O Campo Pequeno recebeu esta quinta-feira, 25 de Julho, mais uma corrida do seu abono 2019. Em praça um dos mais rematados cartéis que este ano se apresenta na capital. Frente a touros da ganadaria Murteira Grave estiveram os cavaleiros João Ribeiro Telles, Francisco Palha e Luís Rouxinol Jr., além dos forcados de Santarém e Coruche.

Lides: Telles, Palha e Rouxinol com uma boa lide cada

João Ribeiro Telles desenhou uma primeira lide de qualidade. Dois compridos regulares e uma brega a duas pistas levando o touro na garupa do cavalo a anteceder a série de curtos, nos quais tem os dois primeiros de bom nível, o terceiro pecou por abrir demasiado o quarteio. Telles entendeu o oponente e exceptuando uma passagem em falso, fez tudo com uma cadência apreciável, temple e mandando do início ao fim da lide. Terminou com um quarto curto de boa nota.

Na sua segunda lide, João Telles não conseguiu atingir o nível da primeira. Demasiado excêntrico na postura em praça e a pecar na vertente técnica. Teve três bons ferros curtos, contudo foram várias as passagens em falso e até um toque na montada evitável que retiraram qualidade a esta lide. Era evitável o último ferro curto. Para o que pode fazer, Telles não cumpriu expectativas nesta segunda passagem pela arena lisboeta.

O segundo touro da noite, destinado a Francisco Palha, lesionou-se ao sair à arena tendo de ser recolhido. Assim, Palha lidou o que lhe estava destinado à sua segunda lide, com 554 Kg. Francisco Palha é arriscado e aposta nesse toureio. Frente a um primeiro touro que foi de mais a menos e a falhar nas reuniões, Palha nem sempre o soube entender. Uma lide em que foi porfiando mas em que a emoção nem sempre esteve presente, assim como a qualidade que lhe é reconhecida. A brega pecou por falta e as sortes nem sempre foram bem desenhadas. Dois bons ferros, curtos, foram o melhor conseguido. Palha recusou, e bem, dar volta de agradecimento, apesar de autorizada.

Na segunda lide, diante do touro sobrero, esteve mais próximo da qualidade reconhecida. Um toureiro que sabe estar em praça, que lida na verdadeira acepção da palavra, que desenvolve actuação com base na potencialização das características do oponente. Ver Palha neste patamar é um regalo, falhou a cravagem de dois ferros por faltar touro na reunião, mas tudo o resto (e foi muito) foi de qualidade superior, de maturidade e de arte, de cadência harmoniosa na actuação. Grande lide de Palha.

Luís Rouxinol Jr. esteve muito bem diante do seu primeiro touro e a actuação deveria ter merecido mais eco por parte das bancadas. Rápido entendimento do oponente, seleccionou criteriosamente os terrenos e mais do que isso, toureou o oponente, ‘enchendo’ a cara do touro com a montada, preparando bem as sortes, desenhando-as igualmente bem e a rematar as mesmas com eficiência. Uma lide de adulto executada por um menino.

A lide do seu segundo touro começou em modo soluço, na ferragem comprida. Na curta conseguiu fazer a lide evoluir para um patamar bem mais coerente e positivo. Bem na preparação, desenho e remate das sortes, exceptuando o quinto e sexto curtos. Actuação mais barulhenta e de raça, menos técnica mas com o público a aplaudir. Rouxinol pecou por prolongar demasiado a lide.

Pegas: Santarém a estragar a noite

Santarém: Lourenço Ribeiro ( um ‘pegão’ à primeira tentativa); Joaquim Grave (quarta tentativa) Francisco Graciosa (primeira tentativa).

Coruche: Miguel Raposo dobrado por José Tomás (segunda tentativa); João Prates (quarta tentativa); António Tomás (segunda tentativa)

Nota: Nota: Mal o grupo de Santarém no quinto touro da corrida, a sua terceira pega. Na preparação da paga, o touro partiu a córnea. Evolui-se para pega de cernelha perante diminuição do touro, tendo depois o Director reconsiderado, e visto que o touro estava lesionado deu a ordem para a sua recolha.O grupo desrespeitou a ordem, impediu a abertura das portas dos curros, saltando a arena e pegando numa pega de caras, por Francisco Graciosa. Lamentável atitude perante oponente diminuído e ordem do director de lide. Curiosamente a primeira pega do grupo, por Lourenço Ribeiro, foi um hino à arte de bem pegar touros. Um grupo com o historial e o nome de Santarém não pode ter atitudes momentâneas que coloquem em causa a reputação do grupo.

Touros: Noite positiva mas longe de triunfo ganadeiro

A ganadaria Murteira Grave celebra 75 anos desde a sua fundação. Uma ganadaria sediada na Herdade da Galeana, em Mourão, fundada em 1944 por Manuel Joaquim Grave, avô do actual proprietário- o médico veterinário Joaquim Grave. A ganadaria tem a sua génese numa mistura Parladé, de base inicial da linha Gamero Cívico – Guardiola Soto a que juntaram sementais dos principais ramos Parladé, podendo então afirmar-se assim que tem encaste próprio.

No Campo Pequeno os touros saíram com apresentação distinta, distintos comportamentos, mas a deixarem-se lidar na sua maioria, sem contudo serem extraordinários. Longe de proporcionar noite de regozijo ao ganadeiro.

Direcção de Corrida

A corrida foi dirigida por Tiago Tavares, assessorado por Jorge Moreira da Silva.

Lotação

Aproximadamente três quartos preenchidos.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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