Carlos Leitão antes de actuar no Villaret: “Tudo o que faço, seja na música ou não, tem a memória e a saudade do meu pai.”

Interslide by Paulo Maria

 

 

Carlos Leitão actua no Teatro Villaret, em Lisboa, a 23 de Outubro. O espectáculo de apresentação do seu mais recente disco, ‘Casa Vazia’, contará com João Só, Jorge Benvinda e Júlio Resende como convidados.

Em entrevista ao Infocul, Carlos Leitão desvendou um pouco do espectáculo, dos convidados e sobre a reacção do público ao disco. Deixou ainda claro que na sua cabeça já está um novo disco em vista…mas antes apreciemos uma Casa Cheia de Afectos.

Até ao momento, a reacção do público a este novo disco está a surpreender-te?

As reacções têm sido as melhores, pelo menos da parte das pessoas que me seguem com maior fidelidade. Este é um disco mais arrojado, com novos desafios, e isso podia suscitar eventuais e naturais anticorpos, mas a realidade tem-me trazido noticias boas e entusiasmantes.

Este é o primeiro concerto de apresentação do disco. Irás colocar todos os temas do disco no alinhamento?

Todos, sem excepção! E ainda mais alguns, por exemplo, um que já está destinado ao quarto disco…

Quais os temas dos dois discos anteriores que são quase ‘obrigatórios’ no novo alinhamento dos concertos, após edição do ‘Casa Vazia’?

Um concerto meu tem sempre a certeza de alguns dos temas de todos os discos, ainda que nesta fase – e naturalmente – o alinhamento esteja mais centrado neste disco novo. Ainda assim, os outros serão revisitados, bem como fados que estão desde sempre na minha vida.

Irás ter algum convidado neste espectáculo, tendo em conta os letristas e compositores que tiveste no disco?

O João Só vem dar-me o troco, em versão acústica, da “Dona Maria Dilema” eléctrica que fizemos no Santa Casa Alfama. O Jorge Benvinda vem cantar comigo “Um quarto para as duas”, um dos temas mais impactantes do disco, e o Júlio Resende vai sentar-se ao piano e fazer-nos salivar com tanto talento concentrado.

Colocando-te como público, como descreves este teu último disco? Já fizeste este exercício?

Não, nem tão pouco teria essa arrogância! Acho que é um erro crasso… Eu faço um disco e entrego-o como se fosse um presente de aniversário, isto é, acima de tudo sou eu que tenho de gostar e de me rever nele. O resto, meu amigo, é esperar as reações (se possível, agradáveis!), sem deslumbramentos e sempre com os pés cá em baixo.

Ao pedires para outros escreverem ou comporem para ti, poderá o resultado final não ser do teu agrado. Faço a pergunta inversa, houve alguma letra ou composição que te tenham oferecido que esteja já guardada para um próximo trabalho?

Há temas meus que já estão destinados. No que toca aos convites que fiz para esta “Casa Vazia”, todos eles foram criteriosos e, na verdade, nenhuma das respostas me decepcionou. É curioso o facto de todos, sem qualquer pedido meu, terem escrito sobre histórias de amor. A “Dona Maria Dilema” do Salvador Sobral é diferente da “Casa Vazia”, do professor Júlio Machado Vaz, ou do “Assim-Assim”, do Marco Horácio. Mas todos me quiseram falar de amor.

No pequeno showcase (utilizando uma linguagem contemporânea, mas sem hashtags), que fizeste em Lisboa, houve um momento em que te emocionaste, ao falar do teu pai. Neste disco, tens letras da tua autoria, há algum tema que lhe seja especialmente dedicado?

Tudo o que faço, seja na música ou não, tem a memória e a saudade do meu pai. É do meu amor maior que se trata, logo… E estou certo que o orgulho dele está naquele sorriso sedutor que sempre o distinguiu.

O que mudou em Carlos Leitão desde o disco ‘Do Quarto’ até este ‘Casa Vazia’?, enquanto músico e homem?

O músico tornou-se mais exigente consigo, na escrita, na composição, na interpretação. Dizem os esotéricos que tem a ver com o meu signo (Virgem). O “homem”, agora com 40 anos, começa a perceber que a quantidade absurda de cabelos brancos que traz consigo lhe dão também mais pragmatismo na forma como encara o mundo e, sobretudo, as pessoas. Também aqui entra o amor, quando ele me chegou trouxe-me, além do colo, lucidez e auto-estima.

O que diria o jornalista Carlos Leitão ao fadista Carlos Leitão se o encontrasse na rua?

Estás com muito melhor aspecto que eu!

Qual a mensagem que deixas aos nossos leitores?

Sigam o “fadista” e não o “jornalista” e, sobretudo, lembrem-se sempre que a vida é curta demais para beber mau vinho.

 

Em palco, estará acompanhado por Bruno Chaveiro, Henrique Leitão, Luís Pontes e Carlos Menezes. O espectáculo inicia pelas 21:30.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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