O Salão de festas d’ A Voz do Operário, em Lisboa, recebeu na noite de ontem, 12 e Outubro, o primeiro espectáculo do Festival Flamenco de Lisboa, 2019, com as actuações de Célia Romero e de Camerata Flamenco Project.

Célia Romero abriu o espectáculo e fê-lo com elevada qualidade.

Acompanhada à guitarra e com palmas, Célia Romero esteve magistral. Primeiro com suporte de som e depois surpreendendo cantando sem suporte de som e com a sua voz a mostrar toda a potência, extensão e alma.

Homenageou a Andaluzia, demonstrou afinação, alma e uma vida intensa através de interpretações únicas. De vestido rubro potenciou a sua beleza natural com a elevação do canto flamenco para uma dimensão de Arte pura. Uma actuação apoteótica e que deixou extraordinário ambiente para Camerata Flamenco Project que veio após um curto intervalo.

Camerata Flamenco Project é constituído por José Luis Lopez, Ramiro Obedman e Pablo Suárez. Não é o Flamenco na sua forma mais tradicional e pura, como estamos habituados a assistir, contando com instrumentos como violoncelo, piano ou flautas.

Manuel Falla compôs ‘El amor Brujo’, a pedido da Pastora Imperio (coreógrafa de flamenco), tendo esta obra sido estreada no Teatro Lara, em Madrid, no ano de 1915. Agora, o projecto Camerata Flamenco Project assume esta obra e dá-lhe uma contemporaneidade, respeitando a identidade e raiz musical da mesma.

Ontem, n’ A Voz do Operário pudemos assim recuar um século e sonhar viver a história de uma jovem cigana que vive um tormento devido ao seu antigo amor, através de uma sonoridade que nos leva para as raízes ciganas e andaluzes.

Camerata Flamanco Project trouxe a intensidade e suavidade (parecendo contraditório, não o é) com uma execução sublime, em que a harmonia dos instrumentos e os arranjos bem conseguidos nos permitiram ter uma outra ideia do Flamenco.

‘Falla 3.0’ é assim a contemporaneidade de ‘El Amor Brujo’ e que contou ainda com Anabel Veloso, a ‘bailaora’ de flamenco que trouxe a sensualidade, firmeza e pujança da dança flamenca, numa noite que abriu com chave de ouro a edição deste ano do festival.

O Festival prossegue a dia 24 de Outubro com a actuação de Dorantes, na Aula Magna, e a 29 de Novembro, com Eduardo Guerrero, também na Aula Magna.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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