Daniel Pereira revela “o prazer que tenho a tocar o cavaquinho” no seu novo disco

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“Cavaquinho Cantado” é o novo disco de Daniel Pereira, músico e compositor bracarense. Em entrevista ao Infocul abordou o processo criativo deste novo trabalho, a música portuguesa e o eu reconhecimento e também os espectáculos que se avizinham.

 

 

Quando começou a ser pensado este disco, “Cavaquinho Cantado”?

 

Logo que a Associação Cultural Museu Cavaquinho iniciou, um dos objectivos era fazer discos novos, de novos artistas, que explorassem o cavaquinho como instrumento solista principal. Mais ou menos no final de 2014 através do presidente Júlio Pereira, foi-me feito o convite a fazer um disco que aliasse o canto ao cavaquinho, sobre as nossas músicas tradicionais. Após muito trabalho de arranjos, de pesquisas de sonoridades, estudos no tipo de captação dos instrumentos, no tipo de estética… Fomos escolhendo as músicas e começando as captações, inicialmente em trio com o Diogo Riço na Bandola e o André Ramos com a Braguesa e posteriormente em quinteto com o André NO nas percussões e o David Estêvão no Contrabaixo, já com a produção musical a cargo do Hélder Costa.

 

 

Qual a principal mensagem que tenta transmitir com este disco?

 

A primeira, que, quanto a mim, se pode e deve fazer música mais contemporânea e actual com os nossos instrumentos e músicas de identidade e de que com muito trabalho, podemos fazer coisas muito interessantes com eles. A segunda, o prazer que tenho a tocar o cavaquinho e a cantar… Se as canções puderem fazer as pessoas que as escutarem um pouquinho mais alegres e de bem com a vida, então ele cumpriu a sua função e eu sentir-me-ei realizado com isso.

 

 

O alinhamento conta com muitos temas do cancioneiro tradicional. Foi difícil escolher por entre tanta variedade existente? Qual o critério utilizado?

 

É sempre muito difícil, porque tínhamos bastantes músicas arranjadas, que tivemos que ir deixando pelo caminho. O critério, foi ir escolhendo as músicas para as quais tínhamos arranjos que achávamos que funcionariam melhor e ir enquadrando isso num alinhamento. Também queríamos que ele fosse abordando sonoridades e estilos diversos, que pudessem dar uma dinâmica interessante ao disco.

 

 

Quando é que se apaixonou pelo cavaquinho?

 

Sendo o meu pai um dos fundadores do Origem Tradicional, onde fui começando estas andanças desde os 9 anos, cresci no meio da música e dos instrumentos tradicionais. Quando tinha 7 anos a minha irmã pediu de prenda ao meu pai um cavaquinho e, não sei porquê, aquilo foi como que um clique para mim, o meu pai começou a ensinar-me uns acordes e umas musicas e, até hoje não me lembro de não tocar cavaquinho… já lá vão precisamente 30 anos, a fazer em Abril.

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Quais as especificidades deste instrumento?

 

O cavaquinho tem uma sonoridade muito peculiar, muito vibrante e alegre. Para além disso tem também uma forma especial de tocar… o rasgado, com o qual podemos fazer ao mesmo tempo ritmo, melodia e harmonia (acordes). É de facto uma forma única de tocar um instrumento de cordas, o que o torna muito diferente.

É também, quanto a mim, um dos instrumentos mais democráticos de todos, de custo relativamente baixo e que as pessoas podem iniciar de forma relativamente simples, obviamente que para o tocar bem exige muito trabalho e persistência – no fundo como qualquer outro instrumento musical. (sorri)

 

 

Quais as pessoas mais importantes e que tornaram este disco possível?

 

Sem dúvida o Júlio e a sua crítica sempre acutilante e construtiva, sem dúvida o Hélder pelo seu trabalho inexcedível e sempre galvanizador para com todos os fundamentais músicos e amigos que comigo fizeram este disco. A minha mulher, os meus filhos e os meus pais e mana, incontornáveis, que são, como costumo orgulhosamente dizer, o meu mundo… mas que compreendem que é assim que sei ser feliz, fazendo a música que gosto, criando, tocando e cantando…

 

 

Quais as reacções mais curiosas que já lhe disseram sobre o cavaquinho?

 

Sem dúvida que quando há uns meses fomos tocar ao Azerbaijão, senti que as pessoas ficaram mesmo surpreendidas com o nosso pequeno tetracórdio e fizeram questão de vir ter comigo e falar sobre isso, foi uma experiência muito boa… sentir que mexemos com as pessoas que desconheciam completamente o instrumento.

 

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Sente que o cancioneiro tradicional está de novo a ser valorizado? O que ainda falta fazer?

 

Acho que sim, mas sinto também que ainda temos tudo por fazer…

Temos que levar a nossa música de identidade mesmo a sério e trabalhar muito mesmo, para que a possamos colocar no lugar onde ela merece: desde os jovens poderem sentir-se identificados e com interesse na sua música de raiz, até conseguirmos exportar a nossa música através do mercado internacional da World Music.

 

 

Em termos de espectáculos o que está a ser preparado e que possa ser revelado?

 

Depois da fantástica antestreia no Theatro Circo em Braga, Theatro Gil Vicente em Barcelos e Casino da Figueira, vamos fazer um lançamento oficial por Espanha, com concertos em Madrid, Valladolid e Léon e temos alguns concertos marcados a partir daí, como no Teatro Valadares em Caminha, na 50ª AGRO, no Teatro Garret, na Fábrica das Ideias na Gafanha da Nazaré,  no Festival de Guitarra de Lagoa, entre outros.

O concerto completo conta com uma equipa de 11 pessoas. Por norma, para além de mim, temos o Diogo na Bandola e Guitarra, o David no Contrabaixo, o André NO nas Percussões e a Catarina Valadas na Flauta e Voz como quinteto base, aos quais se juntam o André Ramos na Viola Braguesa, o João Conceição nas Percussões e a Ana Conceição na Voz, dependendo do tipo de espectáculo. O desenho de Luz está a cargo do Sérgio Lajas e o Som a cargo do Hélder e do Diogo Cocharro.

Apareçam para nos verem e conhecerem! (sorri)

 

 

Para quem queira saber mais sobre o seu trabalho e interagir consigo, onde poderá fazê-lo?

 

Para os videos, o canal , para contactos e troca de ideias, o incontornável facebook .

 

Fotografias: Bruno Gonçalves

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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