Daniel Seabra: “ Como me encontrava sem objectivos, a escrita preenchia as horas mortas e servia como uma espécie de intervalo do tédio”

‘Ramificações da Alma’ é o livro de Daniel Seabra, no qual o jovem, de 24 anos, apresenta a sua arte em formato poético. Conta com prefácio de João Tempera.

Neste livro, Daniel Seabra demonstra, que independentemente das limitações físicas de cada um, todos somos emoção. E a forma como canalizamos as diferentes emoções demonstra muito do que somos e do que pretendemos ser.

“Tinha inclusive de ir de fralda para a universidade. Após ter concluído o primeiro ano e metade do segundo, desisti”.

Quando nasceu este gosto pela escrita?

O meu gosto pela escrita surgiu em 2006, com 11 anos, quando me foi dada a oportunidade de ter uma rubrica semanal de poesia, no jornal da escola D. Miguel de Almeida, em Abrantes. Eu usava, talvez por vergonha, o pseudónimo Darkness Shade, e apenas meia dúzia de amigos mais chegados sabiam que os poemas eram da minha autoria. Hoje, passados 13 anos, adorava saber que tipo de poesia escrevia uma criança de 11 anos, mas perdi todos os registos.

A escrita é uma terapia que usa para a sua alma?

A escrita surgiu de novo na minha vida em 2017. Tinha acabado de deixar o politécnico de Abrantes, onde estudava comunicação social, por não ter o apoio de uma funcionária que me ajudasse com as refeições, as idas a casa de banho, etc… Tinha inclusive de ir de fralda para a universidade. Após ter concluído o primeiro ano e metade do segundo, desisti. Como me encontrava sem objectivos, a escrita preenchia as horas mortas e servia como uma espécie de intervalo do tédio.

A limitação motora influencia ou não aquilo que escreve?

Essa questão é me muito complicada de responder. Enquanto estudante, nunca senti qualquer tipo de tratamento diferente, tanto da parte dos colegas como dos professores. À medida que fui crescendo e me fui tornando o adulto, percebi que o mundo dos “grandes” ainda não aceita bem tudo o que foge do padrão de normalidade. Seja a nível das oportunidades de trabalho, até às coisas banais, como a falta de acessos. Acho que de uma forma ou de outra, isso tem peso na minha escrita.

 

“Ter um filho saudável aos 19 anos já assusta, quanto mais ter um com os meus problemas de saúde”

‘Ramificações da Alma’ é um livro biográfico ou tem nele influências de situações que conhece ou presencia em outros?

Embora conheça grades história de superação, em tudo semelhantes a minha, este livro é acima de tudo biográfico.

Quanto tempo demorou a escrever todos estes poemas? Ou foi escrevendo ao longo do tempo?

Este livro foi iniciado em Setembro de 2018 e concluído em Julho de 2019.

Qual o poema mais emotivo que tem aqui? E porquê?

O poema mais emotivo que até hoje escrevi é sem duvida aquele que dedico à minha mãe, Ter um filho saudável aos 19 anos já assusta, quanto mais ter um com os meus problemas de saúde. A minha mãe separou-se quando em tinha 6 anos e a minha irmã 2. Nunca mais vimos o nosso pai. A nossa mãe tem sido mãe e pai de dois filhos. Acho que é necessária uma força e um amor incrível para que isso seja feito tão bem, como a minha mãe o faz.

Qual a principal mensagem deste livro?

Acho que cabe a quem o lê interpretá-lo. Não vão haver, com certeza duas pessoas que retiram dele a mesma mensagem. Eu só queria deixar algo que diga que passei por cá, Algo que, um dia mais tarde faça as pessoas dizer: “Epá, este gajo dizia umas coisas de jeito”.

É uma pessoa triste e melancólica?

Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa feliz e de bem com a vida. Apenas uso o meu lado mais triste e emotivo na escrita, pois é me mais fácil escrever sobre esses temas.

Quem é o Daniel Seabra e o que o move?

Aos 24 anos, ainda estou a descobrir quem sou e qual é o meu papel aqui. O que me move é a vontade de fazer da escrita vida.

Tem alguma referência na escrita e que o inspire?

A minha grande referência na poesia é Fernando Pessoa. Sou também grande fã de Florbela Espanca e Daniel Faria.

O Amor cura?

O amor dos meus amigos e familiares cura, com certeza. Se me fala do amor em termos de paixão, não sei, pois nunca tive uma namorada.

Na sinopse, e sobre o livro, diz “não o enchais de lágrimas, pois, disso, já está cheio”. Chora para se libertar ou chora de dor?

Acho que todos nós na vida, em algum momento, já sofremos de algum tipo de dor. Basta canalizá-la para o sítio ou para o motivo certo e podemos construir grandes coisas.

Onde podem as pessoas acompanhar o seu trabalho?

Neste momento, ainda não há muita gente que possa acompanhar o meu trabalho. Posto de vez em quando, alguns poemas e textos em prosa na minha página de Facebook.

E onde podem adquirir o livro?

Neste momento, o livro apenas se encontra a venda no site da Bubok, onde está disponível em formato físico e digital .

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Se há uma mensagem que posso deixar é que nunca desistam dos vossos objectivos e sonhos, por mais impossíveis que eles possam parecer.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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