“Como ela começou e onde ela chegou é para nos fazer parar e pensar” diz Maria de Lourdes Carvalho sobre Amália Rodrigues

João de Sousa / Infocul.pt

 

Maria de Lourdes Carvalho organizará a Grande Gala do Centenário ‘Amália Rodrigues’. Após a apresentação do programa das comemorações do centenário, a jornalista, radialista e directora de editoras, entre tantas outras meritórias funções exercidas, falou ao Infocul sobre este espectáculo.

Maria de Lourdes Carvalho organizou a Gala de Prémios Amália Rodrigues em 2013 e 2014, sendo agora convidada pela fundação a organizar a do centenário. Relembrar ainda de que Maria de Lourdes Carvalho conheceu, confraternizou e partilhou vários momentos com Amália.

Sobre o espectáculo que ocorrerá em Lisboa, a 3 de Outubro de 2020, diz que valerá pela valorização da “importância que tem, à parte de todas as manifestações oficiais e não oficiais, sobre o nome e a figura de Amália, enquanto incontornável figura internacional, porque a Amália era sobretudo uma cantora que até era fadista, há que se saber que ela era fadista, mas era uma cantora, uma cantora internacional”.

Por esse motivo, “como fundação temos a obrigação de ter uma homenagem especial, ora se nós levamos durante x anos a fazer Gala de Prémios Amália Rodrigues, porque não culminar nos cem anos dela com a Grande Gala do Centenário Amália Rodrigues?”, questiona.

Comparativamente às galas que organizou, esta terá como diferença a “majestade, o espaço porque foi feito em espaços mais pequenos como o São Luiz, mas é também o facto de não haver prémios mas sim lembrar e homenagear simbolicamente todos aqueles que ao longo destes anos, graciosamente, de tanto coração, de tanto querer a Amália, não foram apenas os prémios, queriam partilhar essa alegria connosco”.

João de Sousa / Infocul.pt

Nesta grande gala, Maria de Lourdes Carvalho realça o pormenor de “chamando a atenção que a fundação está presente. Porque tanta gente, e graças a Deus com o Alto Patrocínio do Senhor Presidente da República, portanto se tantas câmaras, tantas entidades, tantas associações, se o povo, se levanta para a homenagear e celebrar, não seria normal, e não faria sentido, pelo menos na minha cabeça e como eu a entendo, que a fundação não se mostrasse e não fosse buscar parceiros, para poder elevar uma manifestação com peso, com significado”.

Maria de Lourdes Carvalho confessa que “há uma coisa que me faz confusão. Trabalhamos muito Amália internamente, nem sempre foi assim mas graças a Deus que se está a tornar assim, mas internacionalmente também há quem não fique calado, porque Amália não nos pertence, o espírito de Amália e a sua forma de comunicação, com o povo, com os povos, aquela frase do poema que eu fiz, e sinto-me muito feliz por ter feito, porque ela é o sujeito, ela faz essa afirmação, “Tenho em Mim a Voz de Um Povo”, e não podemos calar essa voz! Mesmo repartindo por várias vozes que hoje temos, tanto rapazes como raparigas, cada um no seu género e com as suas possibilidades, cada um com a sua condição vocal ou condição de natureza, mas ainda bem que temos! Porque, ao menos, ela vai andando no tempo e vai-nos acompanhando de geração em geração”.

Deu até o “exemplo da Severa que existiu na segunda metade do séc.XIX e ainda hoje falamos nela. Ainda hoje lembramos, honramos e falamos na Severa e nessa personagem, que muitos dizem que é mítica e não é verdade porque tem uma certidão de nascimento, e portanto ela existiu. Claro que morreu muito nova, mas quando isso acontece é porque algo de anormal esses personagens têm. Por alguma razão vieram ao mundo”.

Como ela começou e onde ela chegou é para nos fazer parar e pensar”, rematou, abordando o percurso único de Amália Rodrigues.

João de Sousa / Infocul.pt

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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