“Caminho Live Session” é o EP de Martim Vicente que nos revela que recebeu “Um nude. Que educadamente bloqueei com aviso prévio”

“Caminho Live Session” é o EP de Martim Vicente que, estando já disponível nas plataformas digitais, conta com Carolina Deslandes, Dino D’Santiago e João Campos como convidados.

Martim Vicente conversou com o Infocul e explicou a necessidade deste EP, que conta com 5 temas.

Com este EP, Martim Vicente edita agora em formato digital, canções que até então só era possível serem ouvidas através de vídeos no Youtube.

Carolina Deslandes tem a sua participação especial em “Eram Os Teus Olhos”. A canção “Dia Só” conta com Dino D’Santiago, acompanhada pelo trio de fado composto por Ângelo Freire, Diogo Clemente e Marino Freitas. João Campos participa em “Meu Amor de Não Amor”. Nos dois temas, que completam o disco, participam os músicos Pedro Pity, Nélson Canoa, Guilha Marinho e Vicky Marques.

 

O que mudou entre o jovem que se deu a conhecer no programa Ídolos, em 2010, e o que agora apresenta o EP ‘Caminho Live Session’?

Muita coisa obviamente. Com praticamente mais 10 anos em cima a maturidade emocional e musical penso ser o mais relevante. No Ídolos era um jovem convencido do que era à procura de um bom desafio, agora sou um não tão jovem convencido que a descoberta será até ao fim da vida. Mas tudo com o mesmo grau de intensidade de há 10 anos.

Porquê lançar este EP, depois de ter lançado um disco com o mesmo nome?

Este EP nasce principalmente a pedido dos fãs. O CAMINHO Live Session era um projecto vídeo que apenas se apresentava pelo YouTube. O objectivo tinha sido aliar amigos de várias áreas às músicas que tinha lançado com uma componente visual muito forte (cenário, pintura, história, sociedade, etc.). Mas estas versões foram muito acarinhadas pelas pessoas com reacções que me emocionaram por vezes e muitos, muitos pedidos que elas não figurassem apenas no YouTube. As pessoas queriam-nas na mão de uma forma mais prática. Por isso a edição em formato digital áudio deste projecto.

Como está a adaptar-se a esta nova forma de viver em que não saímos de casa a não ser pelas redes sociais?

Muito bem para já. Têm apresentado alguns novos desafios. Eu não sou um dos casos de pessoas que não saem até à rua há semanas porque estou a apoiar familiares que fazem parte dos grupos de risco. Por isso, todas as semanas tenho saído uma vez de casa. Mas tendo em conta o constante alerta quanto à nossa protecção que tenho de ter fora de portas, sinceramente, as saídas de casa não são de todo a minha parte favorita ou um desanuviar. Sinto-me mais seguro sem dúvida em casa. E os novos meios de comunicação têm sido uma grande bênção para o contacto constante com amigos e familiares.

É possível criar ligação com o público apenas através das redes sociais ou os afectos têm também um papel preponderante?

Para já, neste momento é a única forma, por isso acredito que sim. As redes sociais permitem-nos manter o contacto e principalmente o feedback do público quanto ao nosso trabalho. Claro que as palmas ou mesmo os apupos são diferentes, não fazem barulho. Mas mantêm-se sérios e objecto de reflexão sempre.

Neste EP conta com convidados. Porquê a escolha de cada um deles?

Por duas razões: em 1º a relação de amizade forte e pessoal com cada um deles, em 2º a genialidade musical de cada um que acredito que elevaram todas as minhas canções para um patamar acima do que estavam.

Nesta fase tem dado concertos na varanda e participado em iniciativas de cariz solidário. Sente que é uma ‘obrigação’ sua continuar a ajudar os outros (através da sua música), mesmo tendo em conta que os artistas são dos mais afectados por esta situação?

Sem dúvida. O amor para mim é dar sem esperar nada em troca. Ainda que esteja a ser cada vez mais claro que a cultura é tão urgente como também menosprezada, a minha missão continua a ser dar. Mas obviamente dar de acordo com aquilo que acredito que possa transformar no público. Não dar apenas para entreter ou deixar-me ser explorado por aqueles que não querem “pagar” pela cultura.

Cinco temas gravados em cinco locais diferentes. Qual o significado de cada um dos locais?

Nos vídeos do YouTube tenho uma locução que explica mais liricamente cada um deles, mas tentando ser sintético:

1 – “Eram Os Teus Olhos” foi gravada na minha antiga escola na Amadora. Além de nostálgico tinha o objectivo de ter um bom quadro a giz para o Pedro Versteeg fazer aquele trabalho maravilhoso de uma pintura inspirada na canção.

2 – “Dia Só” foi gravada no Clube de Fado em Alfama para representar o meu lado mais português quanto às minhas inspirações musicais. O Dino traz o meu lado mais africano ao mesmo tempo.

3 – “Eu Gostava De Ir Um Dia à Lua” foi gravada no planetário de Lisboa por uma alusão clara à temática da música.

4 – “Meu Amor De Não Amor” foi gravada no Conservatório Nacional de Música. A minha segunda casa de educação. Estudei 8 anos naquelas paredes onde me formei como músico. Aliado claro também ao convite que fiz ao Guilherme Rodrigues (violoncelista) que foi meu amigo e colega nessa mesma escola.

5 – “Caminho” foi gravada no Palácio do Borja (actual agência Partners). O objectivo era ter um espaço amplo, bonito mas vazio para que esta canção (que é a mais íntima e pessoal do disco) pudesse viver apenas dela e não do local.

Sente que o público valorizará mais a cultura depois desta pandemia?

Tento acreditar que sim. O facto dela estar mais presente na vida de cada um e ser uma das poucas coisas a que se podem agarrar, vai trazer algum carinho diferente por ela. No entanto, na minha opinião, tem de haver um caminho mais efectivo quanto ao educar as pessoas para a valorização da mesma. Porque sem essa educação, muitos vão admitir depois disto que a cultura lhes salvou a sanidade mental, mas ao mesmo tempo vão continuar a fazer pirataria para adquirir os conteúdos ou a achar caríssimo pagar 10 ou 15€ por um concerto ao vivo de um artista. Vão fazer sempre contas que um bilhete de festival por 70€ lhes dará acesso a mais que 7 artistas e outras coisas mesmo que não desfrutem do mesmo.

Essa educação deve partir de cada casa e, mas em primeira instância do Estado, através do financiamento para a cultura, na temática ser mais valorizada e incisiva nas escolas desde cedo e nos conteúdos programáticos da própria imprensa e programação televisiva.

Qual o seu maior receio, actualmente?

Tento viver a vida sem grandes receios nesta altura. Sou Cristão e acredito num Deus vivo que age como um Pai e que tem tudo sobre um controlo inatingível e (às vezes) incompreensível e que como filho confio no Seu cuidado total.

Claro que, como todos, fico sempre apreensivo de poder ter de passar pela perda de alguém próximo de mim devido a esta pandemia. Mas não me preocupo com o amanhã, a cada dia basta o seu problema.

Onde pode o público interagir consigo?

Nas minhas redes sociais. Tenho estado mais atento que nunca a elas e tentado reagir aos comentários e perguntas de cada um.

Qual a mensagem mais provocadora que já recebeu e qual foi a sua reacção?

Um nude. Que educadamente bloqueei com aviso prévio.

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

 Em primeiro, de esperança, porque nas crises e momentos de dor podemos encontrar o real valor de coisas que estávamos a deixar para trás.

Em segundo, de apoio e respeito para com a cultura. Sigam os vossos artistas nas redes sociais, deem gosto nas publicações, partilhem, comprem os conteúdos digitais. Para nós será um sinal de esperança e grande encorajamento para o nosso futuro também.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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