O empresário Luís Miguel Pombeiro, da empresa Ovação e Palmas, concedeu uma entrevista ao Infocul sobre a primeira corrida de touros após o desconfinamento, que realizar-se-á a 11 de Julho, na Praça de Touros de Estremoz, no Alentejo.

O empresário começou por nos revelar de que “há uma pressão acrescida para que tudo corra bem, há uma pressão enorme para que tudo esteja em conformidade, não só por ser a primeira a nível mundial e por ter entidades internacionais que vão à corrida, mas para que tudo corra bem“, e destacou a vontade de que “tudo tenha as medidas implementadas, os dispensadores de gel, as máscaras, tudo…É um stress muito maior que o normal“.

Realça que “já não é a preocupação de perder ou não perder. É a preocupação de que aquilo seja uma festa de união, em que o lema é ‘Resistiremos´ às medidas que nos têm imposto e de nos desrespeitarem relativamente à nossa cultura. E para que tudo corra bem, para que não nos possam apontar nada nem à organização, nem ao público, nem aos cavaleiros, nem aos touros. É talvez a corrida em que eu mais peço a Deus para que tudo corra bem“.

Com as novas medidas impostas pela DGS, relativamente a segurança, higiene e distanciamento físico, o empresário revela que “a capacidade depende muito da venda de bilhetes. Porque se forem muitos bilhetes individuais tem de se deixar sempre uma cadeira de intervalo entre cada um deles. Se forem bilhetes familiares e coabitantes já é diferente porque podem vir cinco pessoas, dez pessoas e depois com uma cadeira de intervalo. Portanto, neste momento, a lotação depende muito das pessoas que vão à corrida. Portanto não sei ainda um limite“, mas revelou que “no máximo dos máximos, consigo ter 1000/1100 pessoas, mas não é um número certo“.

A venda de bilhetes iniciou-se na passada segunda-feira e, segundo o empresário, a “adesão está acima das expectativas“.

Sobre a montagem do cartel, revelou que “depende da disponibilidade. Esta é uma corrida em que temos de estar todos juntos, todos unidos. Não foi difícil. O Rui Salvador é uma figura do toureio que se disponibilizou a ajudar, mas com todos os seus custos e gastos garantidos, porque no fundos estamos todos a ajudar-nos um bocadinho” e nesse sentido “o cartel foi sendo montado à medida em que se ia ligando aos cavaleiros. (…)“, explicando que “todos sentiram o peso que esta corrida teria não só em termos nacionais, mas veja também a repercussão que a corrida tem tido em sites francesas, espanhóis… Excepção ao Campo Pequeno, nunca se falou tanto de uma corrida em Portugal“.

Deu ainda o exemplo do rejoneador mexicano, Emiliano Gamero, que “estava anunciado para o dia 1 de Maio, no Cartaxo, e 2 de Maio, em Estremoz, em Março. Mas depois com o confinamento foi cancelado, mas agora quisemos cumprir com o acordado, até porque ele já cá tinha os cavalos. Portanto, obviamente que na primeira oportunidade se colocou o Emiliano Gamero, que tem uma honra enorme em vir. Inclusive tem tido uma repercussão no México com honras de televisão e a falarem da corrida de Estremoz“.

Recordamos que o cartel desta corrida é composto pelos cavaleiros Rui Salvador, António Brito Paes, João Moura Caetano, Manuel Telles Bastos, o mexicano Emiliano Gamero e Parreirita Cigano. Lida-se um curro da ganadaria Vinhas. Actuam os forcados Amadores de Arronches e Académicos de Elvas.

Toda esta pandemia provocou “prejuízos incalculáveis” agravada com uma “falta de apoio inadmissível“. Por esse motivo, o empresário diz que “o governo tem de olhar para esta situação de uma outra forma. Além demais ainda nos discriminam ao não darem as mesmas condições que aos outros espectáculos da cultura“.

Na tauromaquia, “as condições não são as mais favoráveis, porque não temos as mesmas condições que as outras artes da cultura, estamos a ser discriminados. Há uma tentativa de que não arrancássemos e essa foi a minha forma de luta para arrancar com esta corrida: Mesmo assim, ainda não é desta que nos põem em casa“.

Diz mesmo que as actuais directrizes da DGS “terão se ser alteradas, é anti-constitucional. Tal como o IVA também o é“.

O empresário acredita que em breve o governo “voltará à democracia e deixará este novo fascismo da política do gosto. Para voltarem a ser os democratas que sempre foram

O empresário confessou que com as actuais condições impostas para as corridas de touros “não é para ter lucro. Se não fosse a colaboração dos toureiros e do ganadeiro era impossível realizar este espectáculo. Foi com uma conjugação de esforços de todos que se conseguiu colocar este espectáculo na rua“. Considera que isto é “uma aposta na defesa da tauromaquia

Defende que “quem faz as leis, não tem ideia do que é a tauromaquia e do que tem sido ao longo dos anos“, dando o exemplo dos testes obrigatórios aos forcados.

O empresário, que terá outras praças geridas pela sua empresa, revelou-nos que “sem contar com o concurso da primeira praça do país, eu tinha pensado realizar entre 12 a 14 corridas. Penso que se forem alteradas ou igualadas as regras, comparativamente aos outros espectáculos, poderemos chegar aos 12 espectáculos. Entre 8 e 12. Mas depende de como as coisas forem evoluindo“.

Falou-nos ainda da aposta em cartéis de 6 cavaleiros, que terão mais ênfase este ano, e de que forma olha para a competição entre artistas dentro da arena. Uma entrevista que poderá ver e ouvir na íntegra, no link abaixo.

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