David Carreira e a estreia na Altice Arena: “Aquilo é uma mega produção. Uma hiper mega produção, mesmo!”

David Carreira concedeu uma longa entrevista ao Infocul, antecipando aquilo que será o seu espectáculo na Altice Arena a 30 de Novembro.

 

O cantor, filho de Tony Carreira, pisará o palco desta sala pela primeira vez em nome próprio.

 

Sobre o espectáculo começou por nos explicar que “é a primeira vez que vou estar na Altice Arena e a ideia este ano, como tive muitos concertos, era apresentar um concerto que as pessoas não pudessem ver durante toda a ‘7 Tour’. Portanto irei fazer um concerto 360º”.

 

 

Ao longo de toda a digressão acabei por melhorar o alinhamento de concerto para concerto, quais as músicas que as pessoas mais querem ouvir, definir todos os momentos do espectáculo (se fazemos assim, se apareço ali, se entro por aqui…) e agora é mudar isto tudo para um 360º. Portanto, é pegar em tudo o que foi bom e em tudo o que as pessoas gostaram da ‘7 Tour’ para levar para um 360º, um tipo de concerto completamente diferente, em que o público está todo à volta, a minha forma de entrar em palco é diferente também, a forma como os convidados vão aparecer tem de ser muito bem pensada, daí a preparação de 1 ano para tentar fazer o melhor concerto da minha carreira até agora”, acrescentou.

 

Em palco prepara-se para apresentar “um concerto com muitos bailarinos, muitos músicos também, vai ser uma junção de várias coisas também, com momentos só de piano e voz, momentos com banda e também momentos a dançar”.

 

Destacou ainda que “aquilo é uma mega produção. Uma hiper mega produção, mesmo! [risos] Mas depois o facto de ser a 360º, eu não diria intimista, mas dá-te mais oportunidade de estar mais próximo das pessoas, de partilhar mais as energias e não existir uma barreira entre palco e público para quem estiver lá atrás. O facto de ser 360º aproxima-me de toda a gente. O palco é gigantesco, a estrutura em si é grandiosa, mas também vai haver momentos mais intimistas em que é só uma guitarra e a voz ou o piano e a voz”.

 

Em termos de produção, e sem revela muito, lá desvendou que “vou ter o palco central, que se encontra no meio da Altice Arena, depois tenho público e uma passerelle à volta desse público, portanto o público que comprou Golden e Silver Tickets encontra-se dentro do palco, por assim dizer. Tens uma passerelle que dá a volta a esse público também”.

 

Já são conhecidos alguns dos convidados para este espectáculo. Até ao momento estão confirmados: Mc Zuka, Deejay Télio, Nuno Ribeiro, Nego do Borel, Sara Carreira e Tony Carreira.

 

Questionámos se Mickael Carreira estaria também, algo que David disse não saber. Isto porque, no dia em que nos cedeu esta entrevista, tinha “um concerto no qual vou aproveitar para tocar músicas só guitarra e voz com os fãs e fazer-lhes perguntas sobre quais os temas que querem ouvir, para me ajudarem a definir parte do alinhamento. Já tenho uma parte feita. Eu gosto de ter essa proximidade com os fãs, de serem eles quase a escolher qual o concerto que vão ver, no dia 30 de Novembro na Altice Arena. Portanto, o ‘Señorita’, com o Mickael Carreira, é um dos temas que a malta pode escolher”.

 

Sobre esse tema, revelou ainda que “acabei por não cantar esse tema na ‘7 Tour’ porque o Mickael tinha, também, muitos concertos e então era difícil juntarmos-nos os dois”.

 

 

Já “o ‘Gosto de Ti’ cantei porque a Sara ainda não começou a tour dela, apenas vai começar no próximo ano, portanto deu para ela acompanhar a digressão e cantar comigo a música, para ela perceber também como o público reage às músicas dela. E divertires-te com a família na tour é muito fixe, poderes estar na tour com a tua irmã é algo muito importante”.

Chegou a ser considerado o Justin Timberlake português. Sobre as expectativas, críticas e todo o mediatismo em seu redor assume que “é um desafio!”.

 

Na música e também em muitas outras áreas. Estás sempre a ser julgado. O que eu faço fora da música não me interessa muito esse julgamento ou o que possam entender. Porque é a minha vida privada! Se me apetece ir jantar fora com a minha namorada ou ir de férias, não ligo muito o que dizem, porque é a minha vida privada. Agora, tudo o que tenha a ver com música, lançamentos de música, se o pessoal gosta ou não, se reagem bem ao videoclipe ou não, se gostam da tour ou não, são coisas que ao início não ligas muito mas que quando começas a querer criar uma carreira com pés e cabeça, dar o máximo aos teus fãs, às pessoas que te acompanham desde início e tentares manter essas pessoas como família, são coisas em que ficas sempre preocupado”, explica.

 

E perante isto, “aquilo que tento é fazer a música da forma mais verdadeira. Faço porque gosto! Não faço a pensar no que é que o pessoal vai achar. É óbvio que estou sempre a pensar, por exemplo hoje estou a lançar uma música que é o “Será que são pó”, que faz parte da reedição. E quando vais lançar um novo single, uma reedição, um novo álbum, fico sempre a pensar ‘será que o pessoal vai curtir?’. Mas isso é apenas no próprio dia e no dia antes, depois passa. Mas quando estou a fazer a música não penso nisso!

Numa conversa que fluiu por várias áreas, as canções foram abordadas. Sobre um tema que tenha tido muitas expectativas e ao qual o público não tenha reagido, David Carreira entende que “há músicas que tu pensas que o pessoal não vai reagir e depois acabam por reagir muito bem e há outras que vão ser um hit e não são. Por exemplo, ‘O problema é que ela é linda’, eu não pensava que fosse ser um hit. De todo. E a cena correu muito bem, do último álbum é provavelmente a música mais conhecida. Mas também há o contrário. O ‘Já não te sinto’, que acabei por nem pôr neste álbum porque ‘deu-me azar e nem vou arriscar…’, achei que ia ser um hit estrondoso e acabou por não ser. Mas isso acontece, não se pode acertar sempre”.

Para o espectáculo na Altice Area conta com “200 pessoas, a produzir, ou mais…É muita gente”, não evitando o sorriso.

 

E assume que “faço questão de estar quase em tudo. Quer seja no desenho do palco, que é feito entre o meu técnico de iluminação e eu, como na criação das coreografias, criação dos arranjos. Tivemos, com os músicos todos juntos, a criar os arranjos de grande parte do concerto. Vamos criar o resto agora. Portanto eu estou presente em todos os momentos porque sou o elo e ligação entre várias equipas. Imagina, tens a parte musical em que os músicos vão fazer os arranjos mas os músicos precisam de saber o que vai acontecer em palco, o que estás a pensar fazer. Estou aqui a cantar ‘E quando tu me pedes para parar…’ e booom. Pára tudo! Olho para o público, ‘Ai eu acelero…’ e boooom explode fogo-de-artifício… Portanto tudo isso para mim num concerto é um espectáculo! Há momentos em que deixas a música falar por si e há outros em que se puderes acrescentar audiovisuais consegues fazer algo mais grandioso e portanto música, coreografias, iluminação, vídeo hall, pirotecnia, o local por onde surge o convidado, que pode vir do tecto ou então debaixo e até no meio do público! Eu posso aparecer no meio do público. Aliás vai existir um momento em que surjo no meio do público, que não estará à espera. Portanto eu cabo por estar no meio de todas estas pessoas que me ajudam a construir este espectáculo, que me ajudam também a fazer um álbum, e eu sou sempre o elo de ligação entre todas”.

 

E divirto-me imenso a fazer isto. Há músicas em que faço tudo sozinho, há outras em que gosto de ter pessoas a ajudar na produção, na melodia, na letra…”, revela ainda sobre o seu processo criativo.

Contou ainda a curiosidade do dia em que decidiu fazer este espectáculo e o que lhe disse o seu pai, Tony Carreira, que esgotou esta sala inúmeras vezes.

 

Quando decidi fazer o Altice, eu fui lá ver o tamanho da sala, para ver quantas pessoas tens de pôr. Porque uma coisa é dizerem-te que tens de pôr 18 mil pessoas, mas tu não estás a ver a sala, a dimensão daquilo. Então fui lá e, nesse dia, ele estava lá a fazer uma sessão fotográfica. No centro da arena eu disse-lhe ‘isto é muito grande…’ e ele respondeu-me ‘ainda não viste nada, quando estiveres em cima do palco é que vais ver o quanto isto é grande’. Mas graças a Deus tem corrido bem. Os Golden e os Silver esgotaram logo, o Balcão 0 e 1 também estão a esgotar, agora abrimos o Balcão 2 (porque ao início não sabes se as pessoas vão aderir…), portanto já abrimos a sala toda e tudo indica que vai esgotar. O receio de as pessoas não aderirem já passou, agora já me posso divertir”.

Um espectáculo no qual assume que poderá mesmo emocionar-se em vários momentos, até porque “este último álbum, 7, é muito específico com um lado triste e um lado feliz. É algo muito pessoal! É muito pessoal. Eu canto uma música com a minha irmã aquela música fez ainda mais sentido quando a pude cantar com ela na tour, porque deu para estarmos juntos. O ‘Será que são pó’ foi a primeira música que escrevi do álbum e foi numa fase em que não estava muito bem, estava triste. E então é provável que nessas músicas eu vá ficar mais emocionado…”

 

Já sobre o equilíbrio emocional entre o homem e o cantor, onde começa um e termina o outro, disse que “é bem misturado”.

 

Quando estou com a minha família não há o lado artístico, mas é óbvio que passo maior parte do tempo, no dia-a-dia, em David Carreira do que em David Antunes, porque é assim mesmo. Ou porque estou em digressão, ou porque estou em estúdio a trabalhar, mas misturam-se muito. Porque quando estou em estúdio eu estou a trabalhar no projecto David Carreira, mas o que vem desse projecto sou eu! Não há ali uma barreira, não é como um actor fazer um personagem em que se calhar ele tem 10%. Mas quando estou com a família ou amigos e não se fala de música, sou 100% eu”, acrescentou.

 

Aos 28 anos, com 8 de carreira, assume que “a partir daqui o que falta no portefólio é fazê-la 20 vezes, o que é um recorde. Depois de um Altice, só se for um estádio”.

Actuar na maior sala do país aos 28 anos, e apenas com 8 de carreira é algo de extraordinário e que muitos não conseguiram. Contudo David Carreira assume que “a mim pareceu-me uma eternidade, se pudesse ter sido em 2 / 3 anos, teria sido melhor [risos]”.

Mas a verdade é que pensando bem, em 8 anos de carreira fazer pela primeira vez o Altice Arena é muito bom. E sobretudo com 28 anos de idade é top. Mas para mim, em que se passou tanta coisa, parece que foram 15 ou 20 anos. Porque em 8 anos eu lancei 7 álbuns!”, acrescenta

Ao longo destes oito anos há uma música que é quase obrigatório ser cantada em todos os espectáculos e não é a preferida de David Carreira.

 

É a música que vou tocar para o resto da minha vida e que confesso que por vezes não me apetece. Mas o público adora, que é o meu primeiro single ‘Esta Noite’. Possivelmente não a cantei em 1 ou 2 concertos mas provavelmente cantei em 1000. Não sei quantos concertos fiz…mas acho que já fizemos mais de 600. E obviamente que após sete álbuns, e essa é do primeiro, a tua forma de escrever muda muito. E no meu primeiro álbum eu nem escrevia tanto, mas estava sempre presente. E eu queria começar a escrever, só não tinha perdido a timidez para o fazer. Mas estava sempre presente na escrita na medida em que gosto mais daquilo, ou disto… Mas às vezes o ‘Esta Noite’ em cima do palco eu não consigo cantar ou nem canto…Canto duas ou três frases e o público faz o resto. Mas divirto-me imenso em cima do palco por causa disso, porque o público começa a saltar e então é fixe”, explica-nos.

Mas sobre o tema que mais revela de si, enquanto homem, e após muito pensar… disse que “é muito difícil dizer. Se eu pudesse apenas guardar uma música minha, eu digo que é o ‘In Love’ porque é uma música que eu nunca me vou cansar de cantar. Acho que acaba por resumir melhor a minha carreira. Porque embora haja um lado mais dançante com temas como ‘O problema é que ela é linda’, ‘Minha Cama’, ‘Esta noite’, mas acho que é aquilo que mais resume aquilo que me vejo a fazer daqui a 20 anos”.

 

Sobre se o percurso irá na direcção de um cantor romântico foi cauteloso e explicou que “não sei se será para ser um cantor romântico. Mas vou sempre fazer música pop. Posso vir a fazer dance house, hip hop, cenas R&B, porque me divirto imenso a fazer isso, cresci a ouvir isso, mas aquilo que vou sempre fazer é música pop porque não me canso de fazer e cantar músicas pop. Porque nunca envelhece. Uma música que pode ser apenas à guitarra ou piano, tu podes pôr um sintetizador em cima que vai sempre resultar, porque na raiz ela resulta”.

Como classificaria David Antunes (seu nome próprio) o artista David Carreira?

É difícil mas como galáctico possivelmente. É difícil falar sobre ti próprio, eu não conheço um cantor que se consiga classificar. Aquilo que posso dizer é que é feita com coração e que é verdadeira. Agora, acho que todos os cantores são fãs de outros cantores, crescemos a ouvir artistas. Eu sou fã de todo o tipo de música, seja pop, hip hop, rock, ainda no outro dia estávamos a falar de Scorpions, eu ‘curto bué’. Mas ouço tudo, fui ver os Metallica, ouço de tudo, Da Weasel. Até música clássica, ouvia bué quando estudava economia porque me ajudava a concentrar. Mas se tivesse de classificar a minha é de coração e genuína”, disse-nos.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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