O cartão que foi entregue a todos os espectadores à entrada da sala

Conan Osiris estreou-se esta quinta-feira no palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, pela primeira vez em nome próprio.

O vencedor do Festival da Canção 2019 é um verdadeiro fenómeno e a verdade é que ninguém lhe fica indiferente, quer os que que gostam e idolatram, quer os que não gostam e chegam mesmo a odiar.

Fazendo o seu percurso e, à partida, alheado a tudo isto está Tiago Miranda, artisticamente conhecido como Conan Osiris.

Da sua discografia constam o EP Silk (2014), o disco ‘Música, Normal’ (2016), o disco ‘Adoro Bolos’ (2017). Mas o grande boom chega claramente com a participação, e vitória, no Festival da Canção em 2019, seguida da participação no Eurovisão.

Abriu o espectáculo ‘ACapella’ e logo de seguida passou para ‘100 paciência’. Neste tema contou com o seu habitual bailarino, João Reis Moreira, e mais seis bailarinos, numa coreografia bem desenhada.

Elevou a qualidade coreográfica e visual no tema ‘Barcos’, no qual os bailarinos contaram com uma extensa rede de pesca. E é numa constante inspiração na tradição, que aquele a quem chamam de homem do futuro, vai beber inspiração, criando emoções (positivas ou negativas) a todos no presente.

A destacar o quinteto de músicos (cordas e sopro) que acompanhou Conan Osiris neste espectáculo. Musicalmente sensíveis e a demonstrarem qualidade elevada. Quem (muitos) estaria à espera de um espectáculo de puro entretenimento e rápido consumo, começou aqui a perceber que estava equivocado, aquando do primeiro instrumental.

Seguiu-se a primeira explosão física por parte do público no Coliseu dos Recreios com um dos ‘hits’ de Conan: “Borrego”. “Mais alto, que isto é para a televisão“, gritou Conan a meio do tema, na primeira intervenção para com o público. O espectáculo foi todo ele gravado.

O público já não conseguia estar sentado, os movimentos corporais eram intensos,a libertação de energia era uma constante e mais ainda depois de ‘Cartomancia’ e ‘Adoro Bolos’. Seguiu-se a entrada em cena dos Pauliteiros de Miranda, aquando do tema ‘Titanique’. Puramente tradicional foi a exibição dos Pauliteiros de Miranda.

Num espectáculo inquietante, fluído e com um fio condutor perceptível, Conan Osiris demonstrou que não é o homem do futuro nem o pior artista do mundo. É alguém com uma visão do mundo e que a expõe de determinada forma, nesta caso através da música. Olhando para as fortes influências do Fado, do Folclore, da música étnica e tantas outras sonoridades e sensibilidades que acaba por apresentar, estas devem ser mais valorizadas.

No dia em que Conan fizer um concerto todo ele acústico, sem ponta de electrónica, talvez os mais puristas consigam entender que o rapaz que veste roupas estranhas e fala de forma pouco formal, afinal até tenha algo de positivo a transmitir. E tem!

Seis outfits diferentes, vários convidados (Ana Moura, Branco, Scuru Fitchádu, Pauliteiros de Miranda) e momentos mais dançantes bem enquadrados noutros mais intimistas.

Ana Moura esteve extraordinária em ‘20 20’, um tema no qual cantou no palco central do Coliseu com Conan, tendo Branko na varanda presidencial. Na varanda presencial onde Conan também cantou um tema, Ave Lágrima.

Para o final ficou ‘Celulite’ e ‘Telemóveis’, num ambiente festivo. A estreia de Conan no Coliseu foi honrosa e meritória e não chocou ninguém. Entre o passado que o inspira e o futuro que lhe auguram, guardemos o que de bom nos oferece no presente.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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