Coliseu dos Recreios recebeu Raquel Tavares e Sinfonietta de Lisboa, num dos melhores concertos do ano

 

 

Raquel Tavares trouxe, à sala da sua vida, os temas (alguns dos) mais icónicos da sua carreira e os do disco em que canta Roberto Carlos. Acompanhada pelo seu quarteto habitual e pela Sinfonietta de Lisboa.

 

 

Coliseu com bastante público. De Lisboa e não só. Amigos, família, fãs da artista ou simples apreciadores de música. Público bonito e eclético. Ambiente vibrante e no qual a ansiedade imperava antes de começar o espectáculo.

 

 

O espetáculo que teve como fio condutor a vida e percurso artístico de Raquel Tavares com o bónus track, como se de um disco se tratasse, de o público poder ficar a conhecer melhor a Raquel, a eterna menina de sorriso contagiante mas com voz de mulher de fibra e que sabe o que quer. Uma fadista de pelo na venta. Entenda-se pelo na venta como atitude e personalidade. Duas características que todos devemos ter perante a vida! E a Arte!

 

 

Afirma-se como fadista! Será sempre fadista! E foi com Fado que abriu um serão de emoções e sensibilidades várias.

Deste-me um beijo e vivi”, “Sombras da Madrugada” e “Ardinita” trouxeram o aroma, a intensidade e a alma que se vive nas casas de fado ao Coliseu dos Recreios. Raquel desde cedo se mostrou emocionada e motivos não faltavam: actuava na sala da sua vida; apresentava-se com Orquestra, tinha ali as suas gentes, tinha ali outros fadistas e tinha o público. Talvez muitos não saibam, mas antes do ‘boom’ que Raquel alcançou com “Meu Amor de Longe”, já era das fadistas com público mais fiel. Não se confunda fidelidade com quantidade. Mas a fadista de feitio de ‘sangue na guelra’ e de riso contagiante tem sempre os seus fieis seguidores, e defensores, nos momentos importantes.

 

 

Mas a emoção não impediu, o público, de poder apreciar a voz pujante e e vibrante em que as palavras ganham vida e a vida é servida em forma de emoções a quem escuta. A arte é a capacidade de um artista nos fazer sentir humanos através do seu talento. Raquel fê-lo, como tem feito ao longo de mais de duas décadas. Num mundo cada vez mais digital, cruel e desumano, nunca queiramos deixar de sentir, de nos emocionar e de permitir que o amor vá e venha como barco que atraca num porto seguro.

 

 

 

Do seu disco homónimo interpretou “Gostar de quem gosta de nós”, com letra de Tiago Bettencourt, “Não me esperes de volta” com letra de Paulo Abreu Lima e música de António Zambujo, “Limão”, um tema tradicional e criação de Celeste Rodrigues, para depois relembrar a sua maior referência no fado, Beatriz da Conceição, com a interpretação de “Meu Corpo”. Raquel relembrou ainda outros nomes que marcam e marcarão sempre a história do fado e com quem teve oportunidade de trabalhar, aprender e conviver.

 

 

André Dias (guitarra portuguesa), Bernardo Viana (viola de fado), Daniel Pinto (viola baixo) e Fred Ferreira (percussão e bateria) proporcionaram um momento instrumental de enorme qualidade, com virtuosismo e bom gosto, além da indubitável qualidade que demonstram em cada momento.

 

 

O último disco que Raquel Tavares gravou foi de homenagem ao ‘Rei’ Roberto Carlos. No Coliseu contou com Sinfonietta de Lisboa, além do seu quarteto habitual, para através da sua voz dar um abraço cultural transatlântico unindo Portugal e o Brasil.

 

 

Como é grande o meu amor por você”, “Distância”, “Caracóis”, “Fera Ferida”, “Não se esqueça de mim”, “Cavalgada”, “Detalhes” e “Emoções” foram os temas do Rei que a Princesa do Fado trouxe ao coliseu. A Sinfonietta, liderada pelo maestro Vasco Azevedo, esteve soberba. A descrição e eficiência do maestro foram projectadas, para o público, por uma exuberância e espectacularidade na actuação da orquestra. Que bonito ver a harmonia entre a orquestra, o ‘quarteto’ fadista e Raquel Tavares. Tudo com uma leveza que toca a alma.

 

 

O espectáculo terminou com o ‘hit’ “Meu Amor de Longe”. Um concerto no qual Raquel Tavares mostrou que independentemente dos caminhos que percorra, o fado será sempre a sua bússola.

 

 

Os momentos de arte foram intercalados com momentos de humanidade. Raquel abordou assuntos que nos devem fazer pensar, não entender como criticar/analisar, tais como o amor, as relações interpessoais, o respeito, a gratidão, política e tantas outras coisas que diariamente ignoramos. A menina de sorriso rasgado e contagiante é uma mulher que demonstra maturidade! Que bom para a Arte! E para o Mundo!

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

 

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Notícia publicada a 04/11/2018


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