas cingidas na cara do touro. Culminou com a terceira montada, o cavalo que bate palmas, cravando um ferro em sorte de violino e um palmito. Exagerou na excentricidade comunicativa com o público. Não acrescenta nada à qualidade de lide. Uma lide positiva de Filipe Gonçalves frente a um touro colaborante.

A segunda lide é de menor intensidade e qualidade. Tenta uma sorte gaiola mas falha o momento da reunião. Tem dois ou três toques na montada, durante a lide, que lhe retiram brilho. No primeiro disse alto e bom som para a bancada “às vezes também toca”… A lide continuou com cariz irregular. Terminou com um bom palmito. Importante dizer que o touro, de escassa apresentação e largo de córnea, foi manso e sem transmissão alguma.

Francisco Palha teve um primeiro touro, o terceiro da corrida, bem apresentado, largo de córnea, com mobilidade mas distraído e com alguma tendência para terrenos interiores. Uma lide em patamar positivo, com três curtos de boa nota (bem na brega, desenho da sorte, reunião e remate), culminando com um ferro em sorte de violino e um palmito.

O último touro da corrida, sexto, e segundo lidado por Palha foi o mais pesado da corrida, com 535 Kg. Harmonioso, com mobilidade e colaborante. Francisco Palha esteve num patamar muito meritório. Após a cravagem comprida, e alguma demora na troca de montada, foi um verdadeiro compêndio de classe, escolha de terrenos, apostando em sortes frontais e cravando a preceito. Cada ferro a elevar a qualidade do anterior, numa sucessão de cravagens que agradaram ao público. A brega e escolha dos terrenos revelou astúcia do cavaleiro e que lhe permitiu colher frutos na cravagem dos ferros. A lide de melhor valia, nas Caldas da Rainha.

Pegas:

Santarém: Salvador Ribeiro de Almeida (3ª tentativa); Joaquim Grave (2ª tentativa); António Melo (1ª tentativa).

Caldas da Rainha: António Cunha (1ª tentativa); Lourenço Palha (1ª tentativa); Francisco Esteves (1ª tentativa).

Destaque para as pegas protagonizadas por Joaquim Grave e Francisco Esteves. De grande valia e qualidade!

Touros:

Vale Sorraia é das ganadarias que, haitualmente, permite triunfo a forcados, cavaleiros e matadores. Teve o seu início no ano de 1947 através do maestre David Ribeiro Telles e o seu irmão, com reses de Pinto Barreiros e Dr. António Silva. 20 anos depois este efectivo foi transferido para a divisa David Ribeiro Telles, sendo substituído com reses de encaste português, originárias de Norberto Pedroso, Branco Teixeira e Palha Blanco. Já em 1970 ganha a designação actual, Vale Sorraia, com um efectivo reduzido, revitalizando-se em 86 através de vacas Passanha, Ribeiro Telles e Irmãos Dias, procedentes de Norberto Pedroso, como eram os sementais.

Nas Caldas da Rainha assistiu-se a um curro de apresentação disforme e irregular, distintos comportamentos mas a deixarem-se lidar. Um curro pouco interessante, mas aceitável.

Direcção de Corrida: Corrida dirigida por Ana Pimenta, assessorada por José Manuel Lourenço.

 

 

Lotação: Esgotado!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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