Cremilda Medina: “tenho fé que todos nós possamos sair desta pandemia mais humanos e mais próximos”

Cremilda Medina é cantora, natural de Cabo Verde, e está em Portugal, durante o actual estado de emergência, devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, COVID-19.

O Infocul aproveitou para conversar um pouco com a artista e tentar perceber como está esta pandemia a ser encarada em Cabo Verde, perceber de que forma as medidas são diferentes nos dois países e ainda abordar a dificuldade acrescida de estar longe da família.

Cremilda Medina é um dos nomes em maior evidência na cultura de Cabo Verde e a sua voz transporta a tradição da Morna, cujo legado tem o nome maior de Cesária Évora.

Em finais de 2017 editou o seu primeiro álbum de nome “Folclore”, que lhe valeu vários prémios nacionais e internacionais.

Como é que está a viver toda esta situação, tendo em conta que é cabo-verdiana e está em Portugal? O coração aperta mais pelos que estão longe?

É verdade, o coração fica mais apertado quanto maior é a distância daqueles que nos são mais próximos. Vim para Portugal no inicio de março para um concerto que acabou por ser cancelado devido a esta situação do Covid-19. Isso fez com que ficasse por cá até que as fronteiras voltem a abrir em Cabo Verde e que assim seja possível regressar. Tenho acompanhado diariamente a situação em Cabo Verde, ansiosa e preocupada, mas ao mesmo tempo esperançosa de que tudo passe rápido e que volte o mais rápido possível à normalidade.

Como é que está a ser vivida esta situação em Cabo-Verde?

Em Cabo Verde para já existem poucos casos confirmados de infecção, desses infelizmente uma pessoa acabou por falecer, um turista Holandês que estava de férias no Pais. Isso fez com que dois hotéis na ilha da Boa vista fossem postos de quarentena, onde felizmente não se vieram a registar mais mortes. Essa quarenta terminou e as pessoas puderam regressar às suas casas com o devido acompanhamento por parte das autoridades de saúde. Existe em Cabo Verde, como na generalidade dos países em todo o mundo, o clima de medo e de apreensão pelo que está a acontecer, quanto tempo isto irá durar assim como será o pós Covid-19, que eu acredito que irá ser complicado, pois esta situação está a mexer com todo o mundo.

Quais as diferenças na forma como esta situação está a ser vivida lá e o que está a acontecer aqui, em Portugal?

Cabo Verde por um lado está numa situação melhor do que Portugal devido aos poucos casos que tem confirmados em relação aqueles que Portugal têm até ao momento. Este estado também tem a ver com as medidas de prevenção que o Governo de Cabo Verde tomou, uma das principais foi o fecho das fronteiras, o que permitiu um maior controlo. Claro que isto tem um grande impacto em toda a sociedade no geral, mas julgo que a prioridade neste momento seja salvar vidas.

Em Portugal tem-se assistido a um aumento exponencial dia após dia de casos confirmados, felizmente não nos números de outros países mais afetados, mas têm aumentado o que tem gerado também um clima de receio.

Tanto em Portugal como em Cabo Verde está em vigor o Estado de Emergência o que obriga e aconselha as populações a respeitarem as medidas que os governos decretaram, assim jugo que tanto em Portugal como em Cabo Verde as pessoas na sua maioria estão a respeitar essas medidas e isso tem feito com que a situação esteja mais controlada. 

Não consigo dizer muitas diferenças da forma como esta situação está a ser vivida, pois é um clima geral de apreensão e expectativa.

Em termos de espectáculos e discografia, o que veio esta pandemia alterar relativamente ao que tinha previsto?

Esta pandemia de certa forma veio fazer uma pausa nos projectos que tenho.No ano passado tomei uma das decisões mais importantes da minha vida nos últimos tempos que foi desde janeiro deste ano dedicar-me exclusivamente à musica, aquilo que mais me faz feliz, cantar, e assim o fiz! Desde março a junho esta pandemia fez com que 9 espetáculos que tinha já confirmados, fossem cancelados pelas suas entidades promotoras, o que me deixa apreensiva também em saber como será o pós Covid-19 em termos de espetáculos. Em termos de discografia espero que esta situação não venha a afetar a edição do meu próximo álbum. 

Actualmente, como é a sua rotina dado o isolamento social a que estamos sujeitos?

Neste momento tenho aproveitado o tempo para descansar, coisa que os últimos tempos tinha sido difícil. Desde que cheguei a Portugal no inicio de março tenho estado sempre em casa com a exceção do dia 16, dia em que fui a um programa de televisão na RTP. Foi sair de casa directamente para os estúdios e depois voltar novamente para casa. Tenho aproveitado para ouvir musicas, ver filmes e series, coisas que gosto e que mesmo antes deste isolamento social já fazia regularmente. 

Em termos de música, tem dado para criar algo ou esta é uma altura de recolhimento?

Acima de tudo tem sido um tempo de recolhimento, mas tenho aproveitado também para ouvir algumas composições que me têm enviado. Assim vou aproveitando algum do tempo para organizar o próximo álbum com mais calma.

O que pensa dos espectáculos em directo que vários artistas têm feito nas redes sociais?

Julgo que seja uma boa iniciativa, uma forma dos artistas estarem em contacto com as pessoas que num momento como este têm de ficar em casa. É uma forma de estes poderem interagir com o seu publico e seus fãs. 

Tem dedicado mais tempo às redes sociais?

Agora que tenho estado em casa tenho dedicado mais tempo do que o que normalmente dedico, também como uma forma de estar mais em contacto com a família, amigos e fãs.

Qual a primeira coisa que quer fazer, quando esta pandemia terminar?

A primeira coisa que quero fazer é regressar a Cabo Verde, regressar a casa.

Quais as actividades de que sente mais falta?

Situações como esta faz-nos repensar, principalmente aquelas pequenas coisas que damos como certas na vida e muitas das vezes como sendo insignificantes. O exemplo disso é, passear, ir ao cinema ou ir ao ginásio. Sinto falta do palco, de cantar.

Sairemos disto melhores ou piores, enquanto cidadãos?

Eu tenho fé que todos nós possamos sair desta pandemia mais humanos e mais próximos. É assim que quero pensar, é nisso em que acredito.

Onde poderá o público interagir consigo?

Podem interagir através das redes sociais, sempre que possível vou respondendo ás pessoas que entram em contacto comigo, tenho imensas mensagens que vou acompanhando e respondendo, quer através do facebook ou do instagram.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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