Carlos Leitão teve sala cheia na apresentação do disco ‘Casa Vazia’

Foto: Vanda Salgueiro

 

 

O espaço Atmosfera M, em Lisboa, foi o local escolhido para acolher a apresentação do terceiro disco de Carlos Leitão, ‘Casa Vazia’, esta sexta-feira.

Depois dos discos ‘Do Quarto’ e ‘Sala de Estar’, este terceiro disco fecha o ciclo Casa, de Carlos Leitão, até porque como o próprio assume “a casa não é assim tão grande”.

Antes do pequeno concerto (showcase, na linguagem contemporânea), o fadista conversou com o Infocul sobre este terceiro trabalho discográfico.

‘Casa Vazia’ começou a “ser pensado quando eu terminei o ‘Sala de Estar’, parece um lugar comum mas é mesmo verdade”, começou por nos revelar.

Depois fui amadurecendo várias ideias que tinha para ele, nomeadamente do fecho de ciclo da casa, depois ‘Do Quarto’, da ‘Sala de Estar’, porque é um disco mais desafiante, para mim, enquanto artista e enquanto autor. E refiro a palavra autor porque me liberto mais dessa vertente, porque desafiei várias pessoas para este disco, para escrever e para compor”, acrescentou.

Neste disco conta com a participação Marco Horário, Salvador Sobral, Júlio Machado Vaz, Jorge Benvinda, Tiago Salazar, Tozé Brito, nas letras, e composições de Armando Machado, João Só, Vitorino, Ricardo Cruz, Manuel Maria Marques, José Elmiro Nunes, Jorge Benvinda, Júlio Resende e Marco Rodrigues. A produção é de Carlos Leitão, com Fernando Nunes a assinar a captura, mistura e masterização.

Sobre estas opções diz-nos que “nenhuma foi escolhida por uma questão de proximidade. Isso não seria suficiente. Em relação a proximidade posso falar do Marco Horácio, que é um amigo meu e com quem trabalhei durante 11 anos, mas é acima de tudo um grande amigo meu, dos mais fortes amigos meus. E o Marco ao contrário do que as pessoas possam pensar, quem não o conhece intimamente, é um homem com uma sensibilidade enorme, e eu prefiro gente que escreva com sensibilidade do que gente que escreva muito. Ainda que possa, em alguns casos, a coisa não correr bem. No caso do Marco correu lindamente. Mas depois apareceram outros nomes, como tu disseste, como o Salvador Sobral, o João Só, o Professor Júlio Machado Vaz (que pela primeira vez escreveu uma letra para um fado e ainda por cima foi logo a letra que elegemos para dar título ao disco. Como se isso já não me enchesse de orgulho, ainda aceitou o desafio de participar comigo no disco)…”.

Explica, que é “um disco que me empolga, que me desafia, e que surpreende, provavelmente, algumas pessoas que conheciam outro tipo de trabalho meu, mas como costumo dizer os fadistas não são ilhas”.

Destaque para ‘Soledad’, de Cecília Meireles e Alain Oulman, que integra este trabalho discográfico, bem como temas e composições da autoria do próprio Carlos Leitão.

Na apresentação esteve acompanhado, instrumentalmente por Bruno Chaveiro e Henrique Leitão (guitarras portuguesas), Luís Pontes (viola de fado) e Carlos Menezes (viola baixo).

Esta é outra das ‘novidades’ comparativamente ao trabalho anterior, em que se fazia acompanhar por um trio tradicional de fado.

Agora será acompanhado por um quarteto, no qual constam duas guitarras portuguesas.

Sobre esta opção, disse-nos que “quando imaginei a gravação do disco, o disco tem dois fados tradicionais em doze temas, eu defini logo à priori que esses dois temas seriam tocados por duas guitarras. E eu como gosto muito de produzir duas guitarras, foi fácil resvalar para os restantes temas. Portanto, no disco há temas que não têm duas guitarras mas ao vivo, ensaiámos muito para isso, vão ser tocados com duas guitarras”.

Sobre se esta ‘mudança’ era mais desafiante para si, explicou que “é mais desafiante para eles porque enquanto guitarristas vão ter de se comprometer um com o outro. Aquela liberdade da guitarra portuguesa está um bocadinho mais condicionada”.

Para mim dá-me mais chão, enquanto fadista, e enquanto fadista aquilo que mais gosto é ter chão para poder interpretar. E com estes quatro amigos, um deles meu irmão, eu tenho o chão suficiente para poder ir e vir as vezes que quiser”, acrescentou.

Após um primeiro disco mais denso e um segundo mais feliz, questionámos se o terceiro é o que contém maior diversidade de sentimentos.

Para Carlos Leitão, “essa pergunta terás de fazer a quem o ouvir”, contudo “na minha opinião, e há um facto curioso, todas as pessoas que convidei para escrever não dei temas, não dei motes, não coloquei qualquer condição, e por curiosidade, ou não, todos escreveram sobre amor. De uma forma ou de outra, as histórias são todas de amor. Umas boas, outras más, mas todas elas de amor. O que acaba por ir de encontro ao meu actual estado de vida, em que estou mais tranquilo, mais aberto, mais em paz, mais alheio de tudo o que me faz mal. Isso é talvez a vertente mais importante deste disco”.

Actualmente o fadista tem a gestão de carreira a cargo da VS Management (management) e da Fado in a Box (booking).

Destacar, nesta apresentação, a presença de vários fadistas (André Baptista, Tânia Oleiro, Joana Amendoeira, Carla Pires, Maria da Fé ou Lenita Gentil) além de familiares, amigos e admiradores de Carlos Leitão. Do alinhamento deste pequeno concerto constaram os temas “Assim Assim”, “Dona Maria Dilema”, “Casa Vazia”, “O Menino Dança”, “Um quarto para as duas” e “Quando voltei à cidade”.

O disco conta, para já, com apresentações no espaço Atmosfera M, no Porto, a 26 de Setembro (18:00) e Salão Nobre da Câmara Municipal de Arraiolos a 29 de Setembro (18:00).

Está também agendado concerto no Teatro Villaret, em Lisboa, a 23 de Outubro, pelas 21:30.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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