Carminho mostrou os sentimentos de “Maria” ao Coliseu de Lisboa (Reportagem)

 

 

No dia 25 de Maio, o Coliseu dos Recreios foi prestigiado com a presença da fadista Carminho, num espectáculo contemporâneo, que foi concebido através da exibição do seu novo álbum “Maria“.

Após a sua presença no Porto no dia anterior, a fadista atraiu o povo lisboeta a um concerto íntimo, onde um público que admira as raízes do fado pode relacionar-se aos sentimentos de “Maria“.

O Coliseu que se encontrava quase cheio, foi parando o seu alvoroço enquanto as luzes do recinto se apagavam, e se começavam a ouvir músicas do Fado aos Blues, do Português ao Inglês, dando a conhecer as influências de “2 anos sufocantes” que a artista teve para dar vida a “Maria”. Após a introdução, iluminada por uma pequena luz vermelha, Carminho cantou “A Tecedeira” sem a ajuda de qualquer instrumento musical.

Após cantar “O começo“, a fadista deixou uma mensagem ao público: “Mas eu não sou a única Maria que aqui está. (…) Esta é a vossa história. A história dos homens repete-se. E por isso, esta é uma viagem, não nos vossos fados, mas dentro da nossa história. Boa viagem“.

Durante o espectáculo, o público ia sempre aplaudindo cada música e seguindo as ordens de Carminho, como em “Bom dia, amor”, em que a fadista pediu para que o público cantasse a frase “Bom dia, amor” para a pessoa a que estavam correspondidas.

Apesar da pouca visibilidade que tivemos sobre o evento, ouviram-se nesta noite momentos inesquecíveis: Na música “Meu amor marinheiro”, o instrumental foi mudado para uma guitarra eléctrica tocada por um arco, que apesar de se distinguir pela diferença, não tirou as verdadeiras raízes do fado à música em si; em “Estrela“, uma bola de espelhos iluminou a plateia, numa sinfonia tocada também por Carminho em uma guitarra eléctrica; quando foi tocado o tema “Uma vida noutra vida”, os músicos que acompanhavam a fadista (Luís Guerreiro, Tiago Maia, Pedro Geraldes e Flávio César Cardoso) tiveram direito a um momento a solo, cada um com o seu devido instrumento. Foram também tocados temas pedidos pelo público, como “Marcha de Alfama” e “Senhora da Nazaré”.

Para muitos foi uma noite nostálgica e emocionante, que terminou com o melancólico temas “Escrevi teu nome no vento” e “As minhas penas“, que foi (em grande parte) cantado por Carminho sem microfone a um público silencioso.

A fadista irá fazer-se à estrada para uma tournée pela América Latina, que terá início no próximo dia 29 de Maio, em Santiago do Chile.

 

Texto: Mariana Nave/ Edição: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

 

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