Cati Freitas: “Música Portuguesa voltada para o Mundo” para ver e ouvir no OCF

A contagem decrescente continua e o OCF está mesmo, quase, quase a começar. Dias 08, 09 e 10 o Auditório Municipal Eunice Muñoz em Oeiras acolhe a terceira edição do festival. No dia 09 actuam Miguel Amado Group e Cati Freitas.

 

Em entrevista ao Infocul.pt, Cati Freitas revela-nos um pouco do seu percurso, da sua essência. Em primeira mão anuncia também que interpretará um tema em conjunto com Miguel Amado Group.

 

 

Cati, de onde nasce esta paixão pela música? Ou se preferir quando decide fazer da música a sua vida?

 

Não sei responder quanto ao factor tempo para indicar o momento preciso em que a música nasce em mim ou na minha vida. Conforme o meu crescimento se foi dando, à medida que a minha consciência e a minha própria personalidade se moldava, o gosto pela escrita, pela música, pelas artes imperava. Depois, foi uma questão de passar de uma espécie de sonho latente a vocação. Comecei profissionalmente faz 10 anos, mas prefiro dizer que desde sempre. O estado latente fez parte do processo.

 

 

No disco “Dentro” conta com temas assinados por alguns nomes sonantes internacionais. Como surgiu essa possibilidade?

 

Digamos que corri e batalhei bastante atrás dela e tudo se concretizou. No que toca à participação do Tiago Costa como produtor, eu e ele tínhamos amigos em comum, sem o sabermos. Quando eu comentei com uma dessas amigas em tom de desabafo utópico que gostaria de tê-lo ao meu lado para produzir o meu primeiro disco, tudo se abriu mais de perto e real. Contactei-o, ele aceitou, e foi uma união bastante feliz! Seguir a minha intuição foi um ponto fortíssimo nesse caminho, sempre será!

 

 

Tendo uma voz impar, que transmite portugalidade, a Cati traz a Portugal outras influências. Juntar vários géneros é algo que a motiva?

 

(sorriso) Esta é talvez das perguntas mais importantes que me podem fazer no momento. Sim, costumo brincar, quando muitas dúvidas se instalam quanto ao meu estilo musical, que faço “Música Portuguesa voltado para o Mundo”, e neste caso para o meu próprio mundo de sons. Sempre olhei de dentro para fora, e este sem dúvida é o meu cartão de visita neste primeiro disco. O não ser Fadista, o não ter surgido com um padrão sonoro talvez mais natural aos ouvidos dos Portugueses, não me retira a Alma Lusitana! A minha sonoridade apresentou-se acústica, harmonicamente elegante, o que fez com que o jazz fosse lembrado, os ritmos que viajam pela lusofonia e o namoro, ainda que mais disfarçado, pelo sons electrónicos, de modo a trazer um cariz urbano dentro do acústico. É nessa liberdade que me encontro. Sou um pouco como as nossas caravelas. Mas, o importante é registar a minha essência e a sua própria descoberta e em como a apresento em cada trabalho. E será que a essência tem limites?! A minha não. Então tudo tem esse olhar na minha concepção.

 

 

Ao longo da carreira teve oportunidade de colaborar com vários nomes sonantes da música portuguesa, como por exemplo Rui Veloso ou Sara Tavares. Como foi para si poder partilhar experiencias com estes artistas? Acabam por ser uma inspiração para si?

 

Tanto o Rui, como a Sara, foram casos muito pontuais. Os Artistas com quem trabalhei afincadamente durante anos foram os Expensive Soul. Sim, todos eles me “influenciaram”, principalmente no primor pela qualidade, verdade e persistência.

 

 

É verdade que em “Dentro” estudou mais de duas mil músicas para escolher o repertório?

 

Sim, é verdade. Ia separando e fazendo a triagem das músicas pelo computador, daí ter uma ideia de quantas foram.

 

 

Quando surgiu o convite para participar no OCF?

 

Não me recordo o momento exacto, o contacto foi feito a partir da agência que me representava. Mas desde o início do ano que estou antenada no Festival, no seu objetivo.

 

 

O que está a ser preparado para este concerto?

 

Vou apresentar os temas do “dentro”. Será um concerto muito acústico, com arranjos um pouco diferentes do disco, e as imperfeições que considero maravilhosas de um concerto ao vivo. Estou a preparar sobretudo (Alma). Como sempre!

 

 

Actuando no mesmo dia de Miguel Amado Group há a possibilidade de interpretarem algo em conjunto?

 

Sim, o Miguel convidou-me para interpretar um tema dele, aceitei, achei lindo, e vamos fazê-lo!

 

 

Como vê a ideia do OCF em juntar vários géneros musicais?

 

Na minha ótica, acho maravilhoso! Afinal o que são géneros musicais? São apenas nomes que se dão às formas de expressão que cada Artista encontra. Então, se é de música que falamos, se é de diferentes sentimentos, matizes, cheiros, pois que assim o seja! Precisamos disso!

 

 

Como convida o público a ir ao OCF?

 

Que venham ouvir música, balançar, conhecer, sentir, passar um bom momento ao som da diversidade de artistas que por lá passarão! E puxando a brasa a minha sardinha, comigo!

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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