Cuca Roseta no Coliseu dos Recreios: A mulher por detrás da fadista

img-20161106-wa0001

 

Isabel Roseta, artisticamente conhecida como Cuca Roseta, proporcionou na noite de 5 de Novembro, uma viagem artística do fado à pintura, passando pelo taekwondo e pela dança, ou se preferirmos pelas suas paixões e inspirações traduzidas no seu fado.

 

 

 

Com três discos gravados, centenas de concertos realizados, milhares de seguidores nas redes sociais e aclamada como uma das melhores vozes da actualidade no Fado, Cuca Roseta chegou ao Coliseu dos Recreios com muito para cantar. Foi mais além e presentou o público com uma viagem pela paixões da sua vida que a inspiram e ajudam a construir o processo artístico.

 

 

“Além Terra” abriu o espectáculo com um corpo de baile, dirigidos por Pedro Borralho, e com a genialidade de Mário Pacheco na guitarra portuguesa (ele que compôs o tema). Em palco estiveram ainda na parte instrumental Frederico Gato no baixo, Diogo Clemente na viola de fado e André Silva na percussão. Cuca Roseta mostrou o seu gosto pela dança integrando a coreografia, com bastante sensualidade.

 

 

“Rua do Capelão” trouxe Pedro Viana à guitarra portuguesa, juntando-se aos restantes músicos em palco, saindo Mário Pacheco e André Silva. O primeiro momento em que Cuca Roseta mostrou o poder do seu aparelho vocal, visivel principalmente no prolongamento das notas.

 

 

Continuando pela portugalidade, das principais características deste espectáculo, ouvimos “Homem Português” e “Nos teus braços”. Este último tema que contempla uma das mais bonitas e emocionantes letras do seu disco “Raíz”. Num crescente entusiasmo por parte do público, ouvimos “Lisboa a Namorar” e “Marcha de Santo António”, antes do “Fado da Vaidade” que trouxe de novo a palco um par de bailarinos.

 

 

Cuca soube manter um excelente ritmo de espectáculo. Soube dosear as palavras, falar ao público nos momentos certos. Durante os temas destacamos o jogo de luzes, da responsabilidade de António Martins. Um jogo de luzes sóbrio, mas com uma capacidade de criar a ideia de intimidade numa sala grandiosa como o Coliseu. António Martins, que já tinha conseguido uma das melhores iluminações que vimos este ano em espectáculo de fado no concerto de Cuca em Cascais, voltou a mostrar uma sensibilidade impar, e isso tem toda a influência no sucesso de um espectáculo que se quer visualmente estimulante para o público.

 

 

“Fado dos Sentidos” foi uma preparação para o momento de taekwondo que assistimos a seguir, exemplificado por sete jovens. Este fado representa, segundo Cuca, irmos em busca dos nossos sonhos, sem ter medo de arriscar.

 

 

De regresso a palco, depois de se ter ausentado no momento de taekwondo, e já com novo vestido, ouvimos o tema que dá nome a este último disco, “Riû”, antes de relembrarmos dois nomes maiores da cultura portuguesa, Luís Vaz de Camões e Zeca Afonso em “Verdes são os campos”. Durante este tema, Cuca pintou numa tela em palco, enquanto por entre a plateia o corpo de baile, caminhava para o palco com uma coreografia que transmitia liberdade. A dança e a pintura, duas das paixões de Cuca, mais uma vez muito bem ligadas ao seu canto. Todo o enquadramento cénico neste concerto deu uma ideia de planeamento e ao mesmo tempo de natural.

 

 

Num “Riû” que nos transmite um imenso mar musical, seguiu-se “Ser e Cor”, “Tanto” e “Lisboa de Agora”, antes de mais uma vez Cuca surpreender o público tocando piano e viola. Primeiro um tema religioso, seguido por “Fado de Inverno”.

 

 

“Estranha Forma de Vida” antecedeu um dos momentos altos da noite. O instrumental a cargo de Pedro Viana, Frederico Gato, Diogo Clemente e André Silva foi soberbo. A genialidade destes músicos, numa viagem sonora que fez o público vibrar, aplaudindo efusivamente no final do tema.

 

 

Mas as surpresas ainda não tinham terminado e Cuca regressa a palco acompanhada pela Orquestra de Câmara da GNR liderada pelo maestro João Cerqueira. Entre os temas cantados por Cuca acompanhada pela orquestra destacam-se “Fado do Silêncio” numa homenagem a Lisboa, e “Foi Deus” numa homenagem a Amália Rodrigues.

 

 

“Amor Ladrão” antecedeu um curto encore, após o qual Cuca regressou a palco para “Marcha da Esperança” que trouxe a palco todos os convidados deste espectáculo e a Marcha de Santa Engrácia que mostrou uma das mais belas tradições de Lisboa, num fecho de concerto apoteótico com direito a confettis.

 

 

A ideia foi mostrar um bocadinho desta verdade do fado, mostrar um bocadinho mais do que eu sou, por mais que pareça antagónico eu cantar o fado e depois aparecer taekwondo e depois bailado. A verdade é que todas essas coisas são minhas paixões e que se unem numa coisa chamada expressão de emoções”, começou por nos dizer a artista no final do seu espectáculo.

 

 

Queria mostrar um bocadinho da Isabel Roseta além da Cuca Roseta, e isso deixou-me um bocadinho nervosa, porque abro um pouco a porta da minha privacidade mas acho que o meu público merece” antes de referir os desafios que hoje enfrentou ao dançar ou a tocar viola. Disse-nos ainda que estes espectáculos nos Coliseus, dia 12 actua no Porto, é “o fechar de um ciclo”.

 

Fotografia: Alfredo Matos

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6436 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.