“Chão da Feira é o desafio de aliar a simplicidade de uma guitarra clássica e flautas de bisel às nossas vozes”

Alina Sousa e Vanessa Borges começaram a tocar e a cantar juntas em 2004, quando trocaram a terra natal por Lisboa. Após várias apresentações de música portuguesa, a turistas, no Castelo de S. Jorge, e do percurso, por todo o país, em espectáculos, viagens e experiências, passaram à composição de temas originais e nasceu o grupo Chão da Feira. O Infocul entrevistou-as para conhecer melhor o projecto e o EP que acabam de lançar, “Das Tripas Coração”.

A inspiração, intensa e constante, deu origem ao EP “Das Tripas Coração”, já disponível em formato digital, onde os temas bucólicos se cruzam com a experiência urbana e com um pouco de todo o mundo, combinando as vozes, guitarra e umas quantas flautas de bisel. Numa conjugação de poemas domésticos e uma musicalidade silvestre, o resultado é confortável e surpreendente, em partes nem sempre iguais.

 

Apresentamos de seguida a entrevista na integra com Chão da Feira:

 

 

Como e quando começa esta aventura chamada “Chão da Feira”?

 

Chão da Feira começa em 2005 quando percebemos que, para além de partilhar a paixão pela escrita e pela música tradicional, tínhamos vontade de tocar as nossas próprias composições. Embora nos tivéssemos conhecido na escola secundária em Torres Novas, foi em Lisboa que iniciámos este projecto quando, por coincidência, fomos estudar para a mesma faculdade. Começámos a tocar música tradicional e de intervenção nas ruas de Lisboa por diversão e, desde logo, surgiram as primeiras composições, algumas delas justamente na rua do Chão da Feira, junto ao Castelo de São Jorge.

 

 

Qual o conceito do projecto?

 

 Consideramos que a essência de Chão da Feira é o desafio de aliar a simplicidade de uma guitarra clássica e flautas de bisel às nossas vozes, contando sempre uma história através dos nossos poemas, com salpicos de tradição. Se, por um lado, esta essência é aparentemente simples e agradável, a verdade é que os temas ligados ao quotidiano contado de uma perspectiva feminima combinados com elementos naturais, os arranjos tendencionalmente orquestrais nem sempre evidentes ou a poesia de amor, denotam um lado não tão pacífico ou bucólico, criando a atmosfera urbano-silvestre que buscamos em Chão da Feira.

 

 

Quais as sonoridades pelas quais se movem?

 

 Nós apresentamo-nos como uma banda de música de inspiração tradicional uma vez que a nosso música bebe das sonoridades da música tradicional de diversos pontos do mundo, sendo que a portuguesa tem especial importância. Ouvindo o nosso alinhamento, perceberão que a nossa música é uma constante viagem entre continentes, desde a música Celta às sonoridades dos Andes, passando naturalmente pelo fado. Em onze anos de existência houve todavia um crescimento e apuramento da nossa identidade e, certamente levadas pela influência da música contemporânea, não será difícil sentir a presença da modernidade tanto em poemas como em melodias e arranjos.

 

 

Qual a mensagem que tentam transmitir em “Das Tripas Coração”?

 

 Sendo “Das Tripas Coração” o nosso primeiro registro discográfico após dez anos de concertos e composição, a nossa intenção foi criar um EP que conseguisse amalgamar esse nosso crescimento, que revelasse a nossa identidade musical e que transmitisse as emoções que criam a atmosfera Chão da Feira. Quisémos mostrar o lado interventivo das nossas canções, a versatilidade poética, dotar as nossas músicas de arranjos elegantes e permitir àquele que escuta o nosso trabalho de ora emergir num exercício contemplativo, ora deixar-se levar pela nossa veia instrumental e enérgica. No fundo, das “Das Tripas Coração”, sendo uma expressão tradicional, transmite precisamente a contradição que é a nossa música, a constante viagem entre o belo e o feio, a vida e a morte. É um trabalho visceral, não há dúvida, e que embora bonito não deixa, por vezes, de ser algo perturbador.

 

 

Quais as características do vossa projecto que faz (ou pode fazer) a diferença na musica portuguesa?

 

 Acreditamos que somos uma banda com elementos diferenciadores. Desde já o facto de Chão da Feira ser duas mulheres mas, muito mais do que isso, o facto de sermos responsáveis pela criação da nossa música e desta resultar numa sonoridade muito própria, intrigante até. Cremos trazer algo novo à música portuguesa, também por nos apresentarmos em palco com instrumentos clássicos e por conseguirmos homenagear a tradição.

 

 

O que está agendado a nível de espectáculos?

 

 Actualmente temos uma data confirmada, 17 de Setembro na Lourinhã, uma de várias datas da tour que estamos actualmente a preparar. Esperamos em breve poder divulgar mais datas desta série de concertos que pretendemos realizar em vários pontos do país, especialmente em auditórios, com a participação dos músicos que nos acompanham desde o lançamento do EP: violoncelo, clarinete e percussão.

 

 

Onde é possível acompanhar o vosso trabalho?

 

 Chão da Feira está presente nas redes sociais facebook (facebook.com/chaodafeira), instagram (@chaodafeira), onde publicamos novidades e curiosidades com frequência. Temos um site oficial (www.chaodafeira.pt) onde reunimos toda a informação necessária, incluindo contactos para booking. O nosso trabalho pode ser escutado nas conhecidas plataformas de streaming e adquirido também online (https://chaodafeira.bandcamp.com/releases).

 

 

Para quem nunca vos ouviu, como convidam a ouvir este trabalho discográfico?

 

Convidamos toda a gente a escutar Chão da Feira, sem limite de idade.  Chão da Feira é para quem aprecia música tradicional mas não só. Ouçam Chão da feira os que gostarem de ser surpreendidos pelas melodias e pelas palavras, pelas harmonias e pelos sons acústicos. Convidamos, desde já, todos para o concerto na Lourinhã mas, para os que não puderem, haverá com certezas mais concertos por esse país fora. Podem obviamente adquirir o CD, para isso basta visitarem o nosso site e enviarem email a fazer a encomenda, onde nos podem ouvir num formato de estúdio com participação de mais músicos.

 

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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