Concerto Fadoando em Constância: Ana Laíns em entrevista ao Infocul aborda a temática da Fadoando e convida a ir ao concerto!

O Infocul entrevistou a artista Ana Lains de modo a nos revelar um pouco do que será o concerto Fadoando em Constância e em que terá Mafalda Arnauth e Maria Ana Bobone como convidadas.

Ana Lains explica ainda o que é a associação cultural Fadoando e qual a sua actuação. O Infocul convida os leitores a lerem a entrevista na integra e a comemorarem a cultura portuguesa ajudando.

 

 

Este concerto acontece no âmbito das Pomonas Camonianas e das Comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades portuguesas, sendo uma aposta da Câmara Municipal de Constância. Ana Laíns convida Mafalda Arnauth e Maria Ana Bobone.

 

 

Ana o que está a ser preparado para o concerto Fadoando?

 

Este concerto Fadoando acontece tendo como mote, antes de mais, a XXI edição das Pomonas Camonianas em Constância, que celebram Camões e os Lusíadas, a par das Comemorações do dia de Portugal e das Comunidades. E será um concerto especial, porque é a primeira parceria da Associação Fadoando com um Município. Isto é, teremos a Fadoando em parceria com uma entidade pública a trabalhar no sentido da Filantropia, uma vez que uma percentagem desse concerto reverterá para 2 associações locais: A Santa Casa da Misericórdia de Constância, e a Associação Humanitária de Montalvo.

 

Ora, sendo eu uma apaixonada eterna por Camões, pela Língua Portuguesa, e uma eterna defensora da nossa identidade, considerei, em conformidade com a autarquia, que seria muito simbólico realizar este concerto, quer porque culturalmente o contexto é o ideal, quer porque estaremos a celebrar a filosofia de “Eu colectivo”, e que é, no fundo, a base de fundamento da Fadoando. E também por isso que me fez sentido convidar duas cantoras que adoro, humana e profissionalmente, para que juntas transformemos o Anfiteatro dos Rios em Constância, na nossa sala de estar.

 

Musicalmente, visitaremos Portugal de lés-a-lés, em galaico-português, em Mirandês (segunda língua oficial portuguesa), cantaremos Camões, Zeca, e outros grandes poetas, e celebraremos o imenso orgulho que temos a este pequenino lugar à beira mar plantado.

 

 

Para quem ainda não conhece o que é Fadoando e qual o seu principal objectivo?

 

A Fadoando é uma associação cultural sem fins lucrativos, que nasce da convicção da nossa convicção sobre a necessidade de fundir o conceito de Cultura com Filantropia e Eu Colectivo. Todos os dias dezenas de cantores, músicos, e artistas de uma forma geral, são convidados a cantar graciosamente pelas mais diversas causas. Porém, e numa altura em que as necessidades de todos nós se confundem, não me parece justo que a comunidade artística portuguesa deva oferecer o que tem para vender, e que é, de resto a sua forma de sustento. Ainda que, o Fado em particular, seja mesmo assim “o parente em melhores condições” da cultura em Portugal, actualmente. Complementando esta ideia, existe também a certeza que cultivar pessoas, é principalmente, educá-las, sensibilizá-las e torná-las melhores seres humanos. A arte é o alimento da alma. Uma alma bem “alimentada” , é uma alma com maior capacidade para co-habitar, partilhar e respeitar o conceito de Eu Colectivo, ou cuidado com os outros! Partindo do ideal que a Cultura e a Filantropia devem caminhar de mãos dadas, e tornar-se sustentáveis de uma forma que não pese a Artistas, Instituições e Estado, propomos às autarquias, associações, comissões de festas e outras instituições, que têm responsabilidade com a programação cultural nos seus municípios, e têm a seu cargo a gestão dos dinheiros para viabilizar estes calendários culturais (Festas do Município, Feiras, programação dos seus espaços culturais), que se associem à Fadoando, programando em parceria, e de forma a assegurar que uma parte desses orçamentos, será disponibilizada para dar assistência, nas mais diversas frentes, na resolução parcial ou total das dificuldades de associações ou particulares do seu Município. 

 

 

Neste concerto terá algumas convidadas em palco. Queres falar um pouco acerca das mesmas e das suas presenças em palco?

 

As minhas convidadas serão a Mafalda Arnauth e a Maria Ana Bobone. São duas mulheres de personalidade muito forte, cantoras com mensagem, com uma palavra a dizer, e que eu, pessoalmente aprecio muito. São duas pessoas com quem me sinto imensamente à vontade, que sorriem comigo com muita facilidade, que defendem as mesmas coisas, e são dois enormes exemplos de perseverança, força, e educação cívica. Duas Senhoras. Duas amigas. Duas grandes cantoras.

 

 

De que modo o Fadoando ajuda e podem as pessoas ajudar o objectivo do Fadoando?

 

Eu costumo dizer que a solidariedade não pode passar apenas por dar o peixe a comer, e sim, ensinar a pesca-lo. Tal como a igualdade (a meu ver) não é sermos todos iguais, e sim, respeitarmo-nos nas nossas diferenças, “Fadoar” também não é só angariar dinheiro para causas que nós muitas vezes nem conhecemos em profundidade. 

 

Ainda é cedo para desvendar todos os meus segredos no que toca aos meus sonhos com a Fadoando. No entanto, eu acredito na Fadoando como uma plataforma de mudança de mentalidades, da educação através da música, e porque não, das artes de um modo geral. E fundamentalmente, de verdadeira responsabilização da Cultura na educação de uma Sociedade.

 

Desde que a fadoando nasceu, nós temos feito apenas pequenas coisas (com excepção da gala de apresentação no São Jorge). Mas sempre no sentido de ajudar alguém carenciado. 

 

Agora queremos continuar a faze-lo, mas tendo como parceiros os gestores dos fundos disponibilizados para a Cultura. E queremos receber ideias, sugestões de outros artistas, de toda uma comunidade, que em conjunto, pode criar condições para que todos façamos cada vez mais e melhor, uns pelos outros, nas mais diversas frentes.

 

Por exemplo, porque não organizar tertúlias nas escolas, contando com figuras conhecidas e admiradas pelo grande público, humanizando mais essas pessoas, e servindo de inspiração para as vidas de tantos futuros adultos, que têm de encontrar formas alternativas de (sobre)viver nesta selva que é a Vida em Sociedade?

 

 

Como convida o público a ir a este concerto?

 

Convido todas as pessoas que acreditem que juntos somos mais fortes. Convido todas as pessoas que acreditam que Portugal é um pais cheio de potencial, e que só se cumprirá com a ajuda de todos nós. Convido todas as pessoas que têm noção que em Cidadania existem direitos e deveres para ser cumpridos, e que, geralmente, não são dissociáveis . E por fim, convido todos que gostem de música cantada em português, feita por portugueses, e que não tenham vergonha de cantar bem alto e sorrir!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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